Home
Sobre Antonio Miranda
Currículo Lattes
Grupo Renovación
Cuatro Tablas
Terra Brasilis
Em Destaque
Textos en Español
Xulio Formoso
Livro de Visitas
Colaboradores
Links Temáticos
Indique esta página
Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


CARLOS BESEN



O poeta nasceu em Porto Alegre em 1980 e reside na capital gaúcha, onde se graduou em Filosofia pela UFRGS.  Pos-graduando, vem colaborando em várias revistas impressas e eletrônicas e mantêm seus próprio blogs.

 

O poema que ora publicado sai na revista LITERATURA – Revista do Escritor Brasileiro, n. 31, jan/abril 2006, editada por nosso colaborador e amigo Nilto Maciel.

 

Veja outros poemas do autor em: http://www.germinaliteratura.com.br/cbesen.htm

 

 

A FORÇA DO DESARVORAR

 

I

Não saio de casa sozinho.

 

II

Espirro, respiro, meu nariz se debruça

sobre o cheiro chegando pelos ombros da cortina.

As narinas janelam no quarto fechado.

 

III     

Desato a falar, minha garganta se abre fonte.

A boca deságua. Mastigo verde,

e as gengivas entendem o líquido como gelo,

o sólido como pedra, o gasoso como fogo.

Meus dentes de estante desenham búzios e absurdos.

 

IV

Escuto o que despista,

e minhas orelhas se inclinam como se o ruído indecifrado

também fosse balbucio divino (ou sua balbúrdia).

 

Ouvir já é estar ajoelhado.

 

V

Encubro-me de mim, meus cabelos escoam neve,

espuma de cílios.

 

A cabeça: uma genealogia de cavalos.

 

VI

Ao ler, jogo como jogo os olhos para trás,

faço das pupilas crânios da luz,

afasto os braços como se orvalhasse galhos.

 

Palavras são brancas como pérola, repetem a névoa.

 

VII

A visão me adoça para o escuro,

leio preto e branco nas fotografias.

 

VIII

Engordo feito fruta,

me acresço horizontal,

me constituo paisagem.

 

IX

A barriga protege um joão-de-barro,

meu pai.

A barriga é um bairro.

 

X

Tardo como quem seca, não me desloco

sem que os pés produzam diária uma suja biografia.

 

A lentidão já é alento,

o pólen do sangue se alfabetiza para a seiva.

 

XI

Carregado de vida, encurvo,

fico próximo dos lábios da grama.

 

A precária velhice dos ossos

não fratura a condição de semente.

 

XII

Minhas unhas crescem como se os dedos se renovassem.

As unhas são pá, escavo.

 

XIII

Sem esperança, me espero árvore.

Despojado, despertenço:

 

meu corpo me expulsa de casa.

 

 




Voltar para a  página do Rio Grande do Sul Voltar ao topo da página

 

 

 
 
 
Home Poetas de A a Z Indique este site Sobre A. Miranda Contato
counter create hit
Envie mensagem a webmaster@antoniomiranda.com.br sobre este site da Web.
Copyright © 2004 Antonio Miranda
 
Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Home Contato Página de música