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Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

RIBEIRO COUTO

 

 

Ribeiro Couto (Rui R. C.), jornalista, magistrado, diplomata, poeta, contista e romancista, nasceu em Santos, SP, em 12 de março de 1898, e faleceu em Paris, França, em 30 de maio de 1963. Eleito para a Academia Brasileira de Letras, em 28 de março de 1934, na sucessão de Constâncio Alves, foi recebido em 17 de novembro de 1934, pelo acadêmico Laudelino Freire.

 

Filho de José de Almeida Couto e de Nísia da Conceição Esteves Ribeiro. Cursou a Escola de Comércio José Bonifácio, em Santos. Estreou no jornalismo em 1912, na imprensa de sua cidade natal. Em 1915, iniciou o curso da Faculdade de Direito de São Paulo, trabalhando no Jornal do Commercio, em 1916, e depois no Correio Paulistano. Transferiu-se para o Rio de Janeiro e, em 1919, bacharelou-se na Faculdade de Ciências Jurídicas e Sociais do Rio de Janeiro. Publicou o seu primeiro livro de poesias, O jardim das confidências, em 1921. Trabalhou em diversos jornais, até 1922. Participou da Semana de Arte Moderna e, em seguida, retirou-se para o interior de São Paulo, em tratamento de saúde. Naquele ano saíram os volumes de contos A casa do gato cinzento e O crime do estudante Batista.

 

Residiu dois anos em Campos do Jordão, passando a exercer depois o cargo de delegado de polícia em São Bento do Sapucaí. Nomeado promotor público em São José do Barreiro, ocupou esse cargo até 1925, ano em que se transferiu para Pouso Alto, MG, em busca de um clima propício à sua saúde. Ali exerceu a promotoria pública até 1928. Nesse ano regressou ao Rio de Janeiro, entrando para o Jornal do Brasil como redator.

 

Designado para o posto de auxiliar de consulado em Marselha, partiu em fins de 1928 para aquela cidade francesa, onde o cônsul-geral Matheus de Albuquerque o indicou para vice-cônsul honorário. Em 1931, foi removido para Paris, onde serviu um ano como adido junto ao consulado geral. O governo provisório, por designação do ministro Afrânio de Melo Franco, em 1932, promoveu-o a cônsul de terceira classe. Foi 2o secretário de legação na Holanda, de 1935 a 1940; 1o secretário de legação, em 1942; encarregado de Negócios em Lisboa, de 1944 a 1946; ministro plenipotenciário na Iugoslávia, de 1947 a 1952; embaixador do Brasil na Iugoslávia, de 1952 até aposentar-se.

 

Durante a sua permanência na Europa, ocupou-se também de divulgar a literatura brasileira. Não interrompeu a colaboração para o Jornal do Brasil, O Globo e A Província (de Pernambuco), sobre literatura e acontecimentos do estrangeiro.

 

Seu primeiro livro, O jardim das confidências, ainda é simbolista. Foi definido por Ronald de Carvalho como "intimista", em virtude do tom de confidência, dos temas simples e cotidianos, próprios de uma tendência do período (1910-1920) de transição, herdeiro do Simbolismo, e que foi intitulado de "penumbrismo", um momento precursor do Modernismo, a que Ribeiro Couto se ligou a partir de 1922, sem sacrifício, contudo, de seu feitio peculiar. Escreveu versos em francês no livro Le jour est long (O dia é longo), pelo qual conquistou, em 1958, em Paris, o prêmio internacional de poesia, outorgado anualmente a poetas estrangeiros cuja obra honra a França. Suas obras em prosa romances, contos, crônicas também refletem a mesma atmosfera, ao retratar episódios simples, a gente humilde dos subúrbios e a vida anônima das pequenas ruas e casas pobres.

 

Obra poética: O jardim das confidências (1921); Poemetos de ternura e de melancolia (1924); Um homem na multidão (1926); Canções de amor (1930); Noroeste e outros poemas do Brasil (1932); Província (1934); Cancioneiro de Dom Afonso (1939); Cancioneiro do ausente (1943); O dia é longo (1944); Rive etrangère (1951); Entre mar e rio (1952); Le jour est long (1958); Poesias reunidas (1960); Longe (1961). Fonte: www.biblio.com.br

 

 

POEMI EN ITALIANO>>>

 

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TEXTOS EM PORTUGUÊS   /   TEXTOS EN ESPAÑOL

 

CAFÉ

 

Sabor de antigamente, sabor de família

Café que foi torrado em casa,

Que foi feito no fogão de casa, com lenha do mato de casa.

 

Café para as visitas de cerimônia,

Café para as visitas de intimidade,

Café para os desconhecidos, para os que pedem pousada.

 

Café para de manhã, para de tardinha, para de noite,

Café para todas as horas do riso ou da pena,

Café para as mãos leais e os corações abertos,

Café da franqueza inefável,

Riqueza de todos os lares pobres,

Na luz hospitaleira do Brasil

 

 

SAFRA

 

Sobre o sudário imensamente verde

escorre o sangue anônimo da terra

no lento sacrifício universal:

essas bocas vermelhas penduradas

na atitude de cruz do cafezal,

são beijos de quimera que cairão

nas conchas das mãos grossas, calejadas.

Um rio de suor, que irá molhar

as faces silenciosas dos caboclos,

levará todo o sangue da paisagem

e rolará com beijos para o mar...

 

 

SANTOS

 

Nasci junto do porto ouvindo o barulho dos embarques.

0s pesados carretões de café

Sacudiam as ruas, faziam trepidar o meu berço.

 

Cresci junto do porto, vendo a azáfama dos embarques.

O apito triste dos cargueiros que partiam

Deixava longas ressonâncias na minha rua.

 

Brinquei de pegador entre os vagões das docas.

Os grãos de café, perdidos no lajedo,

Eram pedrinhas que eu atirava noutros meninos.

 

As grades de ferro dos armazéns, fechados à noite,

Faziam sonhar (tantas mercadorias!)

E me ensinavam a poesia do comércio.

 

Sou também teu filho, ó cidade marítima,

Tenho no sangue o instinto da partida,

O amor dos estrangeiros e das nações.

 

Oh, não me esqueças nunca, ó cidade marítima,

Que eu te trago comigo por todos os climas

E o cheiro do café me dá tua presença.

 

 

Poemas extraídos da REVISTA DE CULTURA BRASILEÑA, n. 52, Noviembre de 1981. Da matéria “Sobre quesos y café”, por Guilherme Figueiredo, p. 45-71.  Edição da Embaixada do Brasil na Espanha.

 

 

TEXTOS EN ESPAÑOL

 

CAFÉ

 

Sabor de tiempos pasados, sabor de familia,

Café que fue torrado en casa,

Que fue hecho en la cocina de la casa, con leña del huerto de la casa.

 

Café para las visitas de cumplido,

Café para las visitas íntimas,

Café para los desconocidos, para los que piden albergue,

Café para todas las gentes.

 

Café para la mañana, para el atardecer, para la noche,

Café para todas las horas de alegría o de llanto,

Café para las manos leales y los corazones abiertos,

Café de la inefable sinceridad,

Riqueza de todos los hogares pobres,

En la luz hospitaria del Brasil. 

 

 

ZAFRA

 

Sobre el sudario inmensamente verde,

se derrama la sangre anónima de la tierra

en el lento sacrificio universal:

esas bocas rojas colgadas

en actitud de cruz, de cafetal,

son besos de quimera que cayeron

en las conchas de las recias manos, encallecidas.

Un río de sudor, que irá mojar

las caras silenciosas de los caboclos*

lavará toda la sangre del paisaje

y rodará con besos hacia el mar…

 

*mestizos de indio con blanco.

 

 

SANTOS*

 

Nací junto al puerto oyendo el ruido de los embarques.

Los pesados carros de café

Sacudían las calles y hacían trepidar mi cuna.

 

Crecí junto del puerto, viendo el trajinar de los embarques,

El silbato triste de los cargueros que partían

Dejaba largas resonancias en mi calle.

 

Jugué muchacho entre los vagones de los muelles.

Con los granos de café, caído entre las losas del pavimento,

Nos apedreábamos de niños.

 

Las rejas de hierro de los almacenes, cerrados de noche,

Me hacían soñar (¡tantas mercancías!)

Y me enseñaban la poesía de comercio.

 

Soy bien hijo tuyo, ¡oh ciudad marítima!

Que yo te llevo conmigo por todos los climas del mundo

Y el olor del café me da tu presencia.

 

 

*Santos es el principal puerto de exportación del Brasil.

 

 

Poemas extraídos de la  REVISTA DE CULTURA BRASILEÑA, n. 52, Noviembre de 1981. Del texto “Sobre quesos y café”, por Guilherme Figueiredo, p. 45-71.  Edición de la  Embajada del Brasil em Espana. IMPORTANTE: no informa sobre los traductores de los poemas.

 

 

De

9 POETAS DEL BRASIIL
una antología de Enrique Bustamante y Ballivian.
Lima: Centro de Estudios Brasileños,  1978
109 p.

 

 

LA INVENCIÓN DE LA POESÍA BRASILERA

 

Yo escuchaba al hombre maravilloso,

al revelador tropical de las nuevas actitudes,

al maestro de las transformaciones en camino:

 

''Es preciso crear la poesía de este país de sol!

Pobre de tu poesía y la de tus amigos,

pobre de esa poesía nostálgica,

de esa poesía de enclenques ante la vida fuerte.

La vida es fuerza.

 

La vida es una afirmación de heroísmos cotidianos,

de entusiasmos aislados donde nacen mundos.

Allá va pasando una mujer . . . Llueve en la vieja plaza .

Pobre de esa poesía de enfermos detrás de las ven Lunas!

Yo quiero el sol en tu poesía y en la de tus amigos.

El Brasil es lleno de sol. El Brasil es lleno de fuerza!

Es preciso crear la poesía del Brasil"

 

Yo escuchaba con ojos irónicos y mansos,

al maestro ardiente de las transformaciones próximas.

Por acaso, comenzó a llover dulcemente

en la tarde monótona que se despedía.

Por la vidriera de mi salita muerta

quedamos mirando la plaza bajo la lluvia lenta.

Quedamos mirando en silencio un tiempo indefinido . .

 

Y, allá abajo, pasó una mujer bajo la lluvia.

 

 

CICLO

Por la ventana, llevados por el viento, se van mis viejos papeies en pedazos! Me duele ese adiós a los antiguos versos y parece que en ellos, perdido para siempre, se fue también mucho de mí.

Ya ni los recordaba.

¡0h, sonetos y baladas de mis diecisiete anos! i0h, enamoradas inspiradoras!

¡0h, pasiones de esquina bajo las lámparas de los subúrbios, inmóvil hasta altas horas, roído de amor y de pena.

 ¡0h, vida para siempre muerta!

Y un día, tal vez, en un tiempo distante todavia,

en un tiempo en que no imagino ni siquiera como seré,

hallaré en una gaveta los versos de ahora,

los nuevos versos en que me siento existir.

Diré al leerlos, con saudade: Viejos versos!

Y el último resto de mi volará por la ventana.

 

 

EL MILAGRO

 

¡Oh, mañana de apoteosis!

 

¡0h, mañana del Brasil en mes de Enero.

 

¡Oh, mañana de azul intenso y luz ofuscante!

 

Por las calles de la ciudad, contento de vivir,

camino al acaso entre las gentes

con el deseo franco de sonreír a todo.

¡Oh, mañana para enseñarnos a ser buenos!

 

En aquella esquina cuatro ciegos tocan.

¡Qué música vibrante tocan los ciegos

rodeados por el pueblo que los oye en silencio!

 

Los ciegos están llenos de una alegría inexplicable

porque la mañana entró por sus ojos vacíos.

 

 

Página publicada em novembro de 2007.Ampliada em janeiro de 2011




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