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Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

MANITA


( Maria da Conceição Pires de Mello )

 

é natural de Niterói, tendo exercido na juventude a arte da declamação, antes que se manifestassem nela os dons de poetisa. E Membro-Titular da Aca­demia Niteroiense de Letras, da Academia Fluminense de Letras, do Cenáculo Fluminense de História e Letras e da Academia de Letras do Brasil. E detentora de muitos prémios literários, tais como a Primeira Menção Honrosa no II Concurso Nacional de Poesia, pa­trocinado pela Academia Ribeirãopretana de Letras e o primeiro lugar nas categorias de poemas e de sonetos na XII Grande Festa do Mar, promovida pela Câmara Municipal de Moçâmedes, em Ango­la, além de mais de cinquenta primeiros lugares em Concursos de Trovas realizados nos mais diversos pontos do Brasil. Publicou Reta­lhos de Minha Vida, Degraus do Sonho, Meu Amor, Meu Infinito e Ou­tros Poemas, Louvados e Trovas de Manita.

 

 

 

CALIANDRA: poesia em Brasília.  Brasília: André Quicé Editor, 1995.  224 p.    224 p.     ilus.  ISBN 85-85958-02-2
Ex. bibl. Antonio Miranda

 

OTIMISMO

 

Voa!

Pinta as asas de azul

E alcança o espaço: Voa!

Teu espaço não tem limitação.

Vive!

Sorve em estos de luz

Toda esperança que te resta ainda;

Sonha!

Embala os sonhos que a ilusão não finda...

Canta!

Vive a fonte a cantar, límpida e pura,

Beijando as pedras, a jorrar ternura:

Faz como o forte, esquece as mágoas, canta,

E os soluços , esconde na garganta.

Espera!

Todo inverno antecede a primavera,

e se ainda há sombras pelo teu caminho,

Não desanimes de seguir sozinho,

Alguém virá ao teu encontro, espera...

Confia!

Após a chuva, o céu acende estrelas,

Abre as asas e voa: podes vê-las,

A nuvem passa e fica azul, confia...

Ama!

Ilumina esse olhar, todo ventura,

No brilho de outro olhar que o teu procura;

Abraça alguém que busca os teus abraços...

E segue a trilha dos teus próprios passos...

De que te serve andar sozinho, a esmo,

Na mais completa ausência de ti mesmo?

Abre as asas e voa! Pode ser

Que tu, que já não crês, voltes a crer.

Transforma as cinzas de apagada chama

Em labaredas de esperança,

E ama!

 

NOSSAS MÃOS, NOSSO MUNDO

 

As tuas mãos, hercúleas, vigorosas,
Que caminham vazias, sem destino,
Esconderam teus sonhos de menino
Em minha mãos vazias e medrosas;

 

E o nosso grande mundo pequenino
Coube inteirinho em nossas mãos nervosas:
Eram preces de amor, maravilhosas,
De amor puro, total, quase divino!

 

E depois, vindo o adeus das horas mansas,
Foram elas que ungidas de amargura
Embalaram remotas esperanças...

 

 

E hoje, se eu te pressinto e me adivinhas,
Posso ouvir, num milagre de ternura
Tuas mãos a rezar dentro das minhas!

 

 

 

LEILÃO

 

Quem quer comprar silêncios escondidos

Em tudo que se fala e não se diz?

Quem quer comprar retalhos de promessas,

E um poema de amor, rezado às pressas,

E um passaporte pra nehum país?

Eu tenho uma ilusão, quem quer comprá-la?

Eu fiz uma canção, quem quer cantá-la?

E quem me compra velha cicatriz?

Eu tenho um coração com quarto e sala,

E uma saudade antiga que se cala,

Porque não pode me fazer feliz!...

E as algemas que sangram nos meus pulsos,

E a razão que acorrenta os meus impulsos,

  E o meu pranto, do avesso a transbordar?

E a tristeza das minhas mil risadas,

E a certeza de tudo nos meus nadas,

E os desenganos meus, quem quer comprar?

Quem me compra uma velha carruagem

Passeando caminhos sem viagem,

Semeadas venturas sem brotar?

Quem me compra os pincéis e as aquarelas,

Com que eu pinto distâncias paralelas

Na tela imensa das desilusões?

E o céu bordando a tarde nas janelas,

Quando escuto as cigarras tagarelas

No meu peito a cantar velhas canções?

Quem quer comprar farrrapos de esperanças

Pendurados ao longo das lembranças,

Lá no outono do não acontecer?

E as saudades dos tempos de menina,

E a centelha de paz que me domina,

Mas me divide entre o descrer e o crer?

 

E ao findar o leilão onde me exponho,
Rasgando o peito, a descoberto o sonho,
Sombra desfeita, a descoberto a luz,
Da escadaria do meu desassombro,
Ponho um braço da cruz em cada ombro,
E bendigo, chorando, a minha cruz!

 

BALADA DO MEU REGRESSO

 

Eu trouxe os olhos tintos de auroras

Na minha volta crespuscular;

Eu trouxe chagas nos meus caminhos:

Rubras andanças a te buscar;

Eu trouxe gestos num grito amorfo,

Que foi silêncio junto de ti;

Eu trouxe os sonhos que me restaram

 

Da noite ansiosa de te querer;
Eu trouxe as horas que não tivemos,
Para a certeza de te encontrar;
Trouxe nos lábios rios de sede,
Para os teus lábios feitos de mar...
Eu trouxe os braços frios de sombras
Para os teus braços de me envolver;
Trouxe o meu tempo feito saudade,
Para o impossível de te esquecer!
Trouxe o poema das mãos em prece,
Para que juntos possamos crer.
Trouxe as promessas dos tempos idos,
Para a ternura tão de nós dois;
Trouxe as sementes da flor do sempre,
Para a esperança colher depois...
Trouxe alegria no meu regresso,
Voltei tranquila para te amar:
Livre das garras dos preconceitos,
Eu trouxe a vida para te dar!

 

 

SONATA

 

Eu sei que você quer que seja assim:
Só momentos felizes como agora,
Todo sonho do mundo em cada hora,
Depois eu sem você, você sem mim;

 

E a saudade do instante que demora,
Tão profunda, tão nossa, tão sem fim,
E minha alma a buscar sua alma afim,
Por onde andamos, infinito afora...

Eu sei que você quer dessa maneira:
Que um só minuto dure a vida inteira,
Sem promessa, sem antes nem depois;

Até que um novo encontro em novas luas,
Venha esconder as minhas mãos nas suas,
Na ternura de um céu só de nós dois!

 

 

SILÊNCIO DAS MÃOS

 

Abre as tuas mãos, devagarinho

Assim como quem recolhe pétalas de estrelas

Nas dobras da madrugada...

Abre as tuas mãos, devagarinho,

Assim como quem desfolha rosas de ternura...

Abre as tuas mãos devagarinho,

Assim como quem folheia no livro do passado

As páginas da espera...

 

Fecha as tuas mãos devagarinho,

Assim como quem guarda a chave dourada

Do jardim das lembranças...

Fecha as tuas mãos devagarinho,

Assim como quem acompanha na catedral da alma

A procissão dos sonhos infinitos!

Fecha as tuas mãos devagarinho,

Assim como quem embala uma tarde de outono:

E guarda dentro delas,

Aquele beijo que ficou no ar,

A ventura que é feita de esquecer,

Na saudade que é feita de lembrar...

Guarda em tuas mãos, devagarinho,

Todo pranto que morre sem chorar!

 

 

 

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Página publicada em janeiro de 2021

 

 

 

 

 

 

 


 

 

 
 
 
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