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HENRIQUES DO CERRO AZUL

HENRIQUES DO CERRO AZUL

 

Francisco Henriques Leite, cearense do distrito de Cerro Azul, município de Quixadá, Ceará.

Na Radio São Luiz a ativista cultural convida para evento literário na cidade. No programa palestras, oficinas literárias e declamação de poemas de grandes autores inclusive clássicos. "Nos poetas crescemos muito lendo estes escritores", ela disse. Esta expressão explica a grandiosidade da obra de HENRIQUES DO CERRO AZUL. Este autor tem sua origem artística no

pai, o saudoso poeta Francisco Leite Serra Azul, que mostrou determinação em influenciar o filho a ler grandes poetas de todos os tempos. Isso fez com que Henriques tivesse seu primeiro poema publicado em jornal aos 14 anos.

 

Conhecido e reconhecido (recebeu o título de Primeiro Príncipe da Poesia Brasileira, no II Concurso Nacional da Família Real da Poesia, tendo recebido 681.300 votos) em vários Estados, HENRIQUES DO CERRO AZUL identifica-se com o que ha de melhor na poesia universal. Sua obra retrata por completo o conteúdo obrigatório da disciplina de Literatura, das escolas de Ensino Medio, quando o tema é versifícação, parnasianismo e simbolismo.     Luíz Henrique Borck – Editor

 

Poemas selecionados por Anderson Braga Horta

 

AUSÊNCIA

 

Por que demoras tanto? Cada instante

Se arrasta como uma hora vagarosa;

E há tanto que te espero, esbelta rosa,

Rainha e dona do meu peito amante.

 

O tempo, nessa marcha preguiçosa,

Faz de um minuto um século hesitante,

Que não quer avançar, ir para diante,

Nem dar-me a tua imagem vaporosa...

 

Chegas, enfim, e pagas a demora

Com um beijo, quase a me dizer: "Perdoa!"

E abres no riso uma esplendente aurora.

 

Todo me enlevo em tua imagem boa...

E o tempo que parou, meu Deus, agora

Que estás aqui, como ligeiro voa!

 

 

O SONHO

 

Gozar a vida? Só por intermédio

Do sonho. O gozo, no correr dos dias,

Todas as ilusões e as alegrias

Tornam-se tema para um epicédio...

 

Só o sonho é que serve de remédio

A tão grandes e tantas nostalgias,

Pois em meio de mágoas tão sombrias

Até o próprio amor nos causa tédio.

 

O sonho, não! O sonho não nos cansa!

Bendita, pois, a mística esperança

E todo aquele que consegue tê-la...

 

Pois é o sonho que faz, bendito engano!

A gota d'água se julgar oceano

E o pirilampo se julgar estrela!

 

 

LUTA

 

Eu sei compreender a Dor Humana,

A angústia universal, a ânsia terrível

Que une todos os homens e os irmana

Na busca da Ventura inatingível!

 

Pois a Arte, a Religião, a Ciência insana,

A procura do Bem incognoscível,

Toda a Filosofia que promana

Do homem, é apenas pela Dor possível!

 

Tudo isto é a luta universal acesa

Do ser Humano contra a Natureza;

É a luta! E pela luta, em toda a parte,

 

Desvendam-se os segredos e os mistérios,

Surgem a Ciência, a Religião e a Arte,

E crescem as cidades e os impérios!

 

 

O JUAZEIRO

 

Quantos falam de ti, por que és virente,

Quando a seca fatal, requeima e abrasa.

Não há um pingo d'água na corrente,.

Não há no espaço morto uma só asa.

 

O sol, como urna exclamação ardente,

Arde rubro no céu, como uma brasa,

E os retirantes deixam tristemente,

À mercê do abandono, a sua casa...

 

Mas porque ficas enfrentando a tudo,

Quando tudo em redor é seco e mudo,

Quando tudo é deserto e abandonado,

 

Ó Juazeiro, és um símbolo profundo:

Pois representas para o desgraçado

Que há sempre uma esperança neste mundo!

 

 

O FERREIRO

 

É forte, musculoso, alto e grisalho;

Dentro daquela furna estreita e morna,

Ao malho que rebate e que retorna,

Da ao ferro outra forma em seu trabalho.

 

Tudo da luz braseada então se entorna:

E araponga que grita em alto galho,

Grita, arrogante, novamente, o malho

Batendo sobre o ferro na bigorna!

 

E ao ferro outra feição, outro proveito,

Vai dando... Assim também do mesmo jeito

Eu transformo as angustias do meu Dia...

 

Ah! na bigorna dos meus sofrimentos,

Ferreiro singular, eu, em poesia,

Vou transformando as dores e os tormentos!

 

 

Página publicada em julho de 2009

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