Home
Sobre Antonio Miranda
Currículo Lattes
Grupo Renovación
Cuatro Tablas
Terra Brasilis
Em Destaque
Textos en Español
Xulio Formoso
Livro de Visitas
Colaboradores
Links Temáticos
Indique esta página
Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

PARNASIANISMO / POETAS PARNASIANOS

 
 

 

JÚLIA CORTINES

(1868-1948)

 

Júlia Cortines Laxe nasceu em Rio Bonito, Rio de Janeiro. Pouco se sabe da vida desta notável, mas quase esquecida, poetisa mas presume-se que haja exercido o professorado, tendo colaborado nos jornais e revistas de sua época, entre eles A Semana.

 

Obra poética: Versos (1894) e Vibrações (1905).

 

 

 

A VINGANÇA DE CAMBISES

 

Disseram — diz o rei a Prexaspes — que o vinho

Sobe presto à cabeça em denso torvelinho

De vapores, e a febre, o delírio produz,

Que irradiam no olhar uma sinistra luz.

 

Ou, pouco a pouco, pelo organismo se entorna,

Qual onda de torpor, voluptuosa e morna?

Disseram; e tu tens a ousadia de vir

Em face de teu rei palavras repetir

De estultos, e afirmar que o vinho afrouxa braços

Que fazem, como os meus, os reinos em pedaços?

Ao contrário; verás; (e bêbado entesou

No arco a flecha) porém é preciso que aponte

 

Um alvo; — o coração de teu filho.

E atirou,

Da criança, que nele o doce olhar fitava,

— Olhar que o etéreo azul do infinito espelhava, —

Varando lado a lado o peito e o coração.

 

E o pai disse, curvando humildemente a fronte:

 

— "Nem de Apolo é mais firme e mais certeira a mão."

 

                            Versos (1894)

 

 

O LAGO

 

Um pouco d'água só e, ao fundo, areia ou lama,

Um pouco d'água em que, no entanto, se retrata

O pássaro que o vôo aos ares arrebata,

E o rubro e infindo céu do crepúsculo em chama.

 

Água que se transmuda em reluzente prata

Quando do bosque em flor, que as brisas embalsama,

A lua, como uma áurea e finíssima trama,

Pelos ombros da noite a sua luz desata.

 

Poeta, como esse lago adormecido e mudo

Onde não há, sequer, um frêmito de vida,

Onde tudo é ilusório, e passageiro é tudo,

 

Existem, sobre um fundo, ou de lama ou de areia,

Almas em que tu vês, apenas, refletida

A tua alma, onde o sonho astros de ouro semeia! Interrogação

 

                            Vibrações (1905)

 

        

 

INTERROGAÇÃO

 

Contemplo a noite: a cúpula estrelada

do firmamento sobre mim palpita;

meu olhar, que a interroga, embalde fita

o olhar dos astros, que não vêem nada:

 

— Nessa amplitude lôbrega e infinita

que inteligência ou força inominada

numa elipse traçou a vossa estrada,

estrelas de ouro, que o mistério habita?

 

Dizei-me se, transpondo a imensidade,

alguma coisa a vós minha alma prende,

um vínculo de amor ou de verdade.

 

Dizei-me o fim da nossa vida agora:

para que serve a luz que em vós resplende,

e a oculta mágoa que em meu seio mora?...

 

 

FRACOS

 

Fracos, odeio a inércia e detesto a fraqueza.

Prefiro a mão que esmaga ou que vibra o punhal

À doce e inconsciente e nefasta moleza,

Que é para a alma do forte um veneno mortal.

 

Como de encontro à costa, em ondas remansadas

Chora o mar, ou se atira em bravos vagalhões,

Assim de encontro a vós, almas adormentadas,

Fremem de ódio e de amor os nossos corações.

 

Almas fracas, fugindo à aspereza das lides,

Sem um esforço para às correntes opor,

Pelo rio do tempo arrebatadas ides,

Desta ou daquela vaga a boiar ao sabor.

 

Que vos importa a vós a agonia da luta,

A ânsia de possuir, o infinito aspirar?

Que vos importa a vós a decepção que enluta,

Se não sabeis querer, nem sabeis adorar?!

 

 

                            Vibrações (1905)

 

 

ÚLTIMA PÁGINA

 

Antes de mergulhar no silêncio da morre,

Ou da idade sentir a fraqueza e o torpor,

Eu quisera lançar, num supremo transporte,

Meu grito de revolta e meu grito de horror.

 

Mas sei que por mais forre e por mais estridente

Que ela corra através do infinito, até vós,

Ó céus, que além brilhais numa paz inclemente,

Nem qual brando rumor chegará minha voz!

 

Mas' sei que não há dor que a natureza vença,

E que nunca a fará de leve estremecer

Na sua eternidade e sua indiferença

O lamento que vem dum transitório ser.

 

Mas sei que sobre a face execrável da terra,

Onde cada alma sente, em torno, a solidão,

Esse grito, que a dor duma existência encerra,

Não irá ressoar em nenhum coração.

 

Contudo, num clamor de suprema energia,

Eu quisera lançar minha voz! Mas a quem

Enviar esse brado imenso de agonia,

Se para o compreender não existe ninguém?!

 

                            Vibrações (1905)

 




Voltar para a  página do Rio de Janeiro Voltar ao topo da página

 

 

 
 
 
Home Poetas de A a Z Indique este site Sobre A. Miranda Contato
counter create hit
Envie mensagem a webmaster@antoniomiranda.com.br sobre este site da Web.
Copyright © 2004 Antonio Miranda
 
Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Home Contato Página de música Click aqui para pesquisar