RICARDO SILVESTRIN
Obra poética: Viagem dos Olhos (Coolírica, 1985), Bashô um santo em mim (haicais, ed. Tchê, 1988), O baú do Gogó (infantil, poesia, Sulina, 1988), Quase eu (Coleção Peti Poa, SMC/Poa 1992), Palavra mágica (Massao Ohno/IEL, 1994), Pequenas observações sobre a vida em outros planetas (infantil, poesia, Ed. Projet, 1998, reedição Salamandra, 2004), É tudo invenção (infantil, poesia, Ed. Ática, 2003).
Página do autor: http://www.ricardosilvestrin.com.br/
De
ex,Peri,mental
(Porto Alegre: Editora ameopoema, 2004)
ISBN 85-98240-02-8
“Mas talvez o trabalho mais brilhante seja o de Ricardo Silvestrin. Em "Ex, Peri, Mental", que se divide em quatro seções, o poeta trabalha diretrizes diferentes com ótimos resultados. Numa delas, "Faço Minhas Suas Palavras", ele toma frases tiradas de jornais e faz de um painel desconexo um discurso cativante. E radicaliza no verso breve, quando, em outra seção, apresenta poemas de um único verso.”
Márvio do Anjos
(Folha de São Paulo, 22 de janeiro de 2005)
Uma concepção leiga do amor.
Tesão
é febre,
a fúria do corpo,
pedagogia da expressão.
Previsões para hoje:
aventuras,
ofertas,
andar po aí,
abraçar e acariciar todas as pessoas.
Vida íntima:
onde termina avagina?
o que mantém úmida a vagina?
Uma relação madura e equilibrada,
o último homem,
perfil de um gigante.
Orgasmo da mulher:
a estupenda noite de catch-as-catch-can.
Frases.
Cigarro.
Sexualidade:
o único pecado que existe.
Aqui pra vocês, ó!
É o seguinte:
falar ou não falar.
Tudo o que fizemos,
espaço para nanicos,
a biografia como gênero,
a grafia de um nome,
esconde-esconde,
arte abstrata,
símbolo,
aparas do tempo,
poesia da dispersão.
A nossa voz,
conceito de preservação,
pensava que fosse um chapéu.
Balanço final:
leves sinais de vida,
ainda é tempo,
eu tenho vontade
E ele diz:
Tudo é história.
Idéia de uma história universal
de um ponto de vista cosmopolita.
Põe na conta.
Agora é que são elas:
sobre a poesia,
origem do drama,
amor sublime:
com os meus olhos de cão,
o azul do céu
só tem novidades.
Que horas são?
No cenário da cidade
a lâmpada, corcundas, o cisne afogado.
A primeira experiência muitas vezes
rompendo com o drama do homem.
A gente ainda não sabia o baú,
a origem, a biblioteca.
O menino.
O flautista.
E vice-versa.
Lição de anatomia.
Trancados à chave,
A paixão é a pior armadilha.
Não é à toa que todo mundo quer.
Como remar contra a maré.
O sol e as sombras,
O tudo-ou-nada,
Voar sem escalas,
Memórias sob as asas.
Céu azul. A polícia,
Cadê a polícia?
Com tanto riso e tanta alegria toda a cidade vai cair na folia.
Norte e sul são dois antípodas.
Página publicada em junho de 2008
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