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Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Foto: Editora Penalux

 

BIOQUE MESITO

 

Bioque Mesito é poeta, nascido sob o sol de aquário em 3 de fevereiro de 1972, em São Luís-MA. Possui vários prêmios em concursos de poesia em âmbito local, regional e nacional. É autor dos livros de poesia A inconstante órbita dos extremos (Editora Cone Sul-SP, 2001), A anticópia dos placebos existenciais (Edfunc-MA, 2008) e A desordem das coisas naturais (Editora Penalux-SP, 2018).

 

 

CAMPANÁRIO

 

acordo com os beijos de minha mulher

sobre meu peito pedindo indelicadezas

a página cinquenta e cinco de kenzaburo oe

trespassa minha alucinação neste instante-pássaro

o dia começa pela bunda dela despida

que me sugere continuarmos na cama

até mais tarde

no youtube charlie parker

adoça meu café entre as pernas dela

 

 

quando estava lá pediu que eu

parasse que seguiria ao closet

fechou a porta apagou as luzes

de repente surgiu todinha nua

maluquice da minha mulher

tatuar um buda em sua xoxota

 

 

ESCAPULÁRIO

 

penduro roupas velhas no terraço de casa

a manhã nem bem começou ainda

com doze reais e vinte e cinco centavos

o bolso contrasta com a geladeira vazia

no meu mapa-múndi não existe infelicidade

há muito deixei de pensar nesta existência

os filmes dos irmãos coen contribuem

para que eu possa encontrar minha paz

uma inquietante dúvida me persegue

estou no avesso dos que não amam

estátua pálida esperando por visita

no sol quente atravesso a rua pensando

que tudo tem uma necessidade de ser

um pé de cactos cresce em minha janela

 

 

 

DOCS

 

1) naquele elevador entre contratos cópias livros

uma mulher de saia marrom e sobrancelhas graúdas

me pediu uma flor acabei lhe dando múltiplos espinhos

era meu amor

 

2) um beijo roubado foi o estopim nem mesmo a chuva nos separava

aos domingos seus seios eram um banquete para meus lábios

aos poucos fui sentindo o cheiro de seu sexo entre meus dedos

 

3) estávamos apaixonados

 

4) mas uma outra mulher atravessou nosso caminho

acertando meus olhos boca sexo

meu amor foi ficando cada vez distante

 

5) marcamos nosso casamento entre raios e trovões

 

6) éramos felizes e a rotina

apenas um nome esquecido

na estante da biblioteca

 

7) mas vieram contas brigas ciúmes

 

8) certa noite me jogou todos os demônios

possíveis resolvi desistir na manhã seguinte

arrumei a mala partindo para o inesperado

 

9) essa estória não deveria ser como os personagens de Almodóvar

 

10) minhas asas não sabiam que rumo seguir

se eu tentasse me colocar acima do que imagino

ser minha vontade acabaria por me despedaçar

as crianças vão crescer e entenderão todos esses sins e nãos

 

11) estamos ficando velhos

fincados em um mundo que muito nos roubou

um dia olharemos para trás

 

12) a mulher daquele elevador vazio

nunca deixará de habitar meus primitivos desejos

repousando sempre em meus profundos sonhos

 

13) por enquanto tento viver

 

 

 

 

ANTI

 

às vezes o tempo alucina

parte de minhas vértebras

conheço mais beijos selvagens

que suaves segredos

a noite pousa na braguilha

das fêmeas famintas

só há um norte para libido

um pássaro que não quer partir

do rigoroso inverno

me compreende mais que tudo

 

 

 

ETERNIDADE MÍNIMA

 

estou cego

e a coleção completa dos filmes

de lars von trier ainda não assisti

o gato que antes passeava pela minha

imaginação agora só dorme no tapete

entre todos estes combalidos anos

não encontrei o lado b da vida

que consiga me causar espantos

ou a mulher de beijos estonteantes

que me faça negar meus pedros

estou cego

e a felicidade é só mais um lúdico cartaz

os fantasmas que nunca ousei encarar

riem das minhas fotos de casamento

amigos me culpam pelo crasso silêncio

mesmo a guerra não declarada

do meu comportamento antissocial

é capaz de compreender

os carinhos extremos dos amantes

da ponte neuf

estou cego

e cada vez mais os sorrisos recuam

os amores não mais se reconhecem

o absurdo sepulta em mim seu engano

na incerteza cambaleante de continuar

 

 

pediu que eu viesse com calma

abriu o zíper virou-se de costas

beijei-lhe o pescoço as nádegas

a virei de frente desci a calcinha

suguei os seios a batata da perna

 

 

 

Página publicada em outubro de 2019. Poesia maranhense


 

 

 
 
 
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