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Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Foto e biografia: https://pt.wikipedia.org

 

LEONCIO CORREIA

 

Leôncio Correia (Paranaguá, 1 de setembro de 1865 - Rio de Janeiro, 19 de junho de 1950) foi um advogado, escritor, jornalista e político brasileiro.

Filho de João Ferreira Correia e Carolina Pereira Correia, ficou órfão aos seis anos, já que seu pai faleceu, em 1865, aos 33 anos de idade. Logo acolhido pelos tios, personagens célebres do campo político local e nacional, tendo tido como patrono o Comendador Ildefonso Pereira Correia, principal empresário ervateiro do estado (do Paraná) e irmão do Senador Correia, alto funcionário do Império e com ampla inserção na Corte.

Exerceu os cargos de diretor da Instrução Pública do Rio Janeiro, diretor do colégio Dom Pedro II, diretor da Imprensa Nacional, diretor do Instituto de Educação do Rio de Janeiro, deputado federal e deputado estadual pelo Paraná.

Leôncio Correia foi o pioneiro na homenagem ao Dia da Bandeira: em 1907, ainda diretor da Instrução Pública, tornou obrigatória nas escolas primárias a Festa da Bandeira.

Apesar de ter sido formado em Direito por uma faculdade em Niterói, nunca chegou a exerceu a advocacia e a magistratura. Sempre foi um defensor da liberdade pública. Publicou diversos livros ao lado de Machado de Assis, Olavo Bilac e outros.

Membro da Academia Paranaense de Letras, no Instituto Histórico e Geográfico do Paraná, da Academia Carioca de Letras, da Federação das Academias de Letras, no Instituto Brasileiro de Cultura, e outras instituições literárias.

 

Poesia: Frauta de Outono (poesia); Perfis (sonetos); Meu Paraná (crônicas e versos).

 

Extraído de

 

ALBUM DE POESIAS.  Supplemento d´O MALHO.   RJ: s.d.   117 p.  ilus. col.  Ex. Antonio Miranda

 

 

REZENDE, Edgar.  O Brasil que os poetas cantam.  2ª ed. revista e comentada.  Rio de Janeiro: Livraria Freitas Bastos, 1958.  460 p.  15 x 23 cm. Capa dura.   Ex. bibl. Antonio Miranda

 

 

 

A BOIADEIRA

 

 

"Eih! banoso! hôah! pintado!
Anda danado!
Move êsses pés, alma vilã!
Eih! hôah!"

E alegre, e em bando, a passarada voa,
Povoando de trinados a manhã.

 

A boiadeira é um mulherão bonito.
Alta, trigueira,

Tendo no olhar o vago do infinito

Das noites sem luar.

Lenço de chita à fronte, a boiadeira

Toca os bois, de aguilhão... Põe-se a cantar.

 

Acompanham seu canto os passarinhos,
Que a vão seguindo Em festival rumor;
Que alegria animando Esses caminhos
Tão longe dos humanos borborinhos
E sob o azul de um céu encantador.

 

"Eih! hôah!"

Grita, zanga-se, e depois

Colhe uma flor silvestre, enquanto,

Num recanto

Bebem da água fresca da lagoa
Os fortes, rudes, generosos bois.

 

Tão cedo! e já motucas vêm, em bando,
Assetear-lhes o dorso, e êles, então,
Mugem tranquilamente rabejando,
A quando e quando.

Para enxotá-las. .. Um trabalho em vão!

 

E recomeça a viagem.   Uma poeira
Fina e vermelha para trás ficou...
Canta, trinando, a linda boiadeira:
Que anjo do céu a voz lhe modulou?

 

De súbito estremece: a voz se extingue
Nessa garganta em que, cativa,
Gorgeia a alma dos pássaros (viveiro
Pingue

De uma harmonia celestial):

E pelo rosto seu trigueiro,

Que a chama ardente da paixão aviva,

Se alastra o sangue fresco e puro

De um maduro

Morangal...

 

Bate-lhe o coração acelerado;
Arfa-lhe o seio

Em ondas, ante o moço bem amado

Que na curva da estrada apareceu;

E nesse doce enleio,

Olhos no chão, semi-risonha,

Ela tem a atitude de quem sonha

Um altar, uma igreja, um himeneu...

 

De cima do árdego tordilho,
Laço nos tentos, o caboclo guapo,
"Bom-dia!" diz-lhe, de chapéu na mão,
"Bom-dia!" ela responde... E há tanto brilho
Da cabocla morena na beleza,
Que até parece uma princesa

Envolta no disfarce de um farrapo
Para dar liberdade ao coração.

 

"Apeie". Apeia. E, como uma criança,
Timidamente avança,
Incerto o passo,

No apogeu da emoção que o amor provoca,

Entre as mãos, o chapéu,

Vem enrolando,

Vem desenrolando

Com um desembaraço

Que a ingénua raia da tolice toca...

Tanta é a ventura dela se acercando,

E tanto, por seus olhos, bebe o céu.

 

 

Daí a alguns instantes,
O medo, o susto, a covardia,
Cedem lugar a intrépida ousadia,
Apanágio do verdadeiro amor;
E da paixão nos estos delirantes,
Colam as bocas longamente,
Deliciosamente,
Voluptosamente,

Vivendo, em tal minuto, essa existência

De divina demência,

Que é o sonho azul da mocidade em flor!

 

Quase não falam; quase

Não perdem, com uma frase

Êsse instante veloz

A mudez sugestiva dando ensejos;

Que fala muito mais amor com os beijos

Que com a voz.

 

Nessa manhã de vida bem vivida,
Tendo no coração o palpitar de uma asa,
Presas as mãos, em êxtasis profundo,
Destarte, olhar no olhar, se quedaram os dois:

Ele — esquecido do mundo,
 Ela — esquecida da casa,
E esquecida
Dos bois...

 

 

 

Página publicada em março de 2019; ampliada em dezembro de 2019

 

 


 

 

 
 
 
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