PEDRO LYRA
Nasceu em Fortaleza, em 1945. Na atualidade é referência de grande valor na literatura brasileira pós-modernista. Os seus poemas têm sido publicados em vários países. Poeta, crítico, ensaísta, antologista de poesia e professor de poética na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Coordenador da coleção “Nossos Clássicos”. Membro da Comissão Editorial da revista “Tempo Brasileiro”.
Página do autor na web: http://www.almadepoeta.com/pedrolyra.htm
TEXTOS EM PORTUGUÊS / TEXTOS EN ESPAÑOL
DA FELICIDADE
Não há ninguém feliz
não há
— a paz —
que guarda o ser
(sem medo, sem carência)
ninguém provou
— a liberdade —
que solta o tempo
(sem peia, sem limite)
ninguém teve
— o amor —
que encanta o mundo
(sem mágoa, sem lacuna)
ninguém viveu.
É guerra, opressão, egoísmo:
—como responder ao apelo da terra?
—como realizar o destino do ser?
Não há ninguém feliz.
(Pelo menos até hoje).
(Decisão, 1985)
SONETO DE CONFISSÃO – IX
Eu reconheço, amigo, esta miséria:
nunca soube fundir poesia e amor.
Era apenas contato
—sem paixão
ou era apenas chama
—sem suporte.
Nunca a musa mais plena fez-se carne:
—quando ensaiava
a fonte se esvaía.
Nunca a parceria ia além do ato:
—faltava sempre o impulso
para o vôo.
Entre o real e o avesso
desvivi-me:
nem subia do chão um só degrau
nem descia da nuvem para a rua.
E afinal sublimaste este fracasso
mais amada no sonho
que na vida
mais viva no poema
que na cama.
(Desafio, 1991)
APENAS UMA LEMBRANÇA
Passa na madruada
a lembrança de um desejo.
Nenhum ressentimento.
Nenhum sentimento, também.
Apenas a lembrança.
E era belo o tempo
—aquele tempo em que o amor justificava a nossa vida
com uma troca de vivências.
Passou.
Como esta madrugada
que te despertou por um momento.
Agora é dia.
E já não vejo teu olhar
no sol que surge.
Contágio (1995)
A NOSSA CULTURA CORRIGIRIA A NOSSA NATUREZA
E que apenas abertos os caminhos da Terra
estariam abertos os caminhos das estrelas.
Hoje
esse futuro
e já
e só
passado.
SERÁ QUE ESTA ESPERANÇA
VOLTA
NO PRÓXIMO MILÊNIO?
Eu espero:
quem já sofreu alguns deles
pode esperar mais alguns.
Errância (1996)
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TEXTOS EN ESPAÑOL
Extraídos de la
ANTOLOGÍA DE LA POESÍA BRASILEÑA
Org. y traducción de Xosé Lois García
Santiago de Compostela: Ediciones Laiovento, 2001
(con la autorización del traductor)
DE LA FELICIDAD
No existe nadie feliz
no existe
— la paz —
que guarda el ser
(sin miedo, sin privación)
nadie probó
— la liberdad —
que desata el tiempo
(sin obstáculos, sin límite)
nadie tuvo
— el amor —
que encanta al mundo
(sin pena, sin vacío)
nadie vivió.
Es guerra, opresión egoísmo:
—¿Cómo responder al reclamo de la tierra?
—¿Cómo realizar el destino del ser?
Não há ninguém feliz.
(Por lo menos hasta hoy).
(Decisão, 1985)
SONETO DE CONFESIÓN – IX
Yo reconozco, amiga, esta miseria:
nunca supe conjugar poesía y amor.
Era sólo contacto
—sin pasión
o era sólo llama
—sin base.
Nunca la musa más plena se hizo carne:
—cuando ensayaba
la fuente se desvanecia.
Nunca ala compañera iba más allá de la acción:
—siempre faltaba el impulso
para el vuelo.
Entre lo real y lo opuestoo
Me desviví:
ni subía um sólo peldaño del suelo
ni descendia de la nube hacia la calle.
Y al final sublimaste este fracaso
más amada en el sueño
que en la vida
más viva en el poema
que en la cama.
(Desafio, 1991)
APENAS UM RECUERDO
Pasa en la madrugada
el recuerdo de un deseo.
Ningún resentimiento.
Ningún sentimiento, tampoco.
Apenas el recuerdo.
Y era bello el tiempo
aquel tiempo en el que el amor justificaba nuestra vida
con un intercambio de vivencias.
Pasó.
Como esta madrugada
que te desperto por un momento.
Ahora es día.
Y ya no veo tu mirada
en el sol que surge.
Contágio (1995)
NUESTRA CULTURA CORRIGIRÍA NUESTRA NATURALEZA
Y que sólo una vez abiertos los caminos de la Tierra
estarían abiertos los caminos de las estrellas.
Hoy
ese futuro
es ya
y sólo
pasado.
¿ ESTA ESPERANÇA
VOLVERÁ
EN PRÓXIMO MILENIO?
Yo espero:
quien ya surfrió algunos de ellos
puede esperar algunos más.
Errância (1996)
Página publicada em dezembro de 2007 |