MILLÔR FERNANDES
Quem já ouviu falar do Millôr Fernandes? Todo mundo, civilizado... Que já leu alguma de suas frequentes, por décadas, tiradas nas revistas semanais? Todo mundo, mundo mundo, vasto mundo, eu me chamo Millôr... Figura entranhada na cultura e no jornalismo brasileiros, no teatro e no melhor humor do mundo. Edições de seus livros estão nas livrarias e bibliotecas e, ao contrário de muitos, são lidos e vistos e adorados.
Escritor profissional: "Meu dinheiro / Vem todo / Do meu tinteiro."
Uma de suas facetas, que cultiva com refinamento e malícia, é o hai-kai (ele usa o hífen, vamos respeitar). Um hai-kai que ele inventou, com rima e humor negro, observador que é dos costumes e desvios humanos. Muitos deles sobre Morte e Vida, que satiriza com e sem sutileza:
Eis o meu mal
A vida para mim
Já não é vital.
*
Passeio aflito;
Tantos amigos
Já granito.
*
À nossa vida
A morte alheia
Dá outra partida.
*
A vida é um saque
Que se faz no espaço
Entre o tic e o tac.
*
É meu conforto
Da vida só me tiram
Morto.
*
Probleminhas terrenos:
Quem vive mais
Morre menos?
Pessimista? Cético, incrédulo? Irreverente, sim. "Menos mal / Tempo em que a / Aldeia era global." Sim, menos mal. Se os tempos atuais são de fel, os de antes tampouco eram de mel.
Vamos parar por aqui por causa dos tais dos Direitos Autorais... Quem quiser relê-lo, há várias edições por aí, uma delas da L&PM que se encontra até nos aeroportos. Mas tão bom quanto poeta, é o desenhista, o chargista, o cartunista, e ponha ista nisto!!!
Vejam a capa do livro da editora Nórdica, provavelmente esgotado, digno de colecionadores. Capa dura. Ilustrações coloridas. Edição de 1986, que ilustra esta matéria, em homenagem ao nosso grande filósofo. Filósofo, afinal. Em pílulas, sem retórica. Genial. Antonio Miranda
Página publicada no Natal de 2010, de presente aos amigos e admiradores do Millôr.
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