GERALDO VIDIGAL
Geraldo de Camargo Vidigal, (São Paulo, 18 de novembro de 1921). Poeta, jurista, introdutor do estudo de Direito Econômico no Brasil. Membro da Academia Paulista de Letras[1], onde ocupa a cadeira de número 24 desde 1974. Ex-presidente do Instituto dos Advogados do Brasil, foi catedrático de Direito Econômico na São Francisco.
É membro também da Academia Lusíada de Ciências, Letras e Artes, da Academia Internacional de História e Literatura de Lisboa e da Academia Internacional de Direito e Economia, de São Paulo.
Livros de Poesia: Predestinação (prefácio de Mario de Andrade); Cidade Cantares de amor e solidão; A lira em 101 poemas; A lira em 111 poemas; Edital aos Poetas
MENSAGEM
Para os requintes de morte,
Para as -fanfarras de festa,
Para as tonturas de sono
— Meu verso é a voz que me resta.
Para servir os apátridas,
Para ecoar os profetas,
Para chamar os ausentes
— Meu verso é a voz que me resta.
Para cobrir as distâncias,
Para as mensagens secretas,
Para alçar-se sobre o tempo
—— Meu verso é a voz que me resta.
Para mim e para Glaura,
E Judas, e Madalena,
E Cham, e Cristo, e meus mortos,
Rosas de sangue e verbenas
— Meu verso de braços mortos
E' a triste voz que me resta.
PRESENÇA E PERMANÊNCIA DO LÍRIO
Como um lírio, do sangue e do lodo
Ressurges, inexoravelmente.
Audaz e ingenuamente te projetas
E recortas, rítmico e sereno,
Contra horizontes de vidro fosco
Tua clara silhueta indelével.
Liberto do espaço e do tempo,
Exterior às categorias,
? Que estranhos atributos te situam,
Te determinaram, te perpetuam.
Lírio, nítido lírio de pano rústico?
POEMA DAS MORTE SÚBITA
Defronte à Serra dos Órgãos,
Travestido em girassol,
Bebi dos olhos da amada
Um vinho de morte súbita
— Maria, a dos lábios frios
Como o peito das estátuas,
Na pontinha dos sapatos
Mandava beijos ao sol.
Poemas extraídos da REVISTA BRASILEIRA DE POESIA, número I, de dezembro de 1942. A revista era dirigida por Péricles Eugênio da Silva Ramos, na cidade de São Paulo.
Página publicada em agosto de 2010.
|