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PAULINO DIAS

 

 

Um passo mais avançado nessa fusão de Arte e Sentimento entre a Rima Lusitana e a Orgânica Indiana é o poeta Paulino Dias. Belo tipo drávida, esbelto, elegante, o rosto oval de uma pureza de linhas harmónicas, os olhos em amêndoa de um negro que faísca, o tom de uma calma aparente ocultando revoltas de volúpia insatisfeita. Expressão por vezes espasmódica, convulsa, filha de ritmo e rima; mas alguns dos seus alexandrinos, marmóreos como os de Guerra Junqueiro, sobretudo quando as suas imagens são inspiradas na grandiosidade do cenário indiano.

Mesmo nas suas líricas desenha-se uma personalidade forte, porque Paulino Dias é filho do povo que vibra com as emoções colhidas no seu próprio solo. Daí as suas composições em que voeja o sopro indiano serem simplesmente magníficas.                         ALFREDO DE MELLO

 

 

Entendido à luz da necessidade de transformação do significante proposta pela modernidade estética, sobretudo com o Simbolismo e o

Modernismo, o português muito particular de Paulino Dias

/Duarte Braga e Hélder Garmes/ Gragoatá, Niterói, n. 41, p. 744-761, 2. sem. 2016 756 ganha todo um outro sentido. A opinião crítica de Devi e Seabra (1971), não logrando esta interpretação fundamental, entende a linguagem de Paulino apenas como uma anomalia no seio de uma literatura periférica, que porventura estaria

condenada a legar uma produção literária sem grandes

desafios em nível estético. Ao contrário, os sinais que o poeta

deixou permitem inscrevê-lo, a partir de sua orgulhosa

radicação na Índia, na literatura vanguardista como um todo,

mediante uma aproximação necessária (e ainda por fazer) ao

Modernismo brasileiro e português. Um dos traços essenciais

da proposta estética de Paulino parece ser, com efeito, conciliar

a ruptura vanguardística com elementos culturais, históricos

e paisagísticos indianos: “Sou da linhagem bruta e [d]as terras

singulares/ onde davam o incenso e o leite aos crocodilos

(…)/ – trago daquele sangue uma tara impulsiva –” (PAULINO

DIAS, 1934, p. 122-123). Note-se ainda como o poeta integra

nessa recuperação um tópico da literatura naturalista e pósnaturalista, o da hereditariedade decadente (“tara impulsiva”),

ao modo de um Augusto dos Anjos.

DUARTE BRAGA / HÉLDER GARMES : Indianismos na poesia brasileira e goesa: os casos de Gonçalves Dias e de Paulino Dias — in:

http://www.gragoata.uff.br/index.php/gragoata/article/viewFile/532/612

 

 

 

VYASSA

 

“Eu tive um sonho, vi o topo do Himalaia.

Picava-o o vento largo! E era um fragor de guerra,

choques, gritos de leões, clarins, ondas na praia..

Em volta a Ariavarta, a milagrosa terra!

 

Escuro! E só o monte a erguer-se de atalaia...

Mas alguém era aí, co’o escopro, o malho e a serra

numa fúria que não abate e não desmaia,

a cortar , a ferir os pedaços da serra.

 

E gritei a tremer, agitado de frio:

Quem é aí no pavor que amedronta e assombra

a cortar, a rugir sobre um monte sombrio ?

 

Era então o luar um crescente de prata...

E ouvi dizer alguém no meio da sombra:

é Vyassa a esculpir o imenso Mah’barata.”

 

 

 

SONETO

 

“Rapariga que vens com um feixe de palha

de que várzea quem sabe e que distante eira

enches meu coração, ó morena feiticeira

e o teu simples olhar minha alma agasalha.

 

E eu fui vencer dragões, no tôpo da muralha

dos vencidos perdia mocidade inteira.

Vim por lutar seu nome e a note traiçoeira

para ver-te voltar com um feixe de palha.

 

Teu seio oscila alto e eu fico pensativo

sorris...não para mim, mas eu fico cativo...

Ai!...que simples tu és que me fazes tão bem!

 

Quem me dera fugir das vastas derrocadas,

das horas sem alivio, altas noites cavadas,

e como tu voltar duma várzea também!

 

 

Página publicada em agosto de 2017


 

 

 
 
 
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