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Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 
 

 

FERREIRA ITAJUBÁ

 

Manuel Virgílio Ferreira, ou Ferreira Itajubá (Natal, 21 de Agosto de 1877? – Rio de Janeiro, 30 de Junho de 1912) foi um poeta potiguar.  Existem controvérsias quanto à sua data de nascimento. O próprio poeta assinou certo documento declarando que nasceu em 1877. Na casa em que nasceu, na rua Chile, 63, existe hoje uma placa de mármore com os dizeres: 1875. Câmara Cascudo defende o ano de 1876.
          Ferreira Itajubá aprendeu as primeiras letras, com o professor Tertuliano Pinheiro (Terto) e com Joaquim Lourival Soares da Câmara, o Professor Panqueca, filho do consagrado poeta Lourival Açucena.
          Era filho de potiguares. Seu pai, Joaquim José Ferreira, morreu de varíola quando ele tinha apenas seis anos. Sua mãe, Francisca Ferreira de Oliveira, nasceu em Morrinhos, no município de Touros. Foi ela quem criou o poeta, que teve que trabalhar desde cedo.
          Aos doze anos, começou a trabalhar na loja de Antônio Sátiro, na rua Chile. Depois de quatro anos, foi morar em Macau, onde trabalhou na loja de Antônio Deodato. Lá, adoeceu de varíola e logo retornaria a Natal, e ao antigo emprego, mas com melhor salário e permissão para estudar. Mas com a morte de seu patrão, teve de procurar por outras fontes de renda. Fundou um circo no quintal de sua casa, e trabalhou como escrevente na Associação de Praticagem, em Natal, Macau e Areia Branca. Foi bedel da escola onde estudou, o Atheneu, e pintava letreiros comerciais nas horas vagas. Funda em 1896, o jornal literário O Echo, de circulação semanal. No ano seguinte, funda a revista A Manhã. Escreveu para quase todos os jornais de seu tempo, entre eles: A República, Diário de Natal, Gazeta do Comércio, A Capital, O Trabalho, O Arurau, A Tampa, A Rua, Pax, O Torpedo.
          Sua poesia era ligada ao Romantismo, mas com influência do Parnasianismo e do Simbolismo.
          Foi criticado pela condição econômica e também pela pouca escolaridade.
Obra: Terra Natal (1914); Harmonias do Norte (1927); Dispersos (2009); Lenda de Extremoz; Perfil de Jesus.  Fonte: wikipedia

 

MORAIS NETO, João Batista.  Revendo Itajubá.  Natal, RN: Sebo Vermelho Edições, 2007.  41 p.  14x20 cm. Editor Abimael Silva.  Capa: Alexandre Oliveira  “ Ferreira Itajubá “ Ex. bibl. Antonio Miranda

é o grande poeta popular do século passado” (século XIX) VERÍSSIMO DE MELO

A musicalidade da poesia de Itajubá é atribuída à sua cultura oral, já que o poeta era conhecido como o “menestrel” ou seresteiro. Fala-se que vários de seus poemas foram musicados. Isso já nos leva a pensar em outras questões, como em uma antecipação do poeta-cancionista moderno, cujas letras de música têm a qualidade do poema escrito para livro, o texto literário.” JOÃO BATISTA DE MORAIS NETO

 

DESTERRO

 

Saio do teu amor. Quantos reveses

No desterro terei! Quantos ressábios!

Bendito esse passado de dez meses

Em que vivi cantando nos teus lábios...

 

Bendito esse passado que não vive.

Da terra ao céu jamais hei de esquecê-lo;

Noites nunca hei de ter como já tive,

Na escuridão polar do teu cabelo.

 

Tenho pena de ti que estás solteira.

E quanto outra vez voltar a lua nova,

Hás de chorar debaixo da mangueira,

Que a primavera quando vem renova...

 

Quando for o céu pálido manto,

Por noites aromais de lua cheia,

Na mesma terra que me enxuga o pranto

Procurarás meu rastro sobre a areia...

 

Saio do teu regaço embalsamado,

Lacrimoso do mel do teu sorriso,

Como quem sai da noite do pecado,

Como Adão do Paraíso.

 

Na alma do triste viajor peregrino

Tua alma ficará de tenda em tenda

Como o rosto do pálido Rabino

 

No linho sacrossanto da legenda.

Tardes de luto aquelas que passarem.

Depois das tardes frescas que tivemos,

Quando os rudes barqueiros modularem

Canções alegres mergulhando os remos.

 

Quando a colheita começar das rosas,

Roxo o veludo aparecer das uvas,

Quando cair das nuvens invernosas

O neblineiro das primeiras chuvas,

 

Evocarás o tempo que não vive,

O tempo que jamais hei de esquecê-lo

Todas as noites calmas que já tive

Na escuridão polar do teu cabelo.

 

Quando eu voltar para estancar as mágoas

Antes que cesse o peso das fadigas,

Correi jangadas que boiais nas águas,

Cantai, marujos, quero ouvir cantigas...

 

 

POR JANEIRO

 

Noites ungidas de claros vinhos,

Plenas de rosas, noites lavadas.

Cheias de idílios pelas quebradas,

De eflúvios raros pelos caminhos...

 

Noites de insónias e desalinhes,

De serenatas pelas calçadas...

Noites de trovas abemoladas

Como gorjeios de verdelinhos...

 

Trazei-me sempre, noites de enfeite,

Todas as coisas dessa redoma:

Chuvas de incenso, marés de leite,

 

Matando o gérmen do desengano

Que me tortura, noites de goma,

Primeiras noites claras do ano!

 

 

SOMBRAS DA NOITE

 

Eu amo as sombras que tremulosas

Descem, de luto cobrindo as leiras,

% Ora perdidas nas capoeiras,

% Ora nas vargens silenciosas.

 

Sombras de longe, sombras saudosas,

Sobre colinas, sombras ligeiras,

Aves noturnas pelas esteiras

Da imensidade de nebulosas.

 

Nos dilatados, bravios mares,

Sombras inquietas e viajantes,

Iguais às sombras dos meus pesares.

 

Na praia algente de branca areia,

% Sombras que eu amo, sombras errantes

Das noites claras de lua cheia!

 

 

Página publicada em janeiro de 2015

 

 

 


 

 

 
 
 
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