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Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

GARCIA ROSA

 

(1877-1960)

ANTONIO GARCIA ROSA nasceu no Engenho Riacho Preto em Jarapatuba/SE, a 08 de dezembro de 1877.Graduado em Farmácia pela Faculdade de Medicina da Bahia, em 1897. Professor e Poeta. Faleceu em Aracaju, a 28 de agosto de 1960. Foi membro fundador da Academia Sergipana de Letras.

 

 

 

Texto e poemas extraídos da obra:
Fontes de Alencar
ANOTAÇÕES DE POESIA
no Centenário da
REVISTA AMERICANA (1909-1919)

Brasília: Thesaurus, 2010.
ISBN 978-85-7062-925-8

 

SONHAR

 

Razão! Por mais que tu, mofando rias

Da loucura sem par dos meus castelos,

Vale mais do que as tuas zombarias

A alegria imortal de concebê-los.

 

Em pensamentos vãos e em vãs porfias

De amor, sempre conforme aos meus anelos,

Vão-se-me os dissabores, vão-se os dias,

Desabrocham-me nalma os sonhos belos

 

Quem sonha cria um mundo a seu talante...

Gele-me o peito a dúvida exaustiva

Ou ruja torva a cólera espumante,

 

Salva-me o sonho e o espírito me aviva,

Como se anima o trôpego viandante

Ao fulgor  da miragem fugitiva.

 

 

 

SAUDADE

 

Tudo passou: a lágrima vertida

Em torvas horas de mortal desgosto,

Como a fina volúpia não sabida

De quem nunca beijou tão meigo rosto.

 

O falso agrado, a confissão fingida,

O juramento vão de que é composto

O tredo amor de uma alma fementida,

Tudo passou, quais nuvens ao sol-posto.

 

Tudo passou; porém dentro em meu peito,

Urna sagrada desse amor outrora,

Hoje sepulcro deste amor desfeito.

 

Nem tudo ainda se extinguiu, Senhora...

Ouve-se sempre singular, perfeito,

O requiem triste que a saudade chora.

 

 

         Esses dois sonetos de Garcia Rosa (1877-1960), sergipano de Japaratuba, a Revista Americana, aquela que vicejou ao tempo em que o Barão do Rio Branco dirigia a Diplomacia brasileira, os estampou no vol. XIII, em 1915, o mesmo ano em que estudo de Jackson de Figueiredo a respeito do poeta foi publicado na Capital da República. Antes, pois, de editada a Lyrica de Garcia Rosa, recolhida pelo ensaísta (Rio: Anuário do Brasil, 1921).

         O exegeta mencionado disse falha a crítica que pusera o poeta entre parnasianos e simbolistas.

 

                   “em verdade, Garcia Rosa é sobretudo um lírico perfeito...O lirismo é a poesia de todos os movimentos mais espontâneos do coração, e por isso também tem sido de todos os grandes poetas da humanidade.”  Fontes de Alencar

 

 

AMÁLIA

 

Se tenho amado?Ouvi: era ideal, morena,

De olhos fenomenais, chispando como estrelas...

Veio a tísica e enfim ma disputou sem pena,

Nem me deixando ao luto as negras tranças belas.

 

Amália se chamava a lânguida açucena

Que partiu para o além, como partem as velas,

Desdobradas do mar na vastidão serenata,

Tão tristonhas e só que até faz pena vê-las.

 

Quando Amália morreu a cântaros chovia;

E as lágrimas do céu e mais as que eu vertia

Eram poucas talvez para tão grande amor...

Não sei se inda a verei; não sei se o céu existe...

Para a turva consciência emocional do triste,

Toda a noção do real se lhe restringe à dor.

 

 

ESQUIVA

Quando passas altiva e desdenhosa,
Como uma deusa em mármore esculpida,
Lembras-me a Grécia antiga e luminosa
E, adorando a Mulher, bendigo a Vida.

Toda a força do amor misteriosa
Trazes soberbamente refletida
Na perfeição da plástica mimosa
E na graça do andar, indefinida...

Mas quando te acompanho na esperança
De penetrar os íntimos refolhos
Dessa alma em flor, que a amar não se abalança,

Volves em torno, distraída, os olhos,
Na pertinácia vã de uma esquivança
Que semeia ilusões em vez de abrolhos.

          (Lírica de Garcia Rosa. 2ª. ed., 1954)

 

          LUX ET UMBRA

Para cantar a graça peregrina
Que ressumbra de tua mocidade,
Falta-me a voz que a mocidade afina,
Cheia de brilho e de sonoridade.

Revejo as flores da estação divina,
A frouxa luz da lânguida saudade,
Na frescura da boca purpurina,
Dos olhos na risonha claridade.

Já no outono da vida, um vento agreste
Varre-me d´alma as ilusões formosas
De que a tua alma juvenil se veste...

Plangem na lira as notas lamentosas
E eu quis apenas, querubim celeste,
Cingir-te a fronte virginal de rosas.

                    (Ibidem)

 

 

Página publicada em maio de 2010; ampliada e republicada em agosto de 2015.

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