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Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


 

MARIO BENEDETTI

 

MARIO BENEDETTI

 

(1920-2009)

 

Polígrafo uruguaio mais conhecido por seus contos e romances traduzidos a muitos idiomas. Autor de 80 livros: romances, contos, dramaturgia, roteiros para cinema. “Gracias por el fuego” (1960) e “La tregua” são as  suas novelas mais conhecidas, esta última levada ao cinema. Mas sua obra mais exuberante é a  poesia, com 33 títulos. Nasceu em 1920, viveu exilado doze anos em vários países a partir de 1973 e faleceu em 17 de maio de 2009, aos 88 anos de idade. É um dos escritores latino-americanos mais conhecidos e lidos na atualidade. É autor de um livro de haikais ou haikus, de onde selecionamos e traduzimos alguns exemplos. A estrutura do haikai comprende três versos de 5-7-5 sílabas acentuadas. O autor (se) explica:

 

 

“En mi caso particular, es obvio que no me he puesto a imitar a poetas japoneses, ni siquiera a incorporar sus imágenes y temas preferidos. Apenas he tenido la osadía de introducirme en esa pauta lírica, pero no apelando a tópicos japoneses sino a mis propios vaivenes, inquietudes, paisajes y sentimientos, que después de todo no difieren demasiado de mis restantes obras de poesía.

 

Encerrar en 17 sílabas (ya además, con escisiones predeterminadas), una sensación, una duda, una opinión, un sentimiento, un paisaje, y hasta una breve anédocta, empezó siendo un juego. Pero de a poco uno va captando las nuevas posibilidades de la vieja estructura. Así la dificultad formal pasa a ser un aliciente y la brevedad una provocativa forma de síntesis.” Mario Benedetti.

 

Poema “TE QUIERO” de Mario Benedetti,
version musical  de Alberto Favero, en la voz de Elga Pérez-Laborde
. ouvir música...

 

TEXTOS EN ESPAÑOL / TEXTOS EM PORTUGUÊS

 

si en el crepúsculo

el sol era memoria

ya no me acuerdo

 

las religiones

no salvan / son apenas

un contratiempo

 

lo peor del eco

es que dice las mismas

barbaridades

 

hay pocas cosas

tan ensordecedoras

como el silencio

 

durante el sueño

los amantes son fieles

como animales

 

pasan las nubes

y el cielo queda limpio

de toda culpa

 

las plantas oyen

si uno las lisonjea

se hinchan de verde

 

en todo idilio

una boca hay que besa

y otra es besada

 

Todos los 224 haikais de Mário Benedetti pueden ser leídos en su libro RINCÓN DE HAIKUS. Buenos Aires: Editorial Sudamericana, 2000.  236 p.  ISBN: 950-07-1835-9

 

 

EL PUENTE

 

Para cruzalo o para no cruzarlo

ahí está el puente

 

en la otra orilla alguien me espera

con un durazno y un país

 

traigo conmigo ofrendas desusadas

entre ellas un paraguas de ombligo de madera

un libro con los pánicos en blanco

y una guitarra que no sé abrazar

 

vengo con las mejillas del insomnio

los pañuelos del mar y de las paces

Ias tímidas pancartas del dolor

las liturgias del beso y de la sombra

 

nunca he traído tantas cosas

nunca he venido con tan poco

 

ahí esta el puente

para cruzarlo o para no cruzarlo

yolIo voy a cruzar

sin prevenciones

 

en la otra orilla alguien me espera

con un durazno y un país

 

                   (De Preguntas al azar – 1984-1985)

 

 

SOY MI HUESPED

 

Soy mi huésped nocturno

en dosis mínimas

y uso la noche

para despojarme

de la modestia

y otras vanidades

 

aspiro a ser tratado

sin los prejuicios

de la bienvenida

y con las cortesías

del silencio

 

no colecciono padeceres

ni los sarcasmos

que hacen mella

 

soy tan solo

mi huésped

y traigo una paloma

que no es prenda de paz

sino paloma

 

como huésped

estrictamente mío

en la pizarra de la noche

trazo una línea

blanca

 

      (De La Vida ese Parentesis)

 


POR QUE CANTAMOS

 

Si cada hora viene con su muerte

si el tiempo es una cueva de ladrones

los aires ya no son los buenos aires

la vida es nada más que un blanco móvil

 

usted preguntará por qué cantamos

 

si nuestros bravos quedan sin abrazo

la patria se nos muere de tristeza

y el corazón del hombre se hace añicos

antes aún que explote la vergüenza

 

usted preguntará por qué cantamos

 

si estamos lejos como un horizonte

si allá  quedaron árbores y cielo

si cada noche es siempre alguna ausencia

y cada despertar un desencuentro

 

usted preguntará por qué cantamos

 

cantamos porque el río está sonando

y cuando suena el río / suena el río

cantamos porque el cruel no tiene nombre

y en cambio tiene nombre su destino

 

         (De Retratos y Canciones)

 

 

EN PIE

 

Sigo en pie

por latido

por costumbre

por no abrir la ventana decisiva

y mirar de una vez a la insolente

muerte

esa mansa

dueña de la espera

 

sigo en pie

por pereza en los adioses

cierre y demolición

de la memória

 

no es un mérito

otros desafían

la claridad

el caos

o la tortura

 

seguir en pie

quiere decir coraje

 

o no tener

donde caerse

muerto

 

      (De A Ras de Sueño, 1967)

 

 

Pájaros

 

Hace ya varios siglos
que pájaros ilustres sobrevuelan
los predios de la vasta poesía

 

la golondrina el ruiseñor

la alondra la calandria el jilguero el pica-flor
el cuervo la oropéndola y por supuesto el ave fénix
han sido convocados por poetas
para poblar sus bosques
ornamentar sus cielos
y rellenar metáforas

 

yo aquí rompo una lanza
por los discriminados los que nunca
o pocas veces comparecen
los pobres pajaritos del olvido
que también están llenos de memoria

 

por eso aquí proponho
al canario el gorrión el tordo el mirlo
la viuda el estornino el cardenal

la tórtola la urraca el hortelano
el martín pescador el benteveo
para que alguna vez entren al verso
aunque tan sólo sea como en esta ocasión
por la modesta puerta de servicio

 

 

 

 


TEXTOS EM PORTUGUÊS

Versão de Antonio Miranda

 

 

e se no crepúsculo

o sol era memória

já não me lembro

 

as religiões

não salvam / são apenas

um contratempo

 

o pior do eco

é quando diz as mesmas

barbaridades

 

tem poucas coisas

tão ensurdecedoras

como o silêncio

 

durante o sono

os amantes são fiéis

como animais

 

passam as nuvens

e o céu fica limpo

de toda culpa

 

as plantas ouvem

se a gente elogia

se tingem de verde

 

em todo idílio

uma boca é beijada

a outra beija

MÁRIO BENEDETTI

De

MÁRIO BENEDETTI
ANTOLOGIA POÉTICA.
Tradução de Julio Luís Gehlen.
Rio de Janeiro: Record, 1988
ISBN 85-1-033043-3

 

O tradutor confessa que traduziu “alguns poemas de Mario Benedetti, selecionados mais pelos olhos da sensibilidade do que pelo dedos da razâo”. Valeu o esforço. O público brasileiro pode, então, ter acesso a uma parcela significativa da obra do autor uruguaio, numa antologia que merece ser lida, da qual damos apenas uma mínima parcela:

 

 

A PONTE

 

Para cruzá-la ou não cruzá-la

eis a ponte

 

na outra margem alguém me espera

com um pêssego e um país

 

trago comigo oferendas desusadas

entre elas um guarda-chuva de umbigo de madeira

um livro com os pânicos em branco

e um violão que não sei abraçar

 

venho com as faces da insônia

os lenços do mar e das pazes

os tímidos cartazes da dor

as liturgias do beijo e da sombra

 

nunca trouxe tanta coisa

nunca vim com tão pouco

 

eis a ponte

para cruzá-la ou não cruzá-la

e eu vou cruzar

sem prevenções

 

na outra margem alguém me espera

com um pêssego e um país

 

(De Preguntas al azar – 1984-1985)

 

 

SOU MEU HÓSPEDE

 

Sou meu hóspede noturno
em doses mínimas
e uso a noite
para despojar-me
da modéstia
e outras vaidades

procuro ser tratado
sem os prejuízos
das boas-vindas
e com as cortesias
do silêncio

não coleciono padeceres
nem os sarcasmos
que deixam marca

sou tão-só
meu hóspede
e trago uma pomba
que não é sinal de paz
mas sim pomba

como hóspede
estritamente meu
no quadro-negro da noite
traço uma linha
branca

      (De La Vida ese Parentesis)

 

 

POR QUE CANTAMOS

 

Se cada hora vem com sua morte
se o tempo é um covil de ladrões
os ares já não são tão bons ares
e a vida é nada mais que um alvo móvel

você perguntará por que cantamos
se nossos bravos ficam sem abraço
a pátria está morrendo de tristeza
e o coração do homem se fez cacos
antes mesmo de explodir a vergonha

você perguntará por que cantamos

se estamos longe como um horizonte
se lá ficaram árvores e céu
se cada noite é sempre alguma ausência
e cada despertar um desencontro

você perguntará por que cantamos

cantamos porque o rio está soando
e quando soa o rio / soa o rio
cantamos porque o cruel não tem nome
embora tenha nome seu destino

         (De Retratos y Canciones)

 

EM PÉ

 

Continuo em pé

por pulsar

por costume

por não abrir a janela decisiva

e olhar de uma vez a insolente

morte

essa mansa

dona da espera

 

continuo em pé

por preguiça nas despedidas

no fechamento e demolição

da memória

 

não é um mérito

outros desafiam

a claridade

o caos

ou a tortura

 

continuar em pé

quer dizer coragem

 

ou não ter

onde cair

morto

 

      (De A Ras de Sueño, 1967)

 

 =================================================

 

 

(Uma tradução de Maria de Nazaré Fonseca Corrêa)

 

 

Pássaros


Há vários séculos

que pássaros ilustres sobrevoam

os prédios da vasta poesia

 

a andorinha o rouxinol a cotovia

a calandra o pintassilgo o beija-flor

o corvo o papa-figos

e evidentemente a ave fénix

têm sido convocados pelos poetas

para povoar seus bosques

ornamentar seus céus

e preencher metáforas

 

eu aqui ponho a mão no fogo

pelos discriminados os que nunca

ou poucas vezes comparecem

os pobres passarinhos do esquecimento

que também estão cheios de memória

por isso aqui proponho

ao canário ao pardal ao sabiá ao melro

à viúva ao estorninho ao cardeal

à rola à gralha ao tico-tico

ao martim-pescador ao bem-te-vi

para que alguma vez entrem no verso

ainda que apenas seja como nesta ocasião

pela modesta porta de serviço

 

         

 

Página ampliada e republicada em janeiro de 2009; ampliada e republicade em aagosto de 2013

 



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