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Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fonte: www.edukbr.com.br/

 

CYRO DE MATTOS

 

Escritor, poeta, advogado e jornalista, nasceu em Itabuna, sul da Bahia, em 1939.  É membro da Academia de Letras da Bahia. Estreou como ficcionista com o livro de contos Os brabos (Prêmio A fonso Arinos, Academia Brasileira de Letras). Como poeta publicou, entre outros, Vinte poemas do Rio e Cancioneiro do Cacau. Prêmio Nacional Ribeiro Couto, Prêmio Centenário Emílio Mora, da Academia Mineira de Letras e Indicado para o Prêmio Jabuti 2002.

 

Publicado em Portugal, Estados Unidos, Rússia, Dinamarca, Alemanha, Suiça e México.

 

 

O poeta baiano (de Itabuna) Cyro de Mattos participou da Feira Internacional do Livro em Frankfurt, Alemanha, no dia 9 de outubro de 2010,   quando então,  a partir das 3 horas, autografou exemplares de  sua  antologia poética  Zwanzig Gedichte von Rio und andere Gedichte (Vinte Poemas do Rio e Outros Poemas), no stand 151 B  de sua editora – Projekte-Verlag (www.projekte-verlag.de). Durante a Feira do Livro, a editora montou uma exposição com exemplares e um banner da capa do livro..

 

 

Cyro de Mattos 
VINTE E UM POEMAS DE AMOR
Ilustrações de Edsoleda Santos.
São Paulo: Dobra Editorial, 2011. 
56 p.   ISBN 978-85-63550-27-9

 

Segundo Lêdo Ivo, nos poemas de Cyro de Mattos, a respiração do amor rege os versos como que numa modulação do mar, da palavra alta à confidência.

 


Erótico

 

 

V

 

Do amor me dizes no sal de teu corpo
E de beijos sob um sol que me tem
Em mar tão meu. E revelas teu sexo
Em que navego sedento, mergulho,
Sou tragado, mas não morro. Retorno
A teus seios que beijo tantas vezes
Para matar essa fome que me mata
De ardores e gemidos como sempre.
De palavras machucadas na boca
E de tremor de lábios por entre afagos
Sei dum susto esplêndido, indescritível,
Que é o gozo que me tem em tuas mãos.
Nessa chuva que molha nossa pele,
No que é bonito e sinto nos meus braços
Então desejo que as dunas andem
E vejam nosso amor além do mar
.

 

 

VIII


Sede dos teus seios.
Meu corpo no teu corpo
É uma única boca,
Lambe os pontos
Mais longínquos.
Numa urna alaranjada,
vermelha, branca.
Chovida de procuras.
Como é possível o amor
Vazar tanto vinho?

 

 

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Textos extraídos de POESIA SEMPRE, Ano 13, n. 20, março 2005. (Publicação da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro) p.1-01-105

 

 

LUGAR

 

Entendo ser real

Estar na relva

Como meu canto

Sedento de amor.

Neste rumor secreto

Verde minha palavra

De brotar em cada um.

Se não sou semente

Dos sonhos que beijei

Cantando na chuva.

Lá dentro trancado.

Cúmplice do eterno

Riscado num instante

Direi não sou de fato

E no caos desencanto-me.

 

 

LUGAR (II)

 

Ainda que seja

Um grão no deserto

A palavra é meu lugar

Onde tudo arrisco.

Irriga minhas veias

Como a chuva à terra

Em suas mil línguas.

Antiga, bem antiga,

Me anuncia no vale,

Me consuma real,

Viajante cativo

Da solidão solidária.

Sem esse jeito

De ser flor e vento.

Sonho e música,

Palavra só amor.

Não há espanto,

A lágrima, o beijo,

O riso, o epitáfio.

Não há o sentido.

 

 

A PALAVRA AUSENTE

 

Não existisse

Com seus limites

Diante do mundo

Sem interrogar o tempo

De Deus ou por acidente

Onde bem ou mal

Sinto-me um bocado,

Revejo-me no outro

Como a mim mesmo

Por certo o deserto

Não ia me afigurar

Desencanto e solidão,

Metáfora do nada.

Ao ruído dos dentes,

Que tudo muda,

Urde fragmentos, sonhos,

Que sentido haveria

O silêncio de tudo,

Fundo, profundo?

Jamais o convite ao amor,

À saudade, à razão, à fé,

Contradições que me fazem

Inocente na travessia,

Do inexorável submisso..

 

 

A PALAVRA PRESENTE

 

Dá vôo à razão

Na leitura do mundo.

Equilíbrio nos vazios

Por entre mistérios

Que soam absurdos.

Simulação do real

Na emoção do ser elo

Íntimo das coisas.

Ritmo agudo do ver.

Ouvir e falar silêncios

Onde me usa o amor

Resvalando na vida

Que o tempo engole.

Nas litanias do mal,

No refrigério da relva

Fogo eterno de cantores

Desde não quando.

 

 

BOVINO

 

Ruminante a flor.

Culpado mas sem pecado.

Morre sem rancor.

 

 

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De

POEMAS ESCOLHIDOS

Segundo Prêmio Literário Internacional

Maestrale Marengo d´Oro – Gênova, Itália, 2006

São Paulo: Escrituras, 2007

(Edição bilíngüe Português-Italiano)

 

 

O MENINO E O MAR

 

Era a primeira vez

Que o tinha ido ver o mar.

Todo alegre, de calção,

Peito nu e pé no chão.

 

Quando viu tanta água

Fazendo barulho

Sem parar, disse:

 

— Pai, me dê a mão.

 

 

RIO MORTO

 

Vejo tua face invisível

Na claridade das águas,

Espumas lavadeiras nas pedras

Diversicoloridias de roupas.

O céu azul de nuvens mansas.

A lua derramando prata

No areal deixado pela cheia.

Eu sou aquele menino

Que engoliu tua piaba

Para aprender a nadar.

Eu sou aquele menino

Que pegou tuas borboletas

Nos barrancos voando em bando

Eu sou aquele menino

Que sentiu com tuas boninas

A proposta livre da vida.

Eu sou aquele menino

Magro, esperto, traquino

Em tua paisagem luminosa.

Não havia, amor, dúvida,

Ares sombrios pegajosos

Cobrindo tua ilha com tesouro

Guardada por almas de piratas.

Nessa manhã de banho ausente,

Susto nos peraus e remansos,

O sol sem vidrilhar a correnteza,

Tristes meus olhos testemunham

Tua descida pobre e monótona.

Tua morte lentamente com sede

Inventada nas bocas de vômito...

Cachoeira o teu nome

Do rio que chora água.

 

 

DUNAS

 

         Ilumino-me

         de imenso.

                   Ungaretii

 

No sempre

Do vento.

No agora

Do silêncio.

Iluminado

Em solidão.

 

 

O EVENTO TERNO

 

Sentido não haveria

Do aroma sem canto.

A aderência perfeita

Toca o mistério,

A natureza se impõe

Na luz deste céu sonoro.

Na nervura da pétala,

Tremor translúcido,

O pássaro tece e acontece.

 

 

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Cyro de Mattos
VIAGRÁRIA
São Paulo: Roswitha Kempf Editores, 1988.    s.p.

 

DA ESTRADA

Eu que me sei
casco no calendário
temporal despenho
estrias no passo
atoleiro assombração
no açoite mapa brabo
compartilho o empaco
de suor e solidão
quanto mais viajo


DO RESUMO

O passo de légua
meu batismo
o rosto cabisbaixo
meu bocejo
assovio em andadura
me constato e sigo
lenço na testa
canga no crepúsculo
aqui chego
no armazém ao largo
de amêndoas pálidas
e igualdade de peso

 

 

 

 

 

NA ODE AO COQUEIRO

 

Palmas ao céu

de quem em oração se purifica

 

Sal enraíza

doce unidade em caixa de surpresa

 

Viga polida

de quem se banha em suave maresia

 

Fortim vegetal

diálogo destamanho com outro verde

 

Cabelo de fúria

quando pulso se despedaça ao vento

 

Filtro de sol

pontas de estrela em convívio de lua

 

Corda de música

murmuras asas na calidez de beijo aéreo

 

Abano de praia

iluminada emoção de retreta aos domingos

 

Verde escalada

linha telúrica a seguir outra linha

 

 

 

Página publicada em maio de 2008;

 

Página ampliada e republicada em junho de 2008; ampliada e republicada em janeiro de 2010. ampliada e republicada em setembro de 2011.

 

 




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