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Cecília Meireles
em Português y Español CECÍLIA MEIRELES (1901–1964) — Jornalista, educadora, cronista, realizou poesia das mais altas de nossa língua. Obras principais: Viagem, Vaga Música, Mar Absoluto, Retrato Natural, Romanceiro da Inconfidência, Metal Rosicler, Solombra. “Reinvenção” é de Vaga Música.
REINVENÇÃO
reinventada.
Anda o sol pelas campinas e passeia a mão dourada pelas águas, pelas folhas... Ah! tudo bolhas que vêm de fundas piscinas de ilusionismo... — mais nada.
Mas a vida, a vida, a vida, a vida só é possível reinventada.
Vem a lua, vem, retira as algemas dos meus braços. Projeto-me por espaços cheios da tua Figura. Tudo mentira! Mentira da lua, na noite escura.
Não te encontro, não te alcanço... Só — no tempo equilibrada, desprendo-me do balanço que além do tempo me leva.
Só — na treva, fico: recebida e dada.
Porque a vida, a vida, a vida, a vida só é possível reinventada.
MOTIVO Eu canto porque o instante existe e a minha vida está completa. Não sou alegre nem sou triste: sou poeta.
Irmão das coisas fugidias, não sinto gozo nem tormento. Atravesso noites e dias no vento.
Se desmorono ou se edifico, se permaneço ou me desfaço - não sei, não sei. Não sei se fico ou passo.
Sei que canto. E a canção é tudo. Tem sangue eterno a asa ritmada. E um dia sei que estarei mudo: - mais nada.
RETRATO
Eu não tinha este rosto de hoje, assim calmo, assim triste, assim magro, nem estes olhos tão vazio, nem o lábio amargo.
Eu não tinha estas mãos sem força, tão paradas e frias e mortas; eu não tinha este coração que nem se mostra.
Eu não dei por esta mudança, tão simples, tão certa, tão fácil: - Em que espelho ficou perdida a minha face?
LEVEZA
Leve é o pássaro: e a sua sombra voante, mais leve.
E a cascata aérea de sua garganta, mais leve.
E o que lembra, ouvindo-se deslizar seu canto, mais leve.
E o desejo rápido desse antigo instante, mais leve.
E a fuga invisível do amargo passante, mais leve.
CADA PALAVRA UMA FOLHA
Cada palavra uma folha no lugar certo.
Uma flor de vez em quando no ramo aberto.
Um pássaro parecia pousado e perto.
Mas não: que ia e vinha o verso pelo universo.
HUMILDADE Tanto que fazer! livros que não se lêem, cartas que não se escrevem, línguas que não se aprendem, amor que não se dá, tudo quanto se esquece.
Amigos entre adeuses, crianças chorando na tempestade, cidadãos assinando papéis, papéis, papéis... até o fim do mundo assinando papéis.
E os pássaros detrás de grades de chuva. E os mortos em redoma de cânfora.
(E uma canção tão bela!)
Tanto que fazer! E fizemos apenas isto. E nunca soubemos quem éramos, nem para quê. ---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- TEXTOS EN ESPAÑOL REINVENCIÓN
La vida sólo es posible reinventada.
Anda el sol por las campiñas, pasa la mano dorada por las aguas, por las hojas... ¡Ah! todo pompas que vienen de hondas piscinas de ilusionismo... — sin nada.
Pero la vida, la vida, la vida sólo es posible reinventada.
Viene la luna y retira las cadenas de mis brazos. Me proyecto a unos espacios llenados de tu Figura. ¡Todo mentira! Mentira de la luna, en noche oscura.
No te alcanzo, no te encuentro... En el tiempo equilibrada, del columpio me desprendo que afuera del tiempo lleva.
Sola — en nieblas, quedo: recibida y dada.
Porque la vida, la vida, la vida sólo es posible reinventada. MOTIVO Traducción de Patricia Tejeda
Canto porque el instante existe y mi vida está completa. No soy alegre ni soy triste: soy poeta.
Hermano de las cosas fugitivas, no siento gozo ni tormento. Atravieso noches y dias en el viento.
Si desmorono o si edifico, si permanezco o me deshago - no sé, no sé. No sé si es que me afirmo o paso.
Sé que canto. Y la canción es todo. Tiene sangre eterna la ala ritmada. y un dia sé que estaré mudo: - ?más?, nada.
RETRATO Traducción de Patricia Tejeda
No tênia este rostro de hoy, así calmo, así triste, así magro, ni estos ojos tan vacíos, ni el lábio amargo.
No tenía estas manos sin fuerza, tan inertes y frias, y muertas; no tenía este corazón que ni se muestra.
No percibí esta mudanza, tan simple, tan cierta, tan fácil: - ?En qué espejo mi rostro perdido se deshace?
LEVEDAD Traducción de Patricia Tejeda
Leve es el pájaro: y su sombra volante, más leve.
Y la cascada aérea, de su garganta, más leve.
Y lo que recuerda, oyéndose deslizar su canto, más leve.
Y el deseo rápido de este antiguo instante, más leve.
Y la fuga invisible del amargo pasante, más leve.
CADA PALABRA UNA HOJA Traducción de Patricia Tejeda
Cada palabra uma hoja en el lugar perfecto.
Una flor de vez en cuando en el ramaje abierto.
Un pájaro que parecia posado y cierto.
Mas, no: que iba y venía el verso por el universo.
HUMILDAD Traducción de Patricia Tejeda
!Tanto que hacer! libros que no se leen, cartas que no se escriben, lenguas que no se aprenden, amor que no se da, todo cuanto se olvida.
Amigos entre adioses, niños llorando en la tempestad, ciudadanos firmando papeles, papeles, papeles...
Y los pájaros detrás de rejas y lluvias, y los muertos em redomas de alcanfor.
(!Y una canción tan bella!)
!Tanto que hacer! E hicimos apenas esto. Y nunca supimos quiénes éramos ni para qué.
Las traducciones de Patricia Tejeda han sido extraídas de la obra GABRIELA MISTRAL & CECÍLIA MEIRELES/ GABRIELA MISTRAL Y CECÍLIA MEIRELES. Edição conjunta da Academia Chilena de la Lengua y Academia Brasileira de Letras, em 2003. Una bella edición bilíngüe de textos de las grandes poetas de Sudamerica, fuera de mercado pero disponible en muchas bibliotecas de los dos países.
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