AUGUSTO DE CAMPOS
Extraído do catálogo OBRANOME, realização da Caixa Econômica Federal e Embaixada da Espanha, no Conjunto Cultural da Caixa, Brasília 2003.
Homenagem a Caetano Veloso
VIVA VAIA
Quem não ouviu falar da celebérrima vaia que Caetano Veloso ouviu durante uma de suas polêmicas apresentações em festival de MPB nos anos 60? E quem não ouviu o disco em que ele enfrenta a enfurecida platéia, em meio às vaias, o baiano acusando o público por sua alienação política naqueles anos de chumbo da ditadura? Uma justa homenagem ao músico!
AUGUSTO DE CAMPOS registrou, à sua maneira, um desagravo à audácia de Caetano, invertendo o sentido daquela vaia; VIVA A VAIA!!! Na foto superior, o (então) jovem Caetano Veloso com a obra do concretista Augusto de Campos e, em baixo, a nova versão do poema durante a Exposição poesia concreta o projeto verbivocovisual realizado em Belo Horizonte na Fundação Clóvis Salgado/Palácio das Artes (em 2007) e no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo (em 2008).
E aqui vai um comentário mais aprofundado sobre o tema:
"Tome-se um poema como Viva Vaia, de Augusto de Campos. Não se pode falar simplesmente de uma influência das artes visuais, ou da transposição de um método pertencente a outro campo artístico, como quando se fala do influxo do "cubismo" na prosa do Oswald de Andrade de Memórias Sentimentais de João Miramar e Serafim Ponte Grande. O que se dá agora é uma outra coisa: antes que um texto meramente composto sob a influência de uma determinada escola pictórica abstraía, Viva Vaia é, ele mesmo, um poema e um objeto plástico. Um texto ótico-verbal. Um verbal picture. Não se trata mais apenas da assimilação, em determinado domínio estético (a literatura, o cinema), de um discurso proveniente de outro domínio estético (música, artes plásticas) — e sim de um objeto sígnico que se projeta entre dois (ou mais) domínios, ou numa zona de intersecção de códigos." (...)
"O seguinte: jogando nessas zonas de fronteira entre códigos e entre meios, é quase natural que o criador estético acabe produzindo objetos que saem fora da órbita do — ou que se subtraem ao — código central de seu trabalho. É assim que Augusto de Campos vai produzir objetos plásticos, como um artista visual (...)"
(Extraído de : RISÉRIO, Antonio. Ensaio sobre o texto poético em contexto digital. Salvador: Fundação Casa de Jorge Amado; COPENE, 1998. p. 110
LIXO LUXO
KEY:
LUXO: luxury, opulence
LIXO: garbage, waste
Versão atualizada do famoso poema concreto de AUGUSTO DE CAMPOS
Exposição poesia concreta o projeto verbivocovisual realizado em Belo Horizonte na Fundação Clóvis Salgado/Palácio das Artes (em 2007) e no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo (em 2008).
INTRADUÇÃO (1983)
Make iti New (Confúcio – Ezra Pound)
Renovar (Augusto de Campos)
Serigrafia de Omar Guedes
Poema do filósofo chinês Confúcio, do século V a.C., com a tradução para o português feita por Augusto de Campos a partir da tradução para o inglês feita por Ezra Pound. O poema mostra a busca da inovação estética como princípio acima das épocas e das culturas. (Comentário de Philadelpho Menezes)
Cartão-postal gentilmente enviado por Augusto de Campos para Antonio Miranda pelo correio em 10/12/2009.
IMAGEM / ENIGMA
"Iconograma" de Julio Plaza a partir de texto de Augusto de Campos, parte do livro REDUCHAMP. 2 ed. São Paulo: Annablume, 2009 (Coleção Demônio Negro) 68 p.
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