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SOFÍA VIVO
María SOFÍA VIVO Cháneton nasceu em Montevidéu, Uruguai, em 1956. Graduada em Letras pela Faculdade de Humanidades (Uruguai), artista plástica, bailarina, poeta, poliglota (español, italiano, alemao, portugues, ingles, frances). Atuou como representante comercial em países da América Latina, América do Norte e na Ásia, em especial no Japao. Membro da Associaçao Nacional de Escritores (ANE, Brasil), membro fundador da Academia de Letras do Distrito Federal (Brasilia), conquistou os premios Salao Nacional de Artes Plásticas de Montevidéu e Arte Mulher 89 , Brasilia, Brasil.
Livros publicados: Rehenes (1991), Profecía al Viento (1993), Vértigo del Verbo (1995), SAC-NIC-TE y sus memorias de olvido (2000), todos em ediçoes bilingües español-portugues, além de participar em antologias, entre as quais Caminhos de Integraçao (em portugues, español e inglës(1995)) e Caliandra, e as antologias publicadas no Uruguai: Letras Derramadas e Entresiglos (Abrace, 2002). Reside atualmente em Buenos Aires.
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O poeta e artista plática SOFIA VIVO participando de uma sessão magna da I BIENAL INTERNACIONAL DE POESIA DE BRASILIA ( de 3 a 7 de setembro de 2008 ). Representante oficial indicada pela Embaixada do Uruguai no Brasil.
TEXTO EN ESPAÑOL e TEXTO EM PORTUGUÊS
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Rehenes somos,
los yo
que hay en mí
los que son,
los que van a ser.
Y lo que es
más grave aún,
los que nunca
van a ser,
pero que tendrían que ser.
Tu,
yo,
nosotros,
los que penetramos el tiempo,
y rasgamos la vida.
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Trad. de Anderson Braga Horta
Reféns, eis o que somos
os eus
que há em mim
os que são
os que hão de ser.
E, o que é
mais grave ainda,
os que nunca
chegarão a ser,
embora tivessem de ser.
Tu,
eu,
nós,
os que penetramos o tempo
e rasgamos a vida. |
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Se incendia el tiempo
sin parar,
las horas se desmayan
en formas de cenizas
Se precipitan al abismo
que es la nada
penas y glorias
todas entreveradas
Cada minuto que se incendia
es uma lágrima,
ocasionalmente una sonrisa,
siempre una amenaza
acechando el precipício de la vida
Si la pena te acongoja
y el destino no te agracia,
mira como en un sueño
los dias volando
y el pasado marchitando
De carcajadas y llanto
ha de quedar tan solo
tenue recuerdo evaporando,
y un puñado de tiempo
ya quemado. |
Trad. de Alan Viggiano
Incendeia-se o tempo
sem parar,
as horas desmaiam
em forma de cinzas.
Precipitam-se no abismo
que é o nada.
Penas e glórias
entreveradas
Cada minuto que se incendeia
é uma lágrima.
Ocasionalmente um sorriso,
sempre uma ameaça
espreitando o precipitado da vida.
Se a pena te angustia
e o destino não te protege,
vê como em um sonho:
os dias voando
e o passado massacrando.
De gargalhada e pranto
há de sobrar apenas
tênue lembrança se esvanecendo
e um punhado de tempo
já queimado.
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Entre tu limbo
y el mio
fluctúan alas
volantes
de un cantor acicalante.
Inopia
se ve la tarde
cuando cae en balde
un sol itinerante.
Flujo
reflujo,
que gran lujo
cuando tu ser
repujo.
Em mi memória
el viento,
quejido, ronquido,
zumbido,
un vacío
de sismos embebido. |
Trad. de Alan Viggiano
Entre o teu limbo
e o meu
flutuam asas
volitantes
de um candor brilhante.
A tarde vê-se
inópia
quando cai em vão
um sol itinerante.
Fluxo
refluxo,
quão grande luxo
quando o teu ser
eu repuxo.
Em minha memória
o vento,
lamento, rouco
zumbido
um vazio
de tremores embebido.
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I ¡Soy las cuatro estaciones
de la primavera
todas juntas!
II Soy un soplo
um suspiro,
saliva de mar, sonrío.
III Soy la duda transparente
estrella o cometa
periclito sin planeta.
IV Soy la garza indescifrable,
axioma, de tu ser
tal vez aroma.
V !Soy el enigma
del concierto universal
desafinado!
VI !Soy musa,
soy mujer,
soy las flores del mal!
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Trad. de Antonio Miranda
I Sou as quatro estações
da primavera
todas juntas!
II Sou o sopro
um suspiro,
saliva do mar, sorrio.
III Sou a dúvida transparente
estrela ou cometa
periclito sem planeta.
IV Sou a graça indecifrável,
axioma, de teu ser
talvez aroma.
V Sou enigma
do concerto universal
desafinado!
VI Sou musa,
sou mulher,
sou as flores do mal! |
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Como el torero
nacida para el luto,
el sol
me dió su sombra
antes de nacer.
La arena
fue pantano
donde creció
mi amor gitano.
El tablado
zapateado,
se entregó en sangre
derramado.
Se alzaron las banderillas,
bailó el toro
a pié puntillas,
la via apago
sus lamparillas. |
Trad. Antonio Miranda
Como o toureiro
nascida para o luto,
o sol
deu-me sua sombra
antes de nascer.
A areia
foi pântano
onde cresceu
meu amor cigano.
O tablado
sapateado,
entregou-se em sangue
derramado.
Alçaram-se as bandarilhas,
bailou o touro
em sapatilhas,
a vida apagou
suas lamparinas.
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Más de la mitad
del sendero
ya transitado,
las veredas
han bajado los cordones.
Treinta y cuatro años
desde mi cráneo,
arrastrados
por la corriente seca
de mi canto mudo,
hebras de marfil
tejiendo telarañas
maratona de una edad desenhebrada.
Tantas sombras
conocí en mi infancia
no hubo soles,
en mis devaneos
solo resolanas.
En esa paz oscura
que es la soledad,
de luto impuesto,
sumiso y sin orgullo,
descubrí que el pozo,
la soledad,
es uno mismo.
Pirámides de huesos
construyendo puentes
mi cráneo
y otros esqueletos
la historia se disuelve
cual restos de espuma
caduca ya de valentía.
La suma
de mis horas infinitas
son remolinos turbios
de angustia náufraga
y sin rumbo.
Las ojeras de mi vida
son playas tenebrosas
cargadas de mil fantasmas
alucinadas
por las nubes grises
de la nostalgia.
Desde mi cráneo,
la soledad es un abismo,
el pasado gime lastimoso,
el futuro es trazado sin esbozo. |
Trad. de Anderson Braga Horta
Mais da metade
da vereda
já transitada
as calçadas
baixaram os meios-fios.
Trinta e quatro anos
desde meu crânio
arrastados
pela corrente seca
de meu canto mudo,
fios de marfim
tecendo teias de aranha
maratona de uma idade desfiada.
Tantas sombras
conheci em minha infância
não houve sóis
em meus devaneios
só soalheiros.
Nessa paz escura
que é a solidão,
de luto imposto,
submisso e sem orgulho,
descobri que o poço
e a solidão
somos nós mesmos.
Pirâmides de ossos
construindo pontes
meu crânio
e outros esqueletos
a história se dissolve
como restos de espuma
caduca já de valentia.
A soma de minhas horas infinitas
são redemoinhos turvos
de angústia náufraga
e sem rumo.
As olheiras de minha vida
são praias tenebrosas
carregadas de mil fantasmas
alucinados
pelas nuvens cinzentas
da nostalgia.
Em meu crânio,
a solidão é um abismo,
padece mortes trituradas,
o passado geme lastimoso,
o futuro é traçado sem esboço.
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| Extraídos da antologia Caminhos de Integração / Caminos de Integración / Paths of Integration. Org. Sofía Vivo. Brasília: Thesaurus, 1993. |
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