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MAURO GAMA
(Rio de Janeiro, 1938) é poeta e crítico literário. Publicou Corpo verbal (l964), Anticorpo (1969) e Expresso na noite (1982).
“Mauro Gama, en los dos fragmentos de su largo poema A Fazenda, adopta una técnica de yuxtaposición de palabras, de tal manera que la uma se explica por la outra y se vuelve sobre sí misma. Considerese la yuxtaposición de barro anjo músculos o de metal céu terra, etc. Hay un flujo racional de monosílabos, bisíliabos y trisílabos ordenados por un lúcido o inteligente control de trimbres.
En el “manifiesto didáctico”, se definió el poema-praxis en los siguientes términos: “es el que organiza y monta, estéticamente, una realidad situada según tres condiciones de acción: a) el acto de componer; b) el área de levantamiento de la composición; c) el acto de consumir”. Parece que el trabajo de estos poetas justifica dicha definición.”
MARIO CHAMIE (trad. de Ángel Crespo)
PERFIL
DE RODA GIGANTE
Dando festa no bairro clara
Visitação de burgueses
gozos e
Guizos: meses na roda rodam
Burgueses / esas em rol em
risos
De framboesa de frangos
gozos
Guizos-risos tão brancos e
Bancos brincos: de prata?
— lata
Em que rodam rodam:
rotas
Sem fim ou só fim nos elos
E aros amparos joelhos e
olhos
Rodando festa no bairro
clara
Visitação de burgueses
Gozos e
Guizos: meses na roda
rodam
Se abraçam passam nos
passos
Do metal em traços de tempo
Igual casual e no espaço sempre
Dos casais: cabeças e coxas
No ar perdidas e reavidas
em línguas
Idas ao fundo fundidas
findas
Em seios selos mamilos elos
E aros amparos joelhos
olhos
A léguas-anáguas gáveas
De rosto prata de resto
lata
Nessa clara festa no bairro.
(De Anticorpo. Ed. Autor, Rio, 1969).
Comentário: “ O que destaca Perfil de Roda Gigante como um assinalar da reificação e da transformação de homem em objeto é, verdadeiramente, a mesma construção que parodiando Genet faz com que a criada já se veja criada. O movimento de não transformação da roda gigante atesta a permanência da reificação nos estatutos existenciais do homem> a essência alienada pela sociedade humana faz com que nas mecanizações do gesto se demonstre a sua entificação.” ANTONIO SÉERGIO MENDONÇA (in POESIA DE VANGUARDA NO BRASIL. Petrópolis, RJ: Vozes, 1970. p. 29)
VOCABULÁRIO DEL POEMA
por Ángel Crespo
A FAZENDA: anjo: ángel; asas:alas; céu: cielo; peito: pecho (fig. esfuerzo, valor); mão: mano; espelho: espejo; renda: renta; milharal: maizal; colheita: cosecha, recolección; vai: va; balaio: cesto redondo; malha: malla; falha: roto; farpa: desgarrón; tão só: tan solo.
A fazenda
(fragmento)
PLANTIO
Homem ou barro o anjo
músculos e asas pardas
metal contra o céu
contra a terra metal
de alto a baixo homem
cava homem cava na
polpa do sol na polpa
da terra cava no peito
cava e pára mão ou terra
desprendida digitada se
recortada contra o espelho
do azul renda renda
de luz curvando-se ou festo
e sopro
de sementes? Pão
que devora o barro
ou corpo
em lâminas mão e ventos
COLHEITA
cesto levanto o incesto
sem fruto ou curva, solar.
e lacaio do pulso aliás
do impulso
vai o balaio vai o que
em dedos e alma de
palma a palma ferida
é a carga e a malha
é a falha e a farpa
também — ou tão só — da vida.
* Texto y poema extraído de CHAMIE, Mario. “Poema-praxis: un acontecimiento revolucionario.” In: REVISTA DE CULTURA BRASILEÑA, Tomo III, Número 9, junio 1964, p. 171-199.
Página ampliada e republicada em outubro de 2008
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