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Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

ALKINDAR BRASIL DE AROUCA

“O poeta das Cigarras”

 

Alkindar Brasil de Arouca, o poeta de Guajará-Mirim, nasceu em Borba, no estado do Amazonas, no dia 2 de Janeiro de 1902 e faleceu em Guajará-Mirim, no dia 26 de Setembro de 1962, aos 60 anos de idade.”

Nasceu em Borba, no Estado do Amazonas, no dia 02 de Janeiro de 1902 e faleceu em Guajará-Mirim, no dia 26 de Setembro de 1962, aos 60 anos de idade.”

“O poeta Alkindar Arouca, filho de José Domingues de Arouca e Flávia Brasil de Arouca, chegou em Guajará-Mirim, como Escrivão da Coletoria Federal, em 1928, com apenas 26 anos de idade. Na época, a cidade de Guajará-Mirim ainda era um município do estado do Mato Grosso. Na cidade “Pérola do Mamoré”, Alkindar Arouca, além de brilhar como poeta, foi Tabelião Público, Secretário da Prefeitura e Jornalista. Como o grande poeta chileno Pablo Neruda e os poetas brasileiros João Cabral de Mello Neto, Thiago de Mello e Vinícius de Moraes, Alkindar Brasil de Arouca exerceu um cargo diplomático, no período compreendido entre 1936 e 1951, quando foi Cônsul do Brasil na cidade fronteiriça de Guayaramérin, Bolívia.”

Como grande orador que era, Alkindar Arouca militou também na política e chegou a ser o 2º Suplente de Deputado Federal de 1946 a 1950. Tal como o poeta Olavo Bilac, Alkindar Arouca foi um poeta muito ativo no que tange ao civismo. Presidiu a Associação dos Seringalistas de Guajará-Mirim, da qual foi um dos fundadores; foi Vice-Presidente da Associação Comercial de G. Mirim, da qual também foi um dos fundadores; contribuiu para a fundação da Imprensa de G. Mirim, na qual trabalhou longos anos, por idealismo; participou da fundação do Ginásio Paulo Saldanha, do Aeroclube e da Associação de Proteção à Criança.”

Biografia extraída de https://www.tudorondonia.com/

 

MENDES, Matias Alves;   BUENO, Eunice.   Síntese da Literatura de Rondônia.  Capa: João Orlando Zo1ghbi.  Porto Velho: Genese-Top, 1984. 126 p.   Ex. bibl. Antonio Miranda.

 

Cronologicamente pertenceu à segunda geração romântica de poetas brasileira.

 

Nota: No livro, o sobrenome do autor é registrado como sendo Vespasianos. Na wikipedia aparece Vespasiano.  E explica que atualizaram a ortografia, mas respeitando a pontuação do autor.

 

 

 

CIGARRAS

 

Cigarras que vibrais, quando entardece,
Em magos sons, as cítaras divinas!
Vosso cantar, numa solene prece
A despedir o sol que, entre colinas

Verdejantes, aos poucos desfalece,
Minha alma acorda às emoções surdinas,
De uma saudade atroz que me enlouquece
E traz-me aos olhos gotas cristalinas!...

 

Reviveis dentro de mim triste passado
Em cada harpejo lúgubre, arrancado
De tão gentis quão divinas guitarras!...

 

Cantai, cumprindo a vossa triste sina!
Na grandeza da dor que me fulmina,
Bendigo, ó sim, vosso cantar, Cigarras!



APUZEIROS

 

Num galho vicejante, a grande altura,
Por pássaros levada, a vil semente.
Em meio ao líquem e ao limo se mistura,
Germina com vigor surpreendente.

 

E a Borboleta excelsa, nem pressente
Na mísera plantinha inda imatura,
Que abriga no seu seio ingenuamente
A deletéria sílfide futura!

Anos depois, somente o apuzeiro
Medrava, em lugar do castanheiro,
A quem a vida, a selva havia haurido.

Dos humanos apuís a terra é cheia...
Qual a morácea, vivem à custa alheia...

E a quantos castanheiros tenho eu sido?



A CIGARRA E A FORMIGA

 

Eu sempre fui amigo das cigarras,
Alegro-me ao ouvir-lhes suas cantigas,
A vibração febril das suas guitarras!
Que tangem com prazer e se fadiga!

La Fontaine foi mau com essas bizarras
Cantoras na sua fábula de intrigas
Exprobra-lhes viver cantando em terras
Para pedir depois grãos às formigas.

 

Ociosas, a cigarra é mais honesta
Que a mísera formiga, que só presta
Pra ser ladra, furtar, inseto vil!

Que dilema nos trouxe esta inimiga:
Que o Brasil acaba com a formiga,
Ou a formiga acaba com o Brasil!

 

 

 

TER CARRO
(Paródia)

 

Ter carro é suportar, hora após hora,
Amolações. Ter carro de passeio,
Julgando ter conforto, é devaneio,
É tolice brutal que se deplora.

 

Ter carro é ter um monstro que devora
Ávido gasolina, óleo no freio
E peças de caríssimo custeio,
Em cuja conta o motorista explora...

 

Toda vez que se quebra alguma peça
E o dono vai sofrer lá na oficina,
A turma dos “caronas!” xinga à beça...

 

Meu carro é mais dos outros do que meu!
Ter carro é ter a mais tristonha sina,
Ter carro é padecer qual PROMETEU...

 

 

 

LONGE DE TI

 

Longe de ti, minha mãe querida,
Eu vivo agora triste e solitário...
A custo transpondo meu Calvário
Sem teus conselhos me guiarem a vida.

 

Longe de ti, sou qual nave perdida
Num proceloso mar em noite escura...
Que dum abrigo em vão ando à procura
E bate à rocha fica bi-partida.

Quisera junto a ti só um instante,
Um minuto sequer, passar um dia!
Minh´alma encher de luz irradiante

 

Das tuas lições, que a todas seguiria!
Não o quis, triste fado, e como errante
Da vida sigo a escuridão sem guia!

 

 

 

PARÓDIA DOS LIVROS

 

Vai-se o primeiro livro em debandada,
Mais outro... e outro mais, enfim, dezenas
De livros vão da minha estante, apenas
Pra que os empreste alguém passe a cantada...

 

Á noite, após a lida terminada,
Quando as horas transcorrem mais serenas,
Eu sinto, abrindo a estante, amargas penas,
Ao vê-la, assim, tão pobre e desfalcada...

 

Também os pedinchões, como atordoam!...
Se sabem que eu recebo um livro voam,
Fazendo-me, ao pedir, juras formais...

 

        De Raimundo Correia as pombas voltam,

Mas, os meus livros quando as asas soltam,
À minha estante nunca voltam mais...

 

 

 

 

Página publicada em junho de 2020

 

 

 

 

 


 

 

 
 
 
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