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Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 
POESIA AFRICANA

VERA DUARTE

VERA DUARTE

 

Vera Duarte, de seu nome completo Vera Valentina Benrós de Melo Duarte Lobo de Pina, nasceu no Mindelo, Cabo Verde, num Outubro qualquer. Alí brincou, cresceu e amou.

 

Depois esteve em Portugal para fazer o curso de Direito na Universidade Clássica de Lisboa e posteriormente para fazer formação na Magistratura Judicial, pelo Centro de Estudos Judiciários de Lisboa, tendo voltado a cidade da Praia, Cabo Verde, no sentido de trabalhar na justiça e como Juíza Conselheira do Supremo Tribunal da Justiça. Após se ter afastado do referido cargo assumiu a responsabilidade e honra de exercer as funções de Conselheira do Presidente da República.

 Entretanto escreveu, casou-se, publicou, teve filhos e filhos dos filhos, divorciou-se e de novo se casou, viajou e participou - do coração - na vida pública do seu país. Sobretudo nas questões ligadas à mulher, cultura e aos Direitos Humanos.

 

Orgulha-se de ter sido galardoada em 1995 em Portugal pelo então presidente português Dr.Mário Soares com o Prémio Norte-Sul de Lisboa do Conselho da Europa, pelas suas actividades em prol dos Direitos Humanos. Sobretudo enquanto membro da Comissão Africana dos Direitos do Homem e dos Povos e da Comissão Internacional de Juristas.

 

Actualmente é Presidente da Associação Cabo-verdiana de Mulheres Juristas (AMJ), membro do Comité Executivo da Comissão Internacional de Juristas, além de ser membro de várias associações oriundas da sociedade civil cabo-verdiana, nomeadamente a Associação de Escritores Cabo-verdianos (AEC).

Tem como lema de vida, Liberdade, Justiça, Paz e Amor.

Fonte da biografia e foto: http://www.caboverde.com/artist/vduarte.htm

 

 

DESEJOS

Queria ser um poema lindo
         cheirando a terra
         com sabor a cana

Queria ver morrer assassinado
         um tempo de luto
         de homens indignos

Queria desabrochar
         — flor rubra —       

         do chão fecundado da terra
         ver raiar a aurora transparente
         se r´bera d´julion
         em tempo de são João
         nos anos de fartura d´espiga d´midje

 

E ser

     riso

       flor
         fragrante
em cânticos na manhã renovada


AI SE UM DIA

Ai se em outubro chovesse
a terra molhasse
o milho crescesse
e a fome acabasse

Ai se o homem sorrisse
a terra molhasse
a fome acabasse

e a chuva caísse

Ai se um dia...

Acordemos, camaradas,
As chuvas de outubro não existem!
O que existe
É o suor cansado
Dos homens que querem

O que existe
É a busca constante
Do pão que abundante virá

Homens, mulheres, crianças
Na pátria livre libertada
Plantando mil milharais
Serão a chuva caindo
Na nossa terra explorada


CHUVA

 

Quero olhar-te com obcecação
até que meus olhos se fartem
da beleza muda
de tuas rochas pedindo chuva

chuva! chuva!
poemas de chuva caindo
vozes pedindo chuva
bocas sedentas
terra à espera de chuva

o chão queimou-se ao sol
as vozes calaram-se

e os poemas esqueceram-na

 

as dores avolumaram-se
mas a chuva não veio
transformar em alegria
a longa angustiada espera

mamãe!
quero enfim descansar
embala-me em teu regaço
e conta-me aquela história linda

do ano das boas “às águas”

 

 

Página publicada em setembro de 2008.




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