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Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 
 

CARLOS VAZCONCELOS

 

O autor cursou Letras na Universidade Estadual do Ceará (UECE) e Mestrado em Literatura Comparada na Universidade Federal do Ceará (UFC). Publicou Mundo dos vivos (2008) e Os dias roubados (2013). Apresenta o projeto Bazar de Letras (SESC).

 

Para MAMÍFEROS. N. 4, 2017.  Fortaleza, CE: CTP Impressão e Acamaento, 2017. Editores Glauco Sobreira, Jesus Irajacy, Pedro Salgueiro, Francisco Siqueira, O Poeta de Meia Tijela. Jornalista responsável: Nerilson Moreira. ISSN 2176-2805

 

         Depois da Aurora

         Ora, quando dei por mim
         o mato já estava alto
         e minha alma mergulhada
         na floresta do insensato

         Quando quis olhar pra fora
         não vi o verde que havia
         as janelas se fecharam
         sobre a varanda do dia

         Depois veio tempestade
         não quis saber de alegria
         quando a lua me chamava
         eu fingia que não via

         Fazia dos meus poemas
         a minha biografia
         da minha maior mentira
         frase para a laje fria

         Demorou, ressuscitei
         com a chegada da Aurora
         o que antes era século
         tornou-se fração de hora

         Depois da noite ela veio
         como quem não vai ficar
         inconstante, imprevisível
         feito as ondas desse mar

 

         Relatos de uma noite mal dormida

         A cadeira de balanço do meu avô
         ainda range sobre os tacos de madeira.

         Lá fora, os pregões ainda vêm da feira,
         quentando o alumínio frio da chaleira.

         O candelabro reina ente os castiçais.
         Cômodas incômodas em seus cantos seculares.
         Alcovas alcoviteiras retêm segredos.
         Maçanetas maçantes nunca mais abriram o dia.
         Criados-mudos soletram versos parnasianos.
         O lampião de gás adormece o fogo fugaz.
         A cama de cedro dorme tarde acorda cedo.
         O baú sobrenatural esconde babaus.
         A lareira não acende mais fogueira.
         O relógio de parede emparedou-se no tempo.
         O chapéu e a bengala esperam a festa de gala.
         O sino, em sua sina, faz o sinal da cruz.
         O telhado da estalagem estala últimos suspiros.
         O ferrolho enferrujado fecha o passado.
         O pó do porão encerra o poema.

 

 

 Página publicada em fevereiro de 2018

        


 

 

 
 
 
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