Hommage a Guillaume Apollinaire,
por Vicente do Rego Monteiro, Paris, 1960
APOLLINAIRE
“Há algo de infantil no caligrama, e disso não escapam os Caligramas do poeta francês Guillaume Apollinaire, escritos durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918) e publicados em 1918. De fato, o caligrama, por ser escrita-imagem (uma mistura de caligrafia e ideograma), lembra os primeiros passos voltados para a alfabetização, quando a criança desenha e, gradativamente, introduz nos seus desenhos letras, e depois palavras. Entretanto, longe de voltar para uma certa ingenuidade que remeteria ao desejo de uma inocência perdida, o caligrama possui o inigualável poder de erupção. / Erupção dentro da unidade da palavra, erupção na linearidade narrativa do discurso, criando ilhas textuais circundadas pelos brancos que preenchem o papel de sintaxe, erupção, enfim, da visibilidade na legibilidade e do figurativo na ordem do signo lingüístico.” Véronique Dahlet
Palavra de Véronique Dahleta, no prefácio da tradução exemplar e oportuna da obra de Apollinaire, feita por nosso amigo, o poeta Álvaro Faleiros:
Guillaume Apollinaire
CALIGRAMAS
Introdução, organização, tradução e notas de
Álvaro Faleiros
Cotia: Ateliê Editorial; Brasília: Editora UnB, 2008.
ISNB 978-85-7480-405-7 – ISBN 978-85-230-1239-7
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reconheça
essa adorável pessoa é você
sem o grande chapéu de palha
olho
nariz
boca
aqui o oval do seu rosto
seu lindo pescoço
um pouco
mais abaixo
é seu coração
que bate
aqui enfim
a imperfeita imagem
de seu busto adorado
visto como
se através de uma nuvem
Página publicada em fevereiro de 2009. |