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Sobre Antonio Miranda
 
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 





ANTERO DE QUENTAL
(1842-1891)

Antero Tarquínio de Quental nasceu em Ponta Delgada, no dia 18 de Abril de 1842. Desenvolveu uma intensa actividade no campo da escrita, da política e da produção de ideias.

Dotado de uma personalidade complexa, sofreu as oscilações de um carácter rico com uma expressão evidente na sua obra poética. Com efeito, Quental desenvolveu uma actividade intervencionista que se traduziu numa intensa actividade crítica.

O poeta filósofo acreditava no progresso social que só poderia ser uma realidade com a implantação do socialismo. A par do seu lado combativo, Antero é um homem que na sua ânsia de infinitude, procura através da filosofia descobrir os mistérios existenciais. Fonte: www.citi.pt/cultura/literatura/poesia/quental

Obra poética: Odes Modernas (1885); Primaveras Românticas (1872); Raios da Extinta Luz (1892); Sonetos Completos (1886)

 

TEXTOS EM PORTUGUÊS  / TEXTOS EN ESPAÑOL

 

A  M. C.

 

No Céu, se existe um céu para quem chora,

Céu para as mágoas de quem sofre tanto ...

Se é lá do amor o foco, puro e santo,

Chama que brilha, mas que não devora ...

 

No Céu, se uma alma nesse espaço mora,

Que a prece escuta e enxuga o nosso pranto ...

Se há pai, que estenda sobre nós o manto

Do amor piedoso ... que eu não sinto agora ...

 

No Céu, ó virgem! findarão meus males:

Hei-de lá renascer, eu que pareço

Aqui ter só nascido para dores.

 

Ali, ó lírio dos celestes vales!

Tendo seu fim, terão o seu começo,

Para não mais findar, nossos amores.

 

 

IDILIO

 

Quando nós vamos ambos, de mãos dadas,

Colher nos vales lírios e boninas,

E galgamos dum fôlego as colinas

Dos rocios da noite inda orvalhadas;

 

Ou, vendo o mar, das ermas cumeadas,

Contemplamos as nuvens vespertinas,

Que parecem fantásticas ruínas,

Ao longe, no horizonte, amontoadas:

 

Quantas vezes, de súbito, emudeces!

Não sei que luz no teu olhar flutua;

Sinto tremer-te a mão, e empalideces ...

 

O vento e o mar murmuram orações,

E a poesia das coisas se insinua

Lenta e amorosa em nossos corações.

 

 

ESPECTROS

 

Espectros que velais, enquanto a custo

Adormeço um momento, e que, inclinados

Sobre os meus sonos curtos e cansados,

Me encheis as noites de agonia e susto!

 

De que me vale a mim ser puro e justo,

E entre combates sempre renovados

Disputar dia a dia à mão dos Fados

Uma parcela do saber augusto,

 

Se a minha alma há-de ver, sobre si fitos,

Sempre esses olhos trágicos, malditos!

Se até dormindo, com angústia imensa,

 

Bem os sinto verter sobre o meu leito,

Uma a uma verter sobre o meu peito

As lágrimas geladas da descrença!

 

 

O QUE DIZ A MORTE

 

«Deixai-os vir a mim, os que lidaram;

Deixai-os vir a mim, os que padecem;

E os que cheios da mágoa e tédio encaram

As próprias obras vãs, de que escarnecem ...

 

Em mim, os Sofrimentos que não saram,

Paixão, Dúvida e Mal, se desvanecem.

As torrentes da Dor, que nunca param,

Como num mar, em mim desaparecem.» —

 

Assim a Morte diz. Verbo velado,

Silencioso intérprete sagrado

Das coisas invisíveis, muda e fria,

 

É, na sua mudez, mais retumbante

Que o clamoroso mar; mais rutilante,

Na sua noite, do que a luz do dia.

 

COM OS MORTOS

 

Os que amei, onde estão? idos, dispersos,

Arrastados no giro dos tufões,

Levados, como em sonho, entre visões,

Na fuga, no ruir dos universos ...

 

E eu mesmo, com os pés também imersos

Na corrente e à mercê dos turbilhões,

Só vejo espuma lívida, em cachões*,

E entre ela, aqui e ali, vultos submersos ...

 

Mas se paro um momento, se consigo

Fechar os olhos, sinto-os a meu lado

De novo, esses que amei: vivem comigo,

 

Vejo-os, ouço-os e ouvem-me também,

Juntos no antigo amor, no amor sagrado,

Na comunhão ideal do eterno Bem.     

 

*caixões

 

 

CONSULTA

 

Chamei em volta de meu frio leito
As memórias melhores de outra idade,
Formas vagas, que às noites, com piedade,
Se inclinam, a espreitar, sobre o meu peito...

E disse-lhes: — No mundo imenso e estreito
Valia a penas, acaso, em ansiedade
Ter nascido? dizei-mo com verdade,
Pobres memórias que eu ao seio estreito...

Mas elas perturbaram-se — coitadas!
E empalideceram, contristadas,
Ainda a mais feliz, a mais serena...

E cada uma delas, lentamente,
Com um sorriso mórbido, pungente,
Me respondeu: — Não, não valia a pena!

 

 

 

 

 

TEXTOS EN ESPAÑOL

Trad. de José Antonio Llardent

 

 

A  M. C.

 

En el Cielo, si lo hay para el que llora,

para las penas de quien sufre tanto;

si es del amor el foco puro y santo,

llama que brilla pero no devora;

 

si en espadas del Cielo un alma mora

que escucha el rezo y nos enjuga el llanto ... ;

si hay padre, que nos cubra con el manto

de amor piadoso -que no siento ahora ...

 

El Cielo, oh Virgen, quebrará mis males:

allí he de renacer, yo que he venido

al mundo a padecer sólo dolores.

 

Allí, lirio de valles celestiales,

teniendo fin también habrán nacido,

para no terminar, nuestros amores.

 

 

IDILIO

 

Cuando vamos los dos, las manos dadas,

cogiendo en valles lirios y boninas,

y vencemos de un soplo las colinas,

del rocío nocturno aún orvalladas,

 

o contemplando el mar desde peladas

alturas vemos nubes vespertinas,

que parecen fantásticas rumas

en lejano horizonte amontonadas:

 

¡cuántas veces de súbito enmudeces!

No sé qué luz en tu mirar fluctúa;

siento temblar tu mano, palideces ...

 

Mar y viento susurran oraciones,

y el poema del mundo se insinúa,

lento, amoroso, en nuestros corazones.

 

 

ESPECTROS

 

¡Espectros que veláis cuando a disgusto

me adormezco un momento, y que inclinados

sobre mis sueños breves y cansados

llenáis las noches de terror adusto!

 

De qué me vale a mí ser puro y justo

y entre combates siempre renovados

disputar día a día de los Hados

una parcela del saber augusto,

 

si- mi alma habrá de ver sobre sí inscritos

siempre esos ojos trágicos, malditos,

¡si en un sueno de angustias desoladas

 

los siento yo verter sobre mi lecho,

una a una verter sobre mi pecho,

sus descreídas lágrimas heladas!

 

 

LO QUE DICE LA MUERTE

 

«Dejad venir a mí a los que lucharon;

dejad venir a mí a los que padecen,

y a aquellos que con tedio contemplaron

sus vanas obras, y las escarnecen.

 

En mí dolores que os acibararon,

Duda, Pasión y Mal, se desvanecen.

Torrentes de aflicción que no cejaron,

en mí, como en el mar, desaparecen.»

 

La Muerte ha hablado así. Verbo velado

y silencioso intérprete sagrado

de todo lo invisible. Muda y fría.

,

Pero es en su mudez más retumbante

que el clamoroso mar, más rutilante­

desde su noche que la luz del día …

 

 

CON LOS MUERTOS

 

(Dónde están los que amé? Idos, dispersos,

girando en torbellinos siderales,

llevados como en sueños irreales

en la fuga y derrumbe de universos …

 

Yo mismo estoy, en la corriente inmersos

mis pies a la merced de temporales.

ante la blanca espuma que a raudales

envuelve, aquí y allí, bultos diversos ...

 

Mas si paro un momento, si consigo

cerrar los ojos, siento que a mi lado

de nuevo los que amé viven conmigo.

 

Les veo y oigo, a mí me ven también,

juntos en el antiguo amor sagrado,

comunión ideal de eterno Bien.  

   

 

Extraidos de QUENTAL, Antero de.  SONETOS SELECTOS. Madrid: Visor Libros, 1998.  95 p. (Colección Visor de Poesía)   ISBN 9 788475 223834

Se puede adquirir el libro em: http://www.visor-libros.com

 



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