SÉPALA
A aranha fia em branco a talagarça mínima
de uma folha: visível nervura do limo.
SILÊNCIO NO SILÊNCIO
Há dentro de mim um silêncio,
um tigre andasse me rondando,
olhos viesse o oceano,
nas algas de um verde sem fim.
Pássaro que fosse o silêncio,
por vezes o sino de um pássaro,
de um pássaro que não se caça,
nas algas de um verde sem fim.
Aguça o imenso silêncio,
sino de uma concha ao ouvido,
do marulhar de onda esquecida,
nas algas de um verde sem fim.
III
—Ouves um ressôo de plumas?
—Suave rumor de penumbra?
—A penumbra em véu de silêncio.
—É como se as asas ao vento.
—Mas por aqui não há mais plumas.
—Tão só contraluz de penumbra.
IV
—O céu já dá mostras de luz.
—De um pássaro em penas azuis.
—Ainda somos inocentes?
—No silêncio que a luz consente.
—Estamos pregados na cruz?
—Presos nos lilases da luz.
PÁSSARO DE FOGO
Que pássaro, que pássaro contra a vidraça,
Tremeluz o relâmpago à noite que passa?
O POÇO
O poço mais quedo:
um olhar dissimulado,
miragem do medo.
GRANDE SERTÃO
A seguir um rumo,
o rio não quer chegar
a lugar nenhum.