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POESIA CONCRETA – POPCONCRETOS
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AUGUSTO DE CAMPOS

PSIU

popconcreto 


Os Popconcretos são poemas que combinam imagens e ícones que o poeta extrai do aleatório do ready-made, do maior parque gráfico e tipográfico do mundo: os jornais e as revistas. Collages verbais: a experiência lembra a de Kurt Schwitters, que, nos anos 1920, realizou collages verbais e pictóricas em uma espécie de dadaísmo heterodoxo (...)

(...)

A forma como se organizam os materiais do arquivo difere dos modos como o concretismo dos anos 50 o fazia. Mediante a inclusão do pop e do aleatório, o trabalho com a experiência já não está em função da ruptura modernista, e sim da aglomeração, da sobreposição e da intermediação do mass media.

O poema “Psiu”, composto em 1966, dois anos depois da exposição*, processa este novo repertório virtualmente infinito (as palavras dos jornais e revistas) com a comoção política: o golpe militar de 1964 e as novas condições repressivas que impôs (“ato 13” no poema) explicam e permitem ler o poema. O caos desse texto visual é aparente (há uma vontade construtiva), mas isso ao mesmo tempo impede que se possa afirmar que as relações entre as partes sejam geométricas (como realmente haviam sido na fase ortodoxa do concretismo). Daí que a funcionalidade das partes está, por assim dizer, relaxada. Em “Psiu” e nos popconcretos em geral, o concretismo se localiza no próprio limite entre a prática e o arquivo: permanece como elemento configurador (“-cretos”), mas deve dividir seu lugar com outros estilos (“pop”). O concretismo passa de projeto programático a traço diferenciador: “pop – lê-se no catálogo – em parâmetros concretos: construção, intencionalidade crítica”. 

*referindo-se à exposição na Galeria Atrium, de São Paulo, em dezembro de 1964.

(...) “Entre os anos 1964 e 1978, o governo militar decretou 17 atos institucionais, nos quais os direitos constitucionais eram suprimidos ou limitados. No momento em que esse poema foi escrito, haviam sido promulgados somente três (o de 9 abr. 1964 anulou os direitos políticos, o de 27 dez. 1965 extinguiu os partidos políticos, e do de 5 fev. 1966 determinou eleições indiretas para os governadores dos Estados). O número 13, segundo o depoimento de Augusto de Campos, alegoriza a infelicidade da situação brasileira dessa época. A frase “Saber Viver, Saber Ser Preso, Saber Ser Solto” pertence a Miguel Arraes, governador de Pernambuco e incentivador das Ligas Camponesas do Nordeste, preso em 1964. Libertado em 1965 por um habeas corpus, exilou-se na Argélia.

Texto extraído da extraordinária obra – leitura obrigatória para quem quiser entender a poesia concreta e as vanguardas poéticas subseqüentes no Brasil !!!– POESIA CONCRETA BRASILEIRA – as vanguardas na encruzilhada modernista, de GONZALO AGUILAR, a partir da tese de doutorado do pesquisador. Publicada pela EDUSP, em 2005.  ISBN 85-314-0779-6

 

CÓDIGO       

         “O poema “Código” de Augusto de Campos é um bom exemplo da utilização de efeitos de sentido plásticos na construção do texto.

         A partir das letras do alfabeto latino, Augusto de Campos reescreve a palavra “código” articulando as letras em disposição diferente da padronizada. Nessa outra forma, em que o sincretismo entre o verbal e o plástico da escrita é explicitado, a forma plástica dá novas significações à semiose verbal do poema.

         Se as linguagens não podem se reduzidas a códigos, uma vez que existe nelas a dimensão de uso, que permite construir códigos em discursos e modifica-los sempre que possível, é seguro afirmar que em toda linguagem há a estabilização de códigos que garantem seu funcionamento. Enquanto estrutura, os códigos são conjuntos organizados de elementos, em que um elemento se define em relação aos demais. O signo verbal é definido, portanto, em sua identidade construtiva — mas também na alteridade que estabelece em relação aos demais signos do mesmo sistema definido em sua construção e em seu valor relativo, o elemento do código é descrito de acordo com a categoria semântica identidade vs. alteridade. Desse modo, descreve-se não o elemento do código, mas a própria codificação dos elementos que o formam e, na complexificação da categoria semântica, gera-se o conteúdo da palavra “código”.

         No poema de Augusto de Campos, esse conteúdo na forma plástica que incide sobre a imagem escrita. Nele, as letras C O D I G estão dispostas na forma gráfica eu os convete em uma combinação de círculos e retas.”

 

Mais detalhes desta análise semiótica, no texto original:

PIETROFORTE, Antonio Vicente. O discurso da poesia concreta – uma abordagem semiótica.  São Paulo: AnnaBlume, 2011. p. 47-50.

 

 

 Página publicada em março de 2008; ampliada e republicada em julho de 2011



 

 

 
 
 
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