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PÁGINA ELABORADA POR INDICAÇÃO E DOCUMENTAÇÃO ENVIADA POR

Cristiano Passos criscezarp@gmail.com 

 

Foto extraída de
http://www.poesias.omelhordaweb.com.br

 

PAULO MARCOS DEL GRECO

 

Paulo Marcos Nogueira del Grecco, ou Paulo Marcos del Greco (Espírito Santo do Pinhal, 04 de julho de 1932 – Espírito Santo do Pinhal, 18 de janeiro de 2018) foi um poeta, tradutor e ensaísta brasileiro.

Graduado em Filosofia na Pontifícia Universidade Católica de Campinas em 1960, cursou também História e Filosofia da Arte na Universidade de Londres na década de 1970.

No início da década de 1960, encontraremos alguns de seus primeiros poemas e traduções na diálogo - revista de cultura[1] editada por Dora Ferreira da Silva e Vicente Ferreira da Silva.

Em novembro de 1960 é publicado o seu primeiro livro de poemas intitulado Lamentações de fevereiro[2], Volume 8 de Coleção dos Novíssimos[3] de Massao Ohno). O poema, apresentado por uma citação do Zaratustra de Nietzsche, tem cinco partes numeradas. A terceira é dedicada à poeta (e amiga) Dora Ferreira da Silva.

Biografia extraída de https://pt.wikipedia.org.

 

DEL GRECO, Paulo Marcos. Lamentações de Fevereiro.  São Paulo, SP: Masao Ohno Editora,  /1960/.  33 p.  Capa de Acacio Assunção.(Coleção dos Novíssimos, n. 8)

“A poesia de Paulo Marcos Nogueira del Greco é preservada. Nela as palavras vêm ainda banhada de mistérios noturnos da existência. Suas intuições nos falam de caminhos ainda mal adivinhados. Tudo é obscuro, novo. Não há compromissos com nada que seja decadente. Todas as possibilidades estão ainda em aberto... 
JOÃO CARLOS QUARTIM DE MORAES

 

Paulo Marcos del Greco é um dos poetas mais injustiçados deste país. Publicou um único e excelente livro nos anos 60, Lamentações de Fevereiro, na coleção Novíssimos -- do Massao Ohno. Depois disso, que eu saiba, só um trecho desse poema foi republicado na Antologia Poética da Geração 60, organizada pelos poetas Álvaro Alves de Faria e Carlos Felipe Moisés.

Pode-se até buscar justificativas para isso em sua produção de um livro só. Pode-se também atribuir-lhe a classificação ? criada por Manuel Bandeira ? de poeta bissexto. Mas não consigo engolir nenhuma delas. Afinal, Rimbaud publicou muito pouca coisa e o nosso Augusto dos Anjos ? um livro só. E ainda hoje eles estão aí, vivos, publicados, e presentes em tudo que é história da literatura.

E como vocês poderão ver, nesse trecho inicial do livro Lamentações de Fevereiro, a poesia de Paulo Marcos del Greco é das melhores já publicadas no Brasil. O poema abre exatamente com o mesmo verso com que Camões dá início ao seu célebre poema Babel e Sião. (Sôbolos rios que vão por Babilônia...)       RUBENS JARDIM

 

              III

                a Dora Ferreira da Silva

        
Ai, repete no meu sono
o prodígio dos astros.  Tua ausência
me envolve.  Ergo-a neste gesto de espera
modelado no vento.
Onde ficou meu nome,
onde ficou tua voz
sem meu ouvido
debruçado na noite ?
Se ao menos
tua sombra ressuscitasse
meu gesto sem tempo de renúncias.
Talvez as estrelas erguessem o mar
num veleiro de afagos.
Então virias.  E de longe,
sobre o tumulto das vagas
seria esteira de amor
tua passagem de algas
e alcançarias enfim aquelas praias
onde os deuses brincaram.
Ó noturna, ó absurda,
em que distâncias de nuvens
cegaste meu sono?
Deixa que minha face te cubra
simplesmente.  Há Sibilas ocultas
no cansaço do Sol, preparando a Noite
sob o enigma das pálpebras.
Teço a manhã nos ferros destas Minas
e descubro horizontes ali onde te escondes>
Não que me pese o céu de estanho
ou esse ouro dissimulado no barro
e a circulação de teu nome
entre as áfricas perdidas.
Tu, Marília, (pouco importa chamar-te
Isolda, Mariana, Ofélia) passeias sobre a Morte
e teu olhar suspende o puro acontecer:
para que o mundo seja.

        Que tempo é o teu? Em que distâncias de ontem
teu abraço atravessa a noite inconfidente
para erguer-me no sal limpo das águas?
Saberiam os amantes quando
seus cabelos florescem
na tentativa do afeto?
Não, o amor não é o cofre
onde se oculta a púrpura dos sentidos.
Mas erguer novas estrelas
e ordená-las em constelações.
Talvez a noite
amplie a distância dos astros
e o espaço cresça em nossos dedos
assinalando o infinito.

        Ai, se abandonássemos
um só de nossos dias,
cresceria o ilimitado
adormecido em nós.  Na trama secreta das nossas veias.
E o que é a vida, tu sabes.
Pois dominas a morte sem tempo
a morte com ternura anunciada aos que sabem esperar:
matilha de medos na caça dos sentidos.
Que uma estrela extraviada te sustenha
no arco perfeito da morte mais pura.

        Mergulho minhas mãos no frio do teu sangue
e sinto o vazio escorrer entre meus dedos.
Não foi por isso, não por essa proa lúcida
que mares invisíveis se agitaram.
Bem vês, agrada-me o nada desta carne.
Indiferente à vertigem, meus sentidos
atingem a metade das coisas
pelas quais existo.
Entre luz e treva ergo meu braço
afastando a Lua, repudiando o Sol.
Toca-me fundo para acreditares na mentira
dos sentidos.  O sangue tornado chama
acende a obscura nuvem estelar
do que não encontro.

        Uirapurus sobem ao braço
da Balança inclinada nas águas de Fevereiro.
Antigas esperanças equilibram
o lastro de ter alma.  E tudo é lastro.
Os gestos vagos têm contornos
de pedra no vórtice da espera.
Longe de nós, a curva das estátuas
restaurando os deuses.  Longe de nós
a plumagem dos mitos caçados na fome de amar.
Deslumbrados, os cegos pássaros da alma
pousam no ombro dos deuses tardos
e decifram presságios.

        Um pedido, longamente formulado na noite,
em que a cabeça pendi sôfrega de auroras
na insônia morna do leito
ferindo o ouvido de Febo
como navalhas noturnas
Que pássaros inventados mentiriam
ao ruflar dos enganos?
Ai, Marília, acode
a estas nuvens esquecidas de passar,
vem e inventa o amor no ermo deste sangue
que goteja no seco das chuvas.
Chuva de nada, de voos fechados
no vazio remorso de não amar
e fugir.  Tu, que deste à luz
a face de um povo
e a pura fronte de um deus
na agressividade dos reinos,
ensina o que de ti mesma aprendeste
bordando o ouro das vigílias.

        A noite se dobra
na lâmina que risca
a solidão dos ventos.
Eis-me aqui,
sou Jeremias catando missangas
no chão pisado e repisado
pelos ecos de um tesouro oculto.
Meu lamento sopra como um vento rijo
sobre a mesa onde reis jogam baralho.
O valete segue a dama
pelo horizonte dos verdes:
ai, jamais se encontrarão,
a trapaça persegue
nesse jogo de mágoas,
arrancando-os à fixidez das formas puras.

        Ai, Marília, Fevereiro
e a Balança tramaram
Babilônia
e no tumulto das próprias águas
Câncer
sucumbiu.

 

 

 

Página publicada em agosto de 2018.


       


 

 

 
 
 
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