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POESIA GOIANA
Coordenação de SALOMÃO SOUSA

 

 

GERALDO DIAS DA CRUZ

Nasceu em Belo Horizonte, Minas Gerais, a 3 de maio de 1929.  Reside em Goiânia, Goiás. Poeta, administrador de empresas de formação. Autor de vários livros de poesia.

 

 

De
Geraldo Dias da Cruz
PROCLAMA AOS INCAUTOS
Capa e ilustrações de Fernando Thomenn da Silva. 
São Paulo: Editora do Escritor, 1981.  69 p.  ilus. col. 
(Coleção do Poeta, Volume 26) 
“Menção honrosa no “Concurso Bolsa Hugo Ramos de Carvalho”
– 1979 Goiânia – Goiás.   Autografado.  Col. A.M. (EA)

 


AGUA DOCE

 

Onde o rio se oculta

dos algoritmos mais frios,

não é fábula, o seu riso,

nem as flores que o seduzem,

pendentes dos galhos arfantes.

Onde, por dar frutos aos peixes,
estas árvores ardilosas,

mantêm o rio cativo,    

veem-se frisos de escamas

na superfície do rio.

Onde se mostra indiferente,

escondendo o seu sorriso,

o rio está mais vivo,

no Jogo destes equívocos.

Há um cheiro, próprio ao desejo,

um inclinar de outros galhos,

sussurros que são de amantes,

onde o rio se esconde,

voltando-se sobre as curvas

ondulações de seu leito.

Onde o olho avaro,

que o quer preso em barragens,

deixa escapar esse rio,
a vida é um brinquedo,

de correr atrás das árvores.

Onde o rio sobe as águas,

lança-se além dos barrancos

procurando fêmeas ocultas,

as que não viram e desejam

conhecer o rio amante.

 

 

A PAREDE E O TEMPO

 

O barracão, pensei,

que fosse eterno.

Que, antes dele,

o tempo não contava,

quando, menino, olhei

dentro do mundo,

a vida, querendo ver,

como aos destinos.            

Ver o que me levaria

aos quatro pontos do horizonte,

como se fossem os quatro cantos do barraco,

o que partia

em tantos raios

a minha estrela,

que amarrava em forte nó

minha garganta.

Além do barracão,

pensei,

era o trabalho,

que às cinco da manhã

me flagelava,

que um resto ds almoço

me engulia,

outra vez me devolvendo,

ao fim da tarde.

Nestas horas mais frágeis,

acabando o dia,

quando o corpo, como o sol,

se recolhia,

ao barracão voltavam os nossos sonhos

o meu, o dela, dos manos, de Totonho.

 

 

Página publicada em setembro de 2011

 


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