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Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

  POÉSIE BRÉSILIENNE EN FRANÇAIS
Coordination de ARICY CURVELLO
HILDA HILST

                                                  HILDA   HILST

                                      (1930 - 2004)

 

 

 

PRELÚDIOS INTENSOS PARA OS DESMEMORIADOS DO AMOR                            

      i –  

Toma-me. A tua boca de linho sobre a minha boca

Austera. Toma-me AGORA. ANTES

Antes que a carnadura se desfaça em sangue, antes

Da morte, amor, da minha morte, toma-me

Crava tua mão, respira meu sopro, deglute

Em cadência minha escura agonia.

 

 

Tempo do corpo este tempo, da fome

Do de dentro. Corpo se conhecendo, lento,

Um sol de diamante alimentando o ventre,

O leite da tua carne, a minha

Fugidia.

E sobre nós este tempo futuro urdindo

Urdindo a grande tela. Sobre nós a vida

A vida se derramando. Cíclica. Escorrendo.

 

 

Te descobres vivo sob um jugo novo.

Te ordenas. E eu delinqüescida: amor, amor,

Antes do muro, antes da terra, devo

Devo gritar a minha palavra, uma encantada

Ilharga

Na cálida textura de um rochedo. Devo gritar

Digo para mim mesma. Mas ao teu lado me estendo

Imensa. De púrpura. De prata. De delicadeza.

 

 

                              (Júbilo Memória Noviciado da Paixão)

 

 

 

 

 

PRELUDES INTENSES  POUR  CEUX  QUI  ONT  PERDU  LA MEMOIRE D’ AMOUR

 

  

Prends-moi. Ta bouche du lin sur ma bouche

Austère. Prends-moi  MAINTENANT, AVANT

Avant que la carnation se défasse en sang, avant

La mort, mort amour, ma mort, prends-moi

Enfonce ta main, respire mon souffle, avale

En cadence ma sombre agonie.

 

 

Temps du corps, ce temps-là, de la faim

Du dedans. Corps se connaissant, lentement.

Um soleil de diamant mourrissant le ventre,

Le fait de la chair, la mienne.

Fuyante.

Et sur nous ce temps futur tissant

Tissant la grande toile. Au-dessus de nous la vie

La vie se répandant. Cyclique. S’ écoulant.

 

 

 

Tu te reconnais vivant sous un joug nouveau

Tu te mets en ordre. Et moi, déliquescente: amour, amour,

Avant le mur, avant la terre, je dois

Je dois crier ma parole, un charmant

Flanc

Dans l’ ardente tessiture d’ un rocher. Je dois crier

Je le dis à moi même. Mais à côté de toi, je me couche

Immense. En pourpure. En argent. En douceur.

 

 

                             

                                    (Réjouissance Mémoire Noviciat de la Passion)

 

 

 

                                                          Ø  Đ  Φ   

    

      DA MORTE

 

         I

 

Te batizar de novo

Te nomear num trançado de teias

E ao invés de Morte

Te chamar Insana

         Fulva

         Feixe de flautas

         Calha

         Candeia

Palma, por que não ?

Te recriar nus arco-íris

Da alma, nuns possíveis

Construir teu nome

E cantar teus nomes perecíveis

         Palha

         Corça

         Nula

         Praia

Por que não ?

 

                                   (Odes Mínimas)

     

                                   

 

DE LA MORT

 

                     I

 

Te baptiser de nouveau

Te nommer dans une tresse de tils

Et au lieu de t’ appeler La Mort

Te dire Insensée

          Fauve

          Faisceau de flûtes

          Caniveau

          Chandelle

Palme, pourquoi pas ?

Te recréer nus arcs-en-ciel

De l’ âme, dans les possibles

Construire ton nom

Et chanter tes noms périssables

           Paille

           Biche

           Nulle

           Plage

Pourquoi pas ?

 

                               (Odes Minimes)

 

                                     

                                           

                                               Ø  Đ  Φ   

 

 

 

         ( Da antologia bilingüe “Poésie du Brésil”, seleção de Lourdes Sarmento, edição Vericuetos, como nº 13 da revista

         literária francesa  “Chemins Scabreux”, Paris, setembro de 1997. Traduções de Lucilo Varejão, Maria Nilda Miranda 

Pessoa e outros. Os poemas acima foram compilados por Henrique Alves.)

 

 

 

De
HILST, Hilda.  Da morte. Odes mínimas. De la mort. Odes minimes.  Trad. Álvaro Faleiros.   São Paulo: Nankin Editorial; Montréal: Le Noroit, 1998.     135 p.   ilus.  col   ISBN 85-86373-06-4  Inclui cinco ilustrações a cores de autoria de Hilda Hilst. 

 

à tua frente. em vaidade              devant toi.  en vanité

 

I

E se eu ficasse eterna?
Demonstrável
Axioma de pedra.

 

 

Et si je restais éternelle?
Démonstrable
Axiome de pierre.



II

Se me alongasse
Como as palmeiras

E em leque te fechasse?

 

 

Si je m´allongeais
Comme les palmiers

Et en éventail te fermais?



III

E crivada de hera?
Mas só pensada
Em matemática pura.

 

 

Et criblée de lierre?
Mais n´être que pensée
Em mathématique puré.

IV

E lívida
Em organdi
Entre os escombros?
Indefinível como criatura.

Eternamente viva.

 

 

Et livide
En organdi
Parmi les décombres?
Indéfinissable comme créature.

Éternellement vive.

 

V

E te abrindo ao meio
Como as carrancas
Na proa dos barcos?

Pesada como a anta
Te espremendo.
Guano sobre a tua cara.

 

 

Et à te fendre en deux
Comme les trognes
Sur le prone des barques?

Lourde comme le tapir
À te presser.
Guano juste sur ta face.




 

 

 

 


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