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Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

GREGORIO DUVIVIER

GREGORIO DUVIVIER


É ator, poeta, nasceu no ano de 1986, mora no Rio de Janeiro.

Gregório já revela uma dicção inconfundível. Sua característica mais evidente é talvez o humor (como seria de se esperar num poeta que vem também se destacando como um excepcional comediante, no teatro e no cinema), que vai do ludismo suave de “Receita para um dálmata” ao tom cáustico de “Unha e carne”. Mas um delicado toque lírico também se revela em várias peças, em particular no “Roteiro para um longa-metragem de 4 cenas”, poema em prosa em que o jovem faz o inevitável ajuste de contas com sua infância.” Paulo Henriques Britto

Mesmo sendo com um livro de estréia, ele começou por onde outros nunca chegam.”
Antonio Miranda

 

manuela

manuela, você não
passa de uma gripe
que me entope os
poros:qualquer dia
desses eu te esqueço
         num espirro.



unha e carne

eram como unha e carne os dois
e como unha e carne partiram-se
em metades injuntáveis ambos
sob o alicate inox e ela
repousa no ladrilho, âmbar:
lua minguante sobre o bidê.

Receita para um dálmata

 

(ou: Soneto branco com bolinhas pretas)

 

Pegue um papel, ou uma parede, ou algo

que seja quase branco e bem vazio.

Amasse-o até que tome forma

de um animal: focinho, corpo, patas.

 

Em cada pata ponha muitas unhas

e em sua boca muitos dentes. (Caso

queira, pinte o focinho de qualquer

cor que pareça rosa). Atrás, na bunda,

 

ponha um fiapo nervoso: será seu

rabo. Pronto. Ou quase: deixe-o lá

fora e espere chover nanquim. Agora

 

dê grama ao bicho. Se ele rejeitar,

é dálmata. Se comer (e mugir),

é uma vaca que tens. Tente outra vez.

 

 

sobre a exaustão das retinas

 

ja não me diz nada um por do sol em cancun

e um coqueiro em alto-mar já vagou por protetores

de tela demais para me causar qualquer sensação

de bem-estar; os casais parisienses que habitam

calendários já não me dão sequer vontade

de ir a paris assim como não me comovem

mais as crianças de sebastião salgado nem

a menina que foge do ataque do napalm

e que em breve estampará cangas e biquínis;

as imagens estão gastas e não há nenhuma

que erga pontes como a palavra que.

 

 

Soneto para construir janelas

 

         para Paulo Henriques Brítto

 

Erguer antes de tudo uma parede -

a parede no caso é importantíssima,

pois as janelas só existem sobre

paredes, as janelas sobre nada

 

são também nada e não são sequer vistas.

Em seguida, quebrá-la até fazer

nela um grande buraco, não maior

que a parede, pois precisamos vê-la,

 

nem menor que seus braços - as janelas

sobre as quais não se pode debruçar

não são janelas, são buracos. Pronto.

 

Ou quase: agora basta construir

um mundo do outro lado da parede,

para que possas vê-lo, emoldurado.

 

 

 

 

 

Página publicada em agosto de 2009

 

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