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Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



Fonte: www.flip.org.br/

 

CARLITO AZEVEDO

 

 

Nasceu no Rio de Janeiro em 4 de julho de 1961. Cursou Letras na UFRJ.

 

Obras: Colapsus linguae (1991), As banhistas (1993), Sob a noite física (1996), Versos de Circunstância (2001) e Sublunar (2001). É editor da revista de poesia Inimigo Rumor desde 1997.

 

 

ABERTURA

 

Desta janela

domou-se o infinito à esquadria:

desde além, aonde a púrpura sobre a serra

assoma como fumaça desatando-se da lenha,

até aqui, nesta flor quieta sobre o

parapeito — em cujas bordas se lêem

as primeiras deserções da

geometria.

 

 

REALISMO

 

quando estes

olhos

 

(um zoom

de azuis?)

 

sobre esta

mínima

 

pétala de

pálpebra

 

deixaram correr

de fina estria

a lágrima da

raiva

 

não morrerão

sóis

não se apagarão

estrelas

 

apenas outro

sulco na super

fície da face

 

 

BANHISTA

 

Apenas

         em frente

ao mar

         um dia de verão —

quando tua voz

                   acesa percorresse,

consumindo-o,

                            o pavio de um verso

até sua última

                                      sílaba inflamável —

quando o súbito

                            atrito de um nome

em tua memória te

                   incendiasse os cabelos —

(e sobre tua pele

                   de fogo a

brisa fizesse

         rasgaduras

de água)

 

 

LIMIAR

 

A via-láctea se despenteia.

Os corpos se gastam contra a luz.

Sem artifícios, a pedra

acende sua mancha sobre a praia.

Do lixo da esquina partiu

o último vôo da varejeira

contra um século convulsivo.

 

 

SERPENTE

 

O nome

como veneno

e o poema como

antídoto

extraído do

próprio

nome

 

 

SOB O DUPLO INCÊNDIO

 

Sob o duplo incêndio

da lua e do neon,

 

sobre um parapeito de

mármore, entre duas cortinas

 

jogadas pela brisa marinha

que ao mesmo tempo às suas

 

coxas e costas dispensava

um hálito incontínuo,

 

inundando de rubro o restrito

perímetro de seu jarro em cerâmica

 

e contrastando , imemorial, com a

transitoriedade de tudo ali

 

(hotel, amor, carros, dia, noite)

 

uma flor alheia a símbolos

 

atingia seu ponto máximo

de beleza.

 

 

 

 

Extraídos de 41 POETAS DO RIO, org, Moacyr Félix.  Rio de Janeiro: FUNARTE, 1998.  514 p.

 

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ÁGUA FORTE

Girando
ritmadamente

(ela submersa
no inferno denso e negro
do café)

esta pequena
colher de prata

da qual
vês apenas
— preso entre teus dedos —
o cabo
sem grandes
arabescos

fazes emergir
em torvelinho

a partir da tona
líquida
escura

uma nuvem de fumaça
até teu rosto

que a recebe
sorrindo


QUATORZE PARA O MEIO-DIA


O olhar, grande oblíquo,
descobre num corpo
oferto outro corpo,
cavo, que diz não,

e o que esse, seu duplo,
dessangra, ressuda,
à ponta, ao calor
do olhar-aguilhão

sublima um terceiro
que é todo espinhaço
de luz (como são

as horas de perda,
os paramos, certas
manhãs de verão)

 

Extraídos de ESSES POETAS – Uma antologia dos anos 90, org. por Heloisa Buarque de Holanda. Rio de Janeiro: Aeroplano, 1998.

Página ampliada e republicada em outubro de 2008.

 



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