VICENTE SÁ
Natural de Pedreiras, Maranhão, chegou a Brasília em 68 e não pretentede sair. Autor de seis livros e muitos poemas que viraram letras de músicas é um calmo agitador cultura da cidade. Tem desenvolvido junto com o movimento VivaaArte e também com o legendário grupo Liga Tripa, do qual é letrista e cúmplice. Colabora com o T-BONE açougue cultural.
“O melhor de Vicente Sá são os poemas curtos, bem urdidos, terminando pelo começo: pela surpresa, que não fecha o sentido, alaaaarga-o, expande-o. Requer engenho e arte, e um pouco de loucura.”
ANTONIO MIRANDA
A câmera do poeta
Sorria
Você está sendo
Transformado em poesia
Valor
O preço da eterna juventude
É uma constante irresponsabilidade.
A semana de Quintana
Se semana começasse na sexta
Talvez a gente acordasse sorrindo
E até fosse mais feliz pro trabalho
Depois viria um sábado suburbano
De meio expediente e meia folia
Seguido de um domingo de sol e família
Na segunda, a gente se fingia de morto
Coberto pelo manto da brincadeira
Na terça, acordando ao meio-dia.
Iríamos pescar nuvens ou mulheres seminuas
A quarta chegaria leve
Com a promessa de uma orgia cigana
E a quinta, meu bem, seria sempre
um feriado
Suave como Mário Quintana.
Viagem
(com Aristides Pires)
Sempre que viajo
Esqueço alguma coisa
Uma roupa em tal casa
Um livro em outro lugar
Uma vez esqueci o que fui faze lá
Da próxima
Quem sabe
Eu esqueça de voltar
Palavra
Não há nada que se diga
Que não abra uma ferida
Tapas que a palavra dá na vida
Por isso e mais duzentas outras coisas
É que eu sou assim
Mais perto de você
Do que de mim
Página publicada em setembro de 2011
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