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HUNALD DE ALENCAR

 

HUNALD FONTES DE ALENCAR é Bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais, Professor de Lígua Portuguesa e Literatura Brasileira. Letrista e compositor de música popular, tendo sido premiado em vários festivais. Jornalista ex-Diretor da Galeria de Arte " Alvaro Santos ".

 

ALENCAR, Hunald de.  Elogio dos peixes ágeis e outros poemas.   Aracaju: 1983.  83 p. 15x21 cm.   Capa prateada, letras em branco, em relevo.  Nenhuma informação sobre a impressão do livro, edição do autor.  Col. A.M. (EA)

 

elogio dos peixes ágeis

 

IX

 

A Vinícius de Moraes

 

São femininas as ondas

do mar que sempre conquistas;

mergulhador do efémero

é no eterno que habitas.

 

A fluidez dos instantes

navegas como se o tempo

não passasse pra os amantes.

 

Todas as horas revoltas

são poucas pr'as tempestades.

do amor de muitas ondas

das mui fugidias coxas.

 

Vens, mergulhador exausto,

ao silêncio de águas p ou cãs,

às praias em que te espraias,

repousar os tantos sóis

mastigados em tua boca.

 

E é nos sonhos que constróis

o desejo de voar

pra outro aquário maior,

para o azul por sobre o mar,

tal se parece o infinito

o mais pleno oceano

pra teu amar sobre-humano.

 

Dos teu s plasmas submarinos

queres voar e subir

até ao país de Altair

pelos espasmos mais lindos.

 

Mergulhador e acrobata,

amas em sonhos e sonhas

no amor que te arrebata

 

E as ondas e as nuvens

faz tua poesia infinda

cada vez mais femininas

 

No mergulhar, no voar,

vais recolhendo as estrelas

de água, fogo, terra e ar

pra no efémero perdê-las

mas no eterno surpreendê-las.

 

E contemplas as margens

que um dia foram viagens

no instante em que perduras

no infinito enquanto dura.

 

Sentimos então que tu amas

além da fêmea-universo

o mundo inteiro em tua cama

quando copulas teus versos.

 

Sentimos então que tu amas

além da fêmea-universo

o mundo inteiro em tua cama

quando copulas teus versos.

 

Entre ti e o espelho

tu colocas a mulher

pois amando a que te é bela

ficas moço e não velho:

 

o espelho não revela

as pegadas do caminho

pois que vês antes a rosa

e olvidas os espinhos.

O que não vês e não sentes

a ti faz-te um peixe-fênix.

 

Podes assim de alta voz

lançar teu canto varão

aos que no amor constroem

este mundo em construção...

 

 

 

 

ALENCAR, Hunald de.  Vassalagem das pedras.  Aracaju: Secretaria de Estado da Cultura,   2005.  118 p.  16x21 cm.   

Erik Satie

A vida, seu vário sentido:
dor ou apenas sustenido?

As fendas entre a lágrima e o riso
- harmonia dos guizos.

A morte, o costumeiro improviso.

 

O quinto

Por quatro solidões povoadas
permeias a fonte subterrânea dos fados
que o universo equilibra.

Noturnamente renasces
de algas sombrias a vestir
a clara roupagem dos dias.

Distante errante domicílio
em que te revisitas,
fisionomia de bruma,
será este o castigo?

Não sei se te busco. Não sei
se entre pessoas me perco.
- Finjo então que te conheço.

 

 

 

 

 

Página publicada em janeiro de 2012

 

 

 


 

 

 
 
 
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