Home
Sobre Antonio Miranda
Currículo Lattes
Grupo Renovación
Cuatro Tablas
Terra Brasilis
Em Destaque
Textos en Español
Xulio Formoso
Livro de Visitas
Colaboradores
Links Temáticos
Indique esta página
Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 
POESIA MUNDIAL EM PORTUGUÊS

Imagem do busto e fragmento da biografia
extraídos da Wikipedia.


 

 

NICOLAS BOILEAU

 

 

Nicolas Boileau-Despréaux (Paris, 1 de novembro de 1636 — Paris, 13 de março de 1711) foi um crítico e poeta francês.


Publicou seu primeiro volume de sátiras em 1666. Foi apresentado na corte, em 1669, após a publicação de seu Discurso sobre a sátira.

 

 

FRAGMENTO FINAL

do primeiro canto da Arte Poética

 

(Tradução do Conde de Ericeira)]

 

 

De alguns génios os tristes pensamentos
Embaraçados sempre em nuvens densas,
Não podem da razão nos luzimentos
Desbaratar as fúnebres ofensas:
Cuidai, se de escrever tendes intentos,
Dando à ideia as luzes mais intensas,
Que o que puro ou confuso se concebe,
Mais claro ou mais escuro se percebe.

 

E sobretudo não caiais no abismo
De adulterar do idioma o ser sagrado,
Nunca admitais pomposo barbarismo
Inda na melodia disfarçado:
De que serve um soberbo solecismo?
Que vai um termo próprio e viciado?
Enfim é o poeta mais divino
Sem pureza da língua autor indino.

 

Cuidai com ordem, e escrevei sem pressa,
Não presumais de rápida loucura;
Um estilo, que corre, e nunca cessa,
Pouco do entendimento a força apura:
Mais do que uma torrente, que se apressa
A inundar a campanha áspera e dura
Estimo um rio, que na branda areia
Vagaroso entre as flores se passeia.

 

Lento vos apressai, mas neste espaço
Não desmaieis por não achar conceito,
Vinte vezes aplique à obra o braço
A forja de que foi discreto efeito:
Puli-a sem cessar, sem embaraço,
E tornai-a a pulir não satisfeito,
Dai-lhe talvez aumentos primorosos,
E riscai, que estes versos são gloriosos.1

 

Não se estima um poema, que reparte
Acertos com mil erros desluzidos;
Hão-de ser sempre iguais em toda parte
Os extremos ao meio dirigidos;
Firmam um todo as obras de mais arte
De partes diferentes aos, ouvidos;
E assim nunca o discurso perca o fio
Buscando longe um culto desvario.

 

Temeis aos vossos pública censura?
Sede a vós mesmo crítico severo;
A ignorância admirada não murmura,
Mas buscai confidente o mais sincero:
Num amigo a verdade é mais segura,
Dos vossos erros inimigo austero,
Humilhando de autor louca vaidade
Distinguindo a lisonja da verdade.

 

Crede mais os conselhos que os louvores,
Que algum mostra que aplaude e satiriza;
Vede um adulador com que clamores
Em êxtases os versos soleniza:
Tudo é divino, tudo são primores,
Nada o ofende, tudo o suaviza,
Enternecido chora, alegre salta,
E com vãos elogios vos exalta.

 

Oh que a verdade ignora fingimentos,
E um sábio amigo, duro, rigoroso,
Não dispensa os mais leves pensamentos,
Com vossos erros nunca foi piedoso:
Ele coloca os «versos mais violentos
Da ênfase ambiciosa cuidadoso,
Na frase, na gramática repara,
No equívoco duvida, o termo aclara.

 

Assim um verdadeiro amigo fala,
Mas intratável vós em recompensa,
Quereis dar tom à obra, apadrinhá-la,
Interessado na suposta ofensa:
Se uma baixa expressão vos assinala,
Para que passe lhe pedis licença;
Isto é frio (vos diz), oh! que é notável;
Isto é mau. .. oh! senhor, que é admirável.
 


 

Em se não desdizer vive empenhado
O néscio autor em contumácia fera,
E um verso não consente ver riscado,
Como se nele um título perdera:
A quem encontra, afirma confiado,
Que tem nos versos mando soberano,
E lhe prende a atenção com este engano.

 

 

 

Depois de os recitar muito contente
Logo um simples encontra a que os refira,
Que um néscio autor no século presente
Sempre encontra outro néscio que o admira:
Na nobreza e no vulgo juntamente
Tem parciais a ignorância, em que respira,
E sempre louva (a sátira é constante)
Ao ignorante algum mais ignorante.

 

 

 

 

 

Página publicada em julho de 2020


 

 

 
 
 
Home Poetas de A a Z Indique este site Sobre A. Miranda Contato
counter create hit
Envie mensagem a webmaster@antoniomiranda.com.br sobre este site da Web.
Copyright © 2004 Antonio Miranda
 
Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Click aqui Home Contato Página de música Click aqui para pesquisar