DEBAIXO DA PELE
Poema de Antonio Miranda
» Foto de Silvio Zambroni
Sobre a pele
outras peles
como armaduras;
sob a pele
outras peles
como tessituras
indeléveis.
Como camadas
no solo ermo
de cebola ardida:
uma inscrição
inconformada.
Quem é que habita as profundezas
do ser? Com certeza é outro
na superfície mais externa
de sua conformidade.
É-se o quê? Sujeito a que desígnios?
Vestir-se
de todas as peles, fantasiar-se
e desvestir-se de véus
como lâminas
acesas.
Sujeito.
Todos os que fomos
sobrevivem em nós
ostentando perdas e ganhos.
Brasília, 12/05/2006