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Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



ROBSON CORRÊA DE ARAÚJO

 

Sua prosa poética ou seus mini-roteiros de curtas metragens são dignos de atenção. Paulista de nascimento, com jeito de mineiro, Robson vive em Brasília. Autor de dois livros – Azul no Branco (2003) e Curtas  (2004) e já com um terceiro em fase final de projeto gráfico, conforme nos informou no 1 Festival de Poesia de Goyaz, em março de 2006, onde tivemos o prazer de encontrá-lo.

Robson montou exposições que estiveram expostas durante todos os dias do ano, em diferentes espaços culturais de Brasília, em homenagem ao centenário do mestre Oscar Niemeyer, culminando com sua participação especial na Fotoarte 2007 e no Museu Nacional de Brasília.


PUNCTUMSTUDIUM – blog de

ROBSON CORREA DE ARAUJO desde junho 2006:

http://punctumstudium.blogspot.com/ 


TEXTOS EM PORTUGUÊS  /  TEXTOS EN ESPAÑOL 

 

                  

                  AMIZADE, JADE...

                  

                   Talvez sejas um hábil negociante

                   Talvez Alves, Álvares...

                   Mas, assim como a água e o óleo...

                   A poesia e o negócio...

                   A filosofia e as finanças

                   não andam bem de mãos juntas...

 

São os meus três pontos...

São... Sadios três pontos...

Nossa história ninguém lerá

Não te preocupes,

não vamos ficar para a posteridade...

 

Mas não posso fazer vista grossa

a estes três pontos...

 

Fico assim

Deixo assim por terminar:

Sem falar, sem calar,

e sem mais alaridos...

 

 

FOTOGRAFIA

 

Se a luz faz curvas,

a palavra faz curvas

para dizer que a natureza é bela

 

Vela, linguagem do meu barco,

singra um oceano de palavras vazio

E, num malabarismo atormentado,

digo que, ainda assim,

é belo o meu navio

 

Fio o poema abstrato para dar luz

a quem pode estar

nas trevas de um mar de palavras

mortas,

e já não sabe o compromisso

que tem com a vida

 

Roda, corta e coloca a imagem

dentro das retinas tortas

Já posso fotografar a porta

 

Pensamento circular,

num rodopiar agonizante,

faz com que eu tenha a necessidade

de tomar a decisão errada

 

Quero ser dono deste leme,

nem que para isso tenha que...

Reme, reme, reme...

Não treme ou perderás o foco

Clic!

 

 

                        FERREIRO

 

                   Escrever é cortar palavras?

                   — Corto.

                   Lavro e cravo,

                   no arco do portão de entrada:

— Entrem!

— Sejam bem-vindos

ao meu mundo de palavras!

 

Em caracteres garrafais,

parlo em diagonais, verticais,

horizontais ou l,

num salto monumental...

 

Por caminhos claros e escuros,

jogo tudo por cima do muro,

sem me importar com quem passa,

com quem laça...

 

Contanto que o meu quadrado fique

limpo

Sou o carrasco do meu quintal,

num latido latim grego de um pardal...

CALÇAS CURTAS

 

— O pátio do colégio era tão grande

quanto a praça pública,

o circo era tão colorido

quanto o pirulito pelota,

e o quebra-queixo grudava nos nossos dentes,

a rapadinha fazia doer,

e o picolé escorria

para dentro de nossas blusas..

 

 

CRIMINOSO
 

— Soltei balão em Brasilândia de Minas,

o Mané soldado foi lá em casa reclamar,

minha tia deu um susto nele.

E o Beto Peleco mandou

ele ir tomar uma pinga.

Ele foi... 

 

 

DEDAL

 

— A mãe bordar,

pano de prato,

vestido de bule,

saia de bujão de gás;

— Ninguém pintou

quadro mais belo... 

 

 

INFÂNCIA

 

— Jogávamos uma espécie de vôlei,

separados por um muro

que não nos permitia ver onde caía a bola

no campo adversário

Casas geminadas em São Miguel Paulista. 

 

 

VÍCIO

 

— Quem me viciou

em café com leite e pão com manteiga?

— Meu vício mais antigo...  

A, b, c
 

Uma bolinha, e puxa a perninha,

dizia a minha Madrinha: a

— Uma tesourinha e corta: t

— Sobe o morro e desce,

E um pinguinho: i

 

O erre de rato já não sei mais

como me foi ensinado

Só me lembro do rato

que roeu a roupa

do rei de Roma:

Robson

 

E este Robson?

Será que significa um ladrão de som?

 

Mais uma bolinha

e puxa uma perninha:

outro “a”

 

Ou, uma bolinha,

sobe o pauzinho,

desce e puxa outra perninha: d

 

Só uma bolinha

e fui atirado

no mundo das minhas letrinhas!  

Dom
 

O sangue do cavaleiro da triste figura

banha o chão

A paisagem se distorce nas retinas azuis

E, das fezes do cavalo,

eclodem os guardas-chuva da morte...

Flor de lótus?

 

— Seiva e sangue

Ilusão de vida e morte.

 

— Na secção da página...

— No corte...

— Esgota a luta...

 

“Só o Robson Araújo para arrancar este som semi. Para estas captações óticas da cor. Por jamais afastar-se do cotidiano consegue integrar-se a estas sensações semi-óticas. Não se afasta das palavras, dos ruídos, das asperezas das folhas. É um ser aproximativo, sempre em zoom sobre as superfícies. Sempre em zoom para dentro das pessoas. Onde for visto, está buscando inserções.”
Salomão Sousa

“Ao mesmo tempo em que acaricia nosso idioma com palavras já familiares aos nossos olhos e ouvidos, chama atenção pela surpresa do neologismo.”
Orlando Brito
 

 Descôco

Abiu, bom, carnudo, doce
Escondido foi gula
Há infância
Janeiros k lidos
Mais naus
Ontem
Passado
Quadro radiante
Simples tom ungido
Vão
Water-closet
Xeretar y zipper…

Sêmen

Absinto boldo
Cada dano ebulição
Fado garganteado
Hein?
Idem jiló, kiwi, losna:
Menu nativo
Obediência patológica
Quanto ritmo
Sal-gema tabu
Urtigo
Vacina
Word
Xícara y zoossemia

Extraídos de Y Semiótico. Brasília: Edição do Autor, 2006.  

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TEXTOS EN ESPAÑOL

Traduções de

AURORA CUEVAS CERVERÓ

 

 

AMISTAD, JADE

 

Tal vez seas un hábil negociante

Tal vez Alves, Álvarez...

Pero, aspi como água y aceite...

La poesía y el negocio...

La filosofía y las finanzas

no caminan de la mano...

 

Son mis tres punto...

Son... somos tres puntos suspensivo…

Nadie leerá nuestra historia

No te preocupes,

No entraremos en la posteridad...

 

Pero no puedo hacer la vista gorda

a estos tres puntos...

 

Quedo así

Dejo así por terminar

sin hablar, sin callar,

y sin más gritos…

 

 

FOTOGRAFÍA

 

Si la luz hace curvas,

la palabra hace curvas,

para decir que la naturaleza es bella

 

Vela, lenguaje de mi barco,

navega un oceano de palabras vacío

Y, em um malabarismo atormentado,

digo que, además así,

es bello es mi navio

 

Fijo el prisma abstracto para dar luz

a quien pueda estar

en las tinieblas, de un mar de palabras

muertas

y ya conoce el compromiso

que tiene con la vida

 

Rueda, corta y coloca el imagen

dentro de retinas tuertas

Ya puedo fotografiar la puerta

 

Pensamiento circular,

en un rodar agonizante,

hace que tenga necesidad

de tomar la decisión errada

 

Quiero ser dueño de este Timon

aunque para eso tenga que...

Remar, remar, remar...

No te muevas o perderá el foco

іClic!

 

 

HERRERO

 

¿Escribir es cortar palabras?

—Corto.

Labro y clavo,

en el arco de la puerta de entrada:

—іPasen!

—іSean bienvenidos

a mi mundo de palabras!

 

En caracteres enormes,

parlo em diagonales, verticales,

horizontales y en l,

en salto monumental...

 

Por caminos claros y oscuros,

lanzo todo por encima del muro,

si importar quién pasa,

a quien enlaza...

 

Con tal de que mi cuadrado quede

limpio

soy el verdugo de mi pátio,

en un ladrido latin griego de un gorrión...


 

Antonio Miranda e Robson Corrêa de Araújo numa parceria criativa.
Brasília, 9 de julho de 2011.

 

 


 


 

 

 
 
 
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