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IDEOGRAMA VERBAL: DO VERBIVISUAL AO ANIMAVERBIVISUAL E À ANIMAVERBIVOCOVISUALIDADE

 

por ANTONIO MIRANDA

 

Os “ismos” no movimento poético sumiram. Os manifestos desapareceram. Ou não... Novas formas de e para a construção do poema continuam aparecendo, de tempos em tempos. Alguns dos mais recentes são o poemas de 140  toques (que ensejou o concurso “140 toques no Twitter” da Fliporto Digital, em Pernambuco). São muitos os exemplos no Brasil, nas últimas décadas... Na França, no fim do século, entre as variantes da Poesia Visual, praticavam a Typoésie... Na terra de Mallarmé, que ensaiou o poema tipográfico, redescobriram a tipografia, ou a letra na página em branco, para reformular o poema.


        O Concretismo brasileiro, que soube cristalizar uma busca internacional em teoria e formato, já caminha para ser septuagenário!!! É certo que reformulou mais as artes gráficas do que a poesia, mas também esta foi radicalmente influenciada, por que seguir negando? Ortodoxias de lado, foi um tratamento de choque na poesia nacional que se esgotava no modernismo e não se renovava com a Geração de 45, com sua volta às origens...  Mas... tudo válido, tudo bem!!!

        A diferença é que agora ninguém quer superar nada. Quer transformar, dar novas formas, criar alternativas. Mas tem algo novo, ou semi-novo... é que os poetas praticam um hibridismo voluntário aproximando a poesia de outras manifestações artísticas: pintura, performances teatrais, instalações no espaço urbano valendo-se das artes plásticas e teatrais, além da experimentação com as tecnologias ao seu/nosso alcance, desde as da computação às que existirem à disposição... Poema sem verso... Poema sem palavra. Vale tudo. Em verdade, são processos de objetivação, de coisificação, de exteriorização da comunicação humana, no caso, pela poesia combinada com outras artes e literaturas. Em verdade, esta relação entre as artes vem de sua origem. A poesia já esteve mais ligada ao teatro, à dança, à arquitetura e acontecia para registrar sentimentos e conhecimentos, afetividades e saberes científicos, religiosos e profanos. Mudou mais no formato e no suporte do que no essencial (?!?!).

        Pois é, poesia... diria Décio Pignatari, que nos ensinou, pela semiótica, a entender a estrutura do poema, em seus ensaios extraordinários. E o nosso Wlademir Dias-Pino que entendeu que a poesia não está na palavra escrita, mas no mundo; e que é possível fazer o poema sem palavras, que elas surgem na relação com a “leitura” do poema, na leitura de mundo... Ou seja, é possível ir da palavra ao objeto, como é possível ir do objeto à palavra, numa dialética que é fundamental na poesia e em qualquer forma de comunicação humana.

        Dessas indagações é que me aventurei pela animaverbivocovisualidade e suas formas mais próximas, embora mais limitadas: verbivisual, verbivocovisual...

        Mudando de assunto, mas para voltar ao mesmo assunto...

        Sempre me culpei por não ser capaz de fazer duas coisas em criação poética: cordel e poesia infantil, depois de tentar de tudo em poesia: levar o poema à música, ao teatro, à pintura, à escultura, ao espaço virtual, além do soneto lírico e do verso “participante”. Além da antipoesia, na linha do Nicanor Parra. Curiosidade, desafio, desejo de experimentar, de conhecer.

 

Descrição: http://www.antoniomiranda.com.br/poesia_visual/img/danirham_eros22.jpg

        Foi quando surgiram meus “ideogramas verbais”, lá pelos anos 60 do século passado. Inspirados no concretismo. Uma das trilhas criativas era transformar um substantivo em verbo... ou vice-versa. Um bom exemplo é o DESEMBARQUE, que já foi publicado até em livro-texto em seus 50 anos de existência... Eu não pretendia que fosse “poema” mas queria que fosse poesia... Inventei a expressão “arte verbal de vanguarda” para participar, em 1962, de movimentos de vanguarda na Argentina com Gyula Kosice e Eduardo Vigo, os irmãos Campos bonairenses, irmãos nas artes... Anos depois Jakobson usou esta expressão em seus ensaios numa acepção mais literária. É possível que, muito antes, alguém já tenha usado algo parecido... É o caso do poema concreto e do ideograma, que as pessoas acham que são coisas do século passado, mas que existiam exemplos desde os gregos clássicos à medievalidade...

 

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        Mais recentemente, experimentando as novas tecnologias, eu pensei em fazer um livro de poemas visuais para crianças... Com a ajuda do webdesigner Juvenildo Barbosa Moreira – Nildo - (assim como o Augusto de Campos teve o auxílio do Julio Plaza, sem pretender equiparar-nos a estes grandes mestres), propus a animação de “TRANSVERSAL” e “CRUZADO”. Era para mostrar que a palavra podia figurar a coisa, ser um ideograma verbal....

 

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        Fiz outros, e achei que eram para qualquer idade, sendo ou não poesia... Arte verbal? Ideogramas verbais. Ou seja, as letras formando o objeto, ao contrário do caligrama que usava letras para desenhar ou ilustrar o objeto. Apollinaire reinventou o calligramme:

 

Descrição: APOLLINAIRE

 

        Mas, por justiça, vamos reconhecer que Simias de Rhodes já havia feito o mesmo três séculos antes de Cristo com seu poema “OVO”, tão bem estudado pelo José Fernandes (*): 

 

Descrição: http://www.antoniomiranda.com.br/poesia_visual/img/simeas_de_rodes.jpg

 

        Alguém já insinuou que esta é uma forma “primitiva” de escritura. Sem dúvida, mas é também mais pura, menos artificiosa e artificial que escrever com o nosso alfabeto fonético, que é mais arbitrário. Mas tentar o simples, o mínimo, é possível... basta seguir a receita proposta por Clarice Lispector para quem o mais difícil é ser simples. Complicar é fácil, rebuscar, pernostificar o texto é mais fácil de impostura. E devemos reconhecer que todas estas formas são limitadas, no afã da representação do mundo mental e material... É o caso do ideograma chinês, que vem da imagem para uma abstração do objeto como signo, como nos mostrou Fenelosa... Primitivo, sem dúvida... mas significativo, mais que representativo. Por que fonetizar a escrita, que deixa de copiar o objeto para fixar-se na verbalização da forma oral?  Em qualquer forma de representação, trata-se de criar objetos naquele sentido que Karl Popper nos ensinou como sendo um “conhecimento objetivo”, exógeno, mecanismo para exteriorizar e comunicar nossas mensagens... E podemos seguir experimentando outros alfabetos, outras formas de representação, mais agora que a convergência tecnológica na computação permite amalgamar imagem, som e palavra.

        No final dos anos 50 e 60 eu chamava estes experimentos de “poegoespaços”... O crítico de arte Roberto Pontual publicou um artigo nos anos 70, na revista VOZES (*) sobre o meu trabalho, à época em que eu usava o pseudônimo de Da Nirham Eros. Mas ele não sabia a origem da palavra, que usamos numa mostra clandestina que fizemos entre os pilotis do antigo Ministério da Educação e Cultura (hoje conhecido como Palácio Capanema, obra de Lucio Costa e Oscar Niemeyer, com a inspiração do Le Corbusier). A designação tinha que ver com poesia e espaço e com “ego”, como Max Weber professava e como os neoconcretistas cariocas entenderam na célebre contenda com os concretistas paulistas...

 

 

        Sem pretender teorizar, apenas mostrar, fica o exemplo do Ideograma Verbal” TRIÂNGULO que foi pintado sobre tela com a ajuda de meu amigo Zenilton Gayoso. Trata-se de um exemplo “verbivisual”: da repetição da palavra Triângulo surge o triângulo, ou seja, da palavra para a figuração do objeto.  Agora estamos montando uma animação para torná-lo “animaverbivisual”, que mostraremos em breve. Para ser “animaverbivocovisual” bastaria ouvir-se, no vídeo, a palavra “triângulo”, o que seria trivial, mas haverá casos em que seja justificável e necessário... Fica o desafio para quem quiser testar e textar...

        Resumo da ópera: a palavra designa, vocaliza, registra o objeto no processo de comunicação? Substantivos, adjetivos e outros ativos. O caligrama desenha com palavras. O concretismo dava forma/fôrma ao conteúdo verbal, único para cada caso: coisificando a linguagem, palavra-objeto, concreto, rompendo com a linearidade do discurso. (Mallarmé não rompia com o discurso, orquestrava-o no espaço da página como se fosse uma partitura). Mas o poema visual,  mesmo sem palavra explícita, é também um discurso... Ou não?

Brasília, 19 de janeiro de 2012

 

PONTUAL, Roberto. “ARTE/BRASIL/HOJE”. O DOCUMENTÁRIO (“UM ROTEIRO. A DÉCADA: 1960”) Revista de Cultura VOZES, n. 9, Volume LXIV, Ano 64, Novembro 1970

FERNANDES, José.  O Poema Visual.  Petrópolis: Vozes, 1996;


 

 

 
 
 
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