BENEDITO LUIS RODRIGUES DE ABREU
(1897-1927)
Poeta , teatrólogo, professor. Nasceu em Capivari, São Paulo, e morreu em São Paulo, capital.
Obra poética: Noturnos (1919); A Sala dos Passos Perdidos (1924), etc.
AO LUAR
Os santos óleos, do alto, o luar derrama...
Eu, pecador, ao claro luar ungido,
Sonho: e sonhando rezo comovido
E arrebatado na divina chama.
Deus piedoso, consolo do oprimido,
Se compadece, à voz que ardente clama,
Porque meu coração, impura lama,
É um brado intenso para os céus erguido!
E o divino perdão desce da altura:
Grandes lírios alvíssimos florescem
Sob a lua, floresce a formosura...
E nessa florescência, imaculados
Raios longos do luar piedoso descem,
Choram comigo sobre os meus pecados.
POEMA
Ouro branco, esperança da alma aflita
do caipira, ouro feito de algodão,
ouro de neve branca, de bendita
neve toda a alma verde do sertão.
Fuljo — branco de neve nas alturas
dos sonhos dos cansados lavradores,
que me tornam, as tristes criaturas,
mais alvos pelas gotas de seus suores.
Vêem-me, sonhando, em longas fibras de ouro,
depois em moeda, e assim sonhando vão...
Dormem pensando em mim: Sou o tesouro,
o ouro branco das terras do sertão.
Página publicada em maio de 2009
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