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Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 
POESIA MUNDIAL EM PORTUGUÊS


BORIS PASTERNAK

(1890-1960)

 

 

Boris Leonidovitch Pasternak (em russo: Борис Леонидович Пастернак; Moscou, Império Russo, 10 de fevereiro de 1890 — Peredelkino, União Soviética, 31 de maio de 1960) foi um poeta e romancista russo.

 

Filho de um professor de pintura e de uma pianista, teve uma juventude em uma atmosfera cosmopolita. Estudou filosofia na Alemanha e retornou a Moscou em 1914, ano em que publicou sua primeira coleção de poesias. Primeiramente próximo do futurismo russo, é principalmente como poeta que Pasternak se tornou conhecido na Rússia.

 

Durante a Primeira Guerra Mundial ele ensina e trabalha em uma usina química dos Urais, o que lhe deu matéria para a sua famosa saga Doutor Jivago anos mais tarde.

 

Pasternak caiu em desgraça com as autoridades soviéticas durante os anos 1930; acusado de subjetivismo, ele conseguiu, no entanto, não ser enviado a um Gulag.

 

Foi-lhe atribuído o Nobel de Literatura de 1958, mas ele não foi autorizado a recebê-lo por razões políticas.

 

Na Rússia, é mais conhecido como poeta do que romancista, em virtude de o livro Dr. Jivago não ter feito sucesso na antiga União Soviética por motivos políticos. É interessante observar, no entanto, que o personagem principal, homônimo ao livro, é, justamente, um poeta que tem problemas com as autoridades soviéticas, embora simpatizante da causa dos deserdados. O Dr. Jivago, é possível afirmar, é um alter-ego do poeta Pasternak.

 

Até o momento de sua morte por câncer de pulmão em 1960, a campanha contra Pasternak foi severamente criticada com a credibilidade internacional da URSS. Ele continua sendo uma figura importante na literatura russa ainda hoje. Além disso, as táticas desenvolvidas por Pasternak foram mais tarde continuadas, ampliadas e aperfeiçoadas por Aleksandr Solzhenitsyn e outros dissidentes soviéticos.

A biobibliografia segue em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Boris_Pasternak

 

 

POESIA SEMPRE. Ano 7  Número 10 abril 1999  – Rio de Janeiro: Fundação Biblioteca Nacional, 1999.  Editor Geral: Antonio Carlos Secchin. A edição inclui uma seção especial de Poesia Russa, organizada por Marco Lucchesi.  Ex. bibl. Antonio Miranda

 

 

                Definição de poesia

        

         Um risco maduro de assobio.
         O trincar do gelo comprimido.
         A noite, a folha sob o granizo.
         Rouxinóis num dueto-desafio.

 

         Um doce ervilhal abandonado
         A dor do universo numa fava.
         Fígaro: das estantes e flautas —
         Geada no canteiro, tombado.

        

         Tudo o que para noite releva
         Nas funduras da casa de banho,
         Trazer para o jardim uma estrela
         Nas palmas úmidas, tiritando.

 

         Mormaço: como pranchas na água,
         Mais raso. Céu de bétulas, turvo.
         Se dirá que as estrelas gargalham,
         E no entanto o universo está surdo.

 

         1917                  

        

         Tradução de Haroldo de Campos

 

 

 

 

Poesia

 

Poesia, minha voz enlouquece
De juras sobre ti, estertor,

Não pose melíflua de cantor.
Vagão de terceira no verão,
Pareces. Subúrbio e não refrão.

 

Abafas como Iamskaia: (1) és maio,
Chevardin,
(2) o reduto noturno,
Onde nuvens exalam seus guais
E se vão, cada qual por seu turno.

 

E em dobro, pela trama dos trilhos —
Arrabaldes não são estribilhos, —
Se rojam das estações a casa,
Não cantando, formas hebetadas.

 

Renovos que a chuva põe nos cachos
Até de manhã, num fio contínuo,

Pingam seus acrósticos do alto
Enquanto lançam bolhas de rimas.

 

Poesia, quando sob a torneira
Um truísmo é um balde de folha
Vazio, mais o jato se despeja.

Eis o branco da página: jorra!

 

1922

 

Tradução de Haroldo de Campos

 

 

  1. Em muitas cidades russas havia um bairro chamado Iamskaia pobre e abafado. (Nota do tradutor)
  2.  Chevardin é o nome da aldeia onde, em 24 de agosto de 1812, te desfecho da campanha de Napoleão contra a Rússia. (Nota do tradutor)

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Minha irmã vida hoje se de desborda,
Desfaz-se contra todos como chuva,
Ó gente de berloques que rabuja
E ferroa polida feito cobra!

Os bem-postos terão razões aos centos,
Mas de tuas razões quem não rirá
?
Olhos e relvas roxas na tormenta
E o horizonte odora a resedá.

 

Quando em maio, você, estrada afora,
Lê horários de trem, — ramais floridos,
Mais grandeza que nos Livros de horas
Há nisto, e os olhos quedos, absorvidos.

 

Quando apenas o ocaso reverbera
Sitiantes à beira-ferrovia,
Percebi que a estação não era esta
E o sol-posto de mim se condoía.

 

Três salpicos de sino: o trem se afasta.
— Não é aqui! se desculpa, aos rechaços
No vagão, odor de noite queimada
Dos degraus a estepe cai para os astros.

 

Piscapiscando, a amada, olhos mortiços,
Fata-morgana sonhava lá fora.
O coração borrifa os passadiços
E expulsa para a estepe as portinholas.

 

1917

 

         Tradução de Haroldo de Campos e Boris Schnaiderman.

 

 

PASTERNAK, Boris.  O Ano 1905. Precedido de um estudo sobre o autor por Benjamin Goriely.  Tradução de João Apolinário. Porto, Portugal: Porto Editora, Limitada, s.d. 73 p. 13x21,5 cm
Ex. bibl. Antonio Miranda

 

 

OS CAMPONESES E OS OPERÁRIOS DAS FÁBRICAS

 

Desde o mês de Março
As rajadas de neve
Cobrem as cores do mapa.
Colocando o seu capuz
Como uma marmota (1)
A neve repousa: sobre os ramos,
Os fios telegráficos,
As ramificações dos partidos,
As insígnias dos soldados de cavalaria
E as travessas dos caminhos de ferro.

A planície não alegra o coração
Mesmo que o espaço solte as suas rédeas,
Mil verstas em redor.
Como um cheiro de álcool,
Com seu hálito de uma bestialidade velhaca.
Desvaira-nos
Na frialdade
Dos cem graus da miséria.


E eis que
Em casa dos Senhores
Rebentam as bombas de incêndio.
Um oceano de bombeiros
Comanda as chamas colossais.
E as paixões arrasam
E os esquadrões manobram
E tudo isto grita:
“De pé,
Ergue-te
Povo trabalhador!”


Fuga  Fuga
Os trenós sulcam
A vegetação selvagem.
Em trajes menores
Foge-se dos quartos de dormir.
Destroços
Sinistrados
Ao longo da estrada.
No pinheiral
A lua gelada influi nos destinos.
E erguido nos seus esporões
Faz esgares
O galo vermelho.
Pendendo sobre os trenós
os pínheiros respiram
Fumegam e lamentam-se.
Além as luzes.
Ao fundo a aldeia.
Mais adiante o teto hospitaleiro do comissário.
Ainda há comboios:
Só se fala na greve.
Ela arrasta-se em dificuldades
Pelo empedrados das cidades.

O verão.
Maio ou junho.
Sobre o Lodz um Vesúvio de locomotivas.
Presos mergulham no ar,
O sangue das veias coalha.
Para lá da encruzilhada dos rails
Morre-se.
Um apelo trovejante:
E os orifícios
Dos cartuchos queimados —
Tudo começa como de costume.
Um encontro com a tropa,
Nos arrabaldes,
Produz o choque:
Houve vítimas dos dois lados.
Mas os trabalhadores inflamaram-se
E o seu desejo de vingança transbordou
Quando a multidão mais uma vez foi espancada
No dia dos funerais.
Foi nessa altura
Que as vidraças se partiram
E que a cidade
Obstinada
Nua
Sem virtude
E mais empedernida do que nunca
Surgiu sem vergonha —
Assim como as estátuas
Quando perdem a paisagem
Adquirem beleza —
A cidade tornou-se a escultura do trabalho.

 

De dia os escritórios fecharam
E às cinco horas o tráfego cessou.
Através do Lods sem vida
Espalhou-se
O petróleo
Do sol poente.
A cólera dos trabalhadores
Tomas as patrulhas por alvo.
A rede das barricadas
Envolve a cidade despovoada.

De noite a tropa apareceu.
Uma salva rasando a terra
altura das balaustradas.
Foge-se para traz das barricadas.
Depois, abandonando-as, disparava-se dos telhados.
Por cada granada de artilharia
Tombava um dos serventes
E a cada avanço
Dos cavalos
Também o prestígio tombava.


  1. Pequeno mamífero roedor que dorme durante o inverno.

 

VEJA MAIS POESIA MUNDIAL EM PORTUGUÊS:

http://www.antoniomiranda.com.br/poesiamundialportugues/poesiamundialportugues.html

 

Página ampliada e republicada em março de 2021.

 

Metapoesia

 

Página publicada em março de 2018


 

 

 
 
 
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