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PABLO NERUDA PABLO NERUDA (1904–1973) — Nome literário de Neftalí Ricardo Reyes. Chileno. Prêmio Nobel de Literatura em 1971. Obras: Veinte Poemas de Amor y una Canción Desesperada (traduzido por Domingos Carvalho da Silva), Residencia en la Tierra, Oda a Stalingrado, Tercera Residencia, Canto General, Odas Elementales, etc Leia texto de Elga Pérez-Laborde sobre o centenário do poeta: ALTURAS DE MACHU PICCHU (POEMA XII) Tradução de José Jeronymo Rivera Sobe a nascer comigo, irmão Dai-me o silêncio, e a água, e a esperança. Dai-me o combate, dai-me o aço e os vulcões. Trazei a mim os corpos como ímãs. Acudi minha boca e minhas veias. Falai pelo meu verbo e por meu sangue.
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| CADA DÍA MATILDE
como el cuerpo de Chile, y delicada como una flor de anís, y en cada rama guardas testimonio de nuestras indelebles primaveras: Qué día es hoy? Tu día. Y mañana es ayer, no ha sucedido, no se fue ningún día de tus manos: guardas el sol, la tierra, las violetas en tu pequeña sombra cuando duermes. Y así cada mañana me regalas la vida. |
CADA DIA MATILDE Tradução de Anderson Braga Horta Hoje a ti: és esbelta como o corpo do Chile, e delicada como uma flor de anis, e em cada ramo guardas testemunho de nossas indeléveis primaveras: Que dia é hoje? O teu. E é o ontem amanhã, não sucedeu, nenhum dia se foi de tuas mãos: guardas o sol, a terra, as violetas em tua breve sombra quando dormes. E assim cada manhã presenteias-me a vida. |
| FINAL Matilde, años o días y el mío mar de nuevo: tu cabeza en la cabecera, tus manos voladoras en la luz, en mi luz, sobre mi tierra. Fue tan bello vivir cuando vivías! El mundo es más azul y más terrestre de noche, cuando duermo enorme, adentro de tus breves manos. |
FINAL Tradução de Anderson Braga Horta Matilde, anos ou diasfebris, adormecidos, aqui e ali, cravando, rompendo o espinhaço, sangrando sangue verdadeiro, despertando talvez, ou perdido, dormido: camas clínicas, janelas estrangeiras, vestidos brancos das irmãs caladas, torpitude nos pés. Depois essas viagens |
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Cien Sonetos de Amor
(una muestra)
Soneto I
Matilde, nombre de planta o piedra o vino,
de lo que nace de la tierra y dura,
palabra en cuyo crecimiento amanece,
en cuyo estío estalla la luz de los limones.
En ese nombre corren navíos de madera
rodeados por enjambres de fuego azul marino,
y esas letras son el agua de un río
que desemboca en mi corazón calcinado.
Oh nombre descubierto bajo una enredadera
como la puerta de un túnel desconocido
que comunica con la fragancia del mundo!
Oh invádeme con tu boca abrasadora,
indágame, si quieres, con tus ojos nocturnos,
pero en tu nombre déjame navegar y dormir.
Soneto II
Amor, cuántos caminos hasta llegar a un beso,
qué soledad errante hasta tu compañía!
Siguen los trenes solos rodando con la lluvia.
En Taltal no amanece aún la primavera.
Pero tú y yo, amor mío, estamos juntos,
juntos desde la ropa a las raíces,
juntos de otoño, de agua, de caderas,
hasta ser sólo tú, sólo yo juntos.
Pensar que costó tantas piedras que lleva el río,
la desembocadura del agua de Boroa,
pensar que separados por trenes y naciones
tú y yo teníamos que simplemente amarnos,
con todos confundidos, con hombres y mujeres,
con la tierra que implanta y educa los claveles.
De MEMORIAL DE ISLA NEGRA Traduções de José Eduardo Degrazia Porto Alegre: LP&M, 2007. 248 p. (Col. LPM&M Pocket,644)ISBN 978-85-254-1663-6
OS ABANONADOS
Não somente o mar, não só costa, espuma, pássaros de insubmisso poderio, não só aqueles e estes grandes olhos, não só a noite em luto com os seus planetas, não só as árvores com sua alto mansidão, mas sim a dor, a dor que é o pão do homem. Mas, por quê? Então naquele tempo eu era fino feito um fio e bem mais escuro do que um peixe de águas noturnas, e não pude, não pude mais, de um golpe quis mudar o mundo. Pareceu-me estar mordendo a erva mais amarga, compartir um silêncio manchado de crime. Mas é na solidão que nascem e morrem coisas, a razão cresce e cresce até ser desvario, a pétala se estende sem chegar à rosa, a solidão é o pó inútil do mundo, a roda que dá voltas sem terra, nem água, nem homem. E eu, assim foi como gritei perdido e que se fez grito sem freio na infância? Quem ouviu? Que boca respondeu? Que caminhos tomei? Que responderam os muros quando batidos por minha cabeça? Levanta e volta a voz do débil solitário, gira e gira a roda atroz das desditas, subiu e voltou aquele grito, e não soube ninguém, não o souberam nem mesmo os abandonados.
RELIGIÃO NO ORIENTE
Ali em Rangoon eu compreendia que os deuses eram tão inimigos como Deus do pobre ser humano. Deuses de alabastro estendidos como baleias brancas, deuses dourados semelhantes a espigas, deuses serpentes enroscados ao crime de nascer, budas desnudos e elegantes sorrindo no coquetel da eternidade como Cristo na sua cruz horrível, todos dispostos para tudo, impondo-nos um céu, todos com chagas ou pistola para comprar piedade ou queimar-nos o sangue, deuses ferozes do homem para esconder a covardia, assim era tudo ali, toda a terra cheirava a céu, como mercadoria celeste.
A NOITE NA ISLA NEGRA
Antiga noite e sal desordenado golpeiam as paredes da minha casa: só é a sombra, o céu e agora como um bater de oceano, o céu e sombra estalam com fragor de combate desmedido: e toda a noite lutam, ninguém conhece o peso da cruel claridade que se irá abrindo como uma tarda fruta: assim nasce na costa, de uma furiosa sombra, a manhã dura, mordida pelo sal em movimento, varrida pelo peso desta noite, em sangue na sua cratera marinha.
O QUE NASCE COMIGO
Eu canto esta erva que nasce comigo neste instante libero, e aos fermentos do queijo, do vinagre, na secreta floração do primeiro sêmen, canto ao canto do leite que agora cai de brancura em brancura aos mamilos, eu canto os crescimentos do estábulo, o fresco esterco destas grandes vacas de cujo aroma voam as multidões de asas azuis, eu falo sem transição do que agora acontece ao besouro com o seu mel, ao líquen com suas germinações tão silenciosas: como um tambor eterno as sucessões soam, como no transcurso do ser ao ser, e nasço, nasço, nasço com o que está nascendo, eu estou unido ao crescimento, ao surdo envolvimento de quanto me rodeia, e que pulula, propagando-se em densas umidades, nos estames, nos tigres, e nas geléias.
Eu sou pertencente à fecundidade e crescerei enquanto crescem as vidas: sou jovem com a juventude da água, sou lento com a lentidão do tempo, e sou puro com a pureza do ar, escuro com o vinho mais noturno e só estarei imóvel quando seja tão mineral que não veja nem ouça, nem participe do que nasce e cresce.
Quando escolhi a floresta para aprender a ser, folha por folha, escrevi as lições e aprendi a ser raiz, barro profundo, terra calada, noite cristalina, e pouco a pouco mais, toda a floresta.
--------------------------------------------------------------------------------------------------------------- As traduções de José Eduardo Degrazia são primorosas e a edição do Memorial de Isla Negra é integral, completa, vale a pena conferir. Poeta essencial, vai aqui apenas uma pequena mostra da copiosa e envolvente obra do grande poeta chileno, Prêmio Nobel 1971.
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Cem Sonetos de Amor
Tradução de Carlos Nejar (apenas uma pequena mostra do notável trabalho de tradução feita por nosso poeta)
Soneto - I
MATILDE, nome de planta ou pedra ou vinho, do que nasce da terra e dura, palavra em cujo crescimento amanhece, em cujo estio rebenta a luz dos limões.
Nesse nome correm navios de madeira rodeados por enxames de fogo azul-marinho, e essas letras são a água de um rio que em meu coração calcinado desemboca.
Oh nome descoberto sob uma trepadeira como a porta de um túnel desconhecido que comunica com a fragrância do mundo!
Oh invade-me com tua boca abrasadora, indaga-me, se queres, com teus olhos noturnos, mas em teu nome deixa-me navegar e dormir.
Soneto - II
AMOR, quantos caminhos até chegar a um beijo, que solidão errante até tua companhia! Seguem os trens sozinhos rodando com a chuva. Em Taltal não amanhece ainda a primavera.
Mas tu e eu, amor meu, estamos juntos, juntos desde a roupa às raízes, juntos de outono, de água, de quadris, até ser só tu, só eu juntos.
Pensar que custou tantas pedras que leva o rio, a desembocadura da água de Boroa, pensar que separados por trens e nações
tu e eu tínhamos que simplesmente amar-nos, com todos confundidos, com homens e mulheres, com a terra que implanta e educa os cravos.
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