Parte II:

DE REVOLUTIONE MUNDI

 

Canto 15-  Desmemoria

Canto 16-   I. Mare Clausum

                   II. S. F. Z.

                   III. Ovo Erectus

                   IV. Despistamentos

V.  Enigma

Canto 17 -   O Verdadeiro Achamento?

Canto 18 -   Mares nunca dantes...

Canto 19 -   Houvemos vista de Terra

Canto 20 -   Os Primeiros Degredados

Canto 21 -   Degredados

Canto 22 -   Nudez e Catequese

Canto 23 -   Invenção do Brasil

Canto 24 -   Povoamento e Cruzamento Racial

Canto 25 -   A Ampulheta

Canto 26 -   O Dueto Monárquico

Canto 27 -   A Imperatriz Leopoldina e os Imigrantes

Canto 28 -   O Imperador Pedro I e as milícias

Canto 29 -   Poema com rodapé

Canto 30 -   A Regência Trina

Canto 31 -   Desterro

Canto 32 -   A Bandeira Imperial

Canto 33 -   Canudos

Canto 34 -   Antônio Conselheiro

Canto 35 -   Rui, a fogueira e o mar

Canto 36 -   Caxias, uma breve biografia

Canto 37 -   O Baile da Ilha Fiscal

Canto 38 -   Si hay gobierno, soy contra

Canto 39 -   Os Donos do Poder

Canto 40 -   O Paradoxo do Coronelismo

Canto 41 -   Partidos-repartidos

Canto 42 -   Os Dois Brasis

Canto 43 -   País Inconcluso

Canto 44 -   O Ditador de turno

Canto 45 -   A Fraude eleitoral de 1989

Canto 46 -   Crise

Canto 47 -   Caixa Dois e Metástase

Canto 48 -   Povos de Rua

Canto 49 –   Violência Urbana

Canto 50 -   Diacrítica

Canto 51 -   Sambaquis

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 





 

Canto 15

 

DESMEMÓRIA

 

 

Não sabemos se os mortos

(ainda)

governam os vivos;

país sem heróis

-amnésico-

não freqüenta os cemitérios

embora invoque espíritos

errantes.
 

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Canto 16

 

MARE CLAUSUM

 

A América e o Brasil foram apenas “achados” nas datas

oficialmente comemoradas, pois seus verdadeiros descobridores,

cumprindo o juramento feito, tiveram o cuidado de não revelá-los”.

 

                                          FERNANDO PINTO CABRAL

 

I

O Tratado de Tordesilhas

(a 7 de julho de 1494) dividia ilhas

e terras ainda por descobrir

ou já descobertas...

(Antes e depois!!!...)

entre os católicos e apostólicos

reis de Espanha e Portugal.

Nada mal. O Papa Alexandre VI

deixava de fora das conquistas

os hereges protestantes.

Pois, pois.

 

Existem tantas versões e revisões...

Haveria um outro acordo, secreto

para interpretações mais seguras?

 

Afinal, quem descobriu a América?

Espanha ou Portugal?

Para mim, tanto faz...

 

 

II.

 

S.F.Z.

 

Era Colombo genovês, catalão ou português?!

A resposta, se houver, não me garante

o pão e o feijão no fim do mês...

 

A história é controversa

podemos mudar de conversa...

Para o poeta interessa

mais a pergunta do que a resposta

esta posta ao historiador...

 

Se eu tivesse que (ou pudesse) escolher

o nome do Redescobridor da América

ficaria com o meio-judeu

- helenista, cosmógrafo, hebraísta –

SALVADOR FERNANDES ZARCO

filho bastardo do

Infante Dom Fernando de Portugal.

Cristão-novo

espião português, tido por genovês

a serviço dos Reis de Espanha!!!

 

Habituado a se chamar

- uma confusão tamanha!!!-

Cristovao Colombo

Cristovam Colom

(Cristóforo Colombo)

Crhistofom Colom

Christofon Colom

Cristóbal Colón

em grafias e regalias

palacianas.

 

Nunca jamais assinava o próprio nome...

Usava sigla e monograma

pra autenticar cartas a reis

aos amigos e aos filhos...

O monograma, decifrado

combinava as letras S, F., Z...

Salvador Fernandes Zarco.

 

 

III.

 

OVO ERECTUS

 

Salvador Fernando Zarco era

capaz de convencer almirantes

por ser culto e experimentado marujo

salvo a nado de batalhas

ousado e, sendo fidalgo, de chegar

à presença de reis e poderosos

- o que um tecelão genovês

que nem a língua pátria sabia

certamente não conseguiria....

 

Ele vendeu a hipótese convincente

- com a obviedade de um ovo –

de ir ao Oriente pela rota do Ocidente

(mas, em vez da Índia, chegou ao novo mundo...)

 

[Sempre a serviço do rei de Portugal...]

 

Às terras descobertas

dava denominações encobertas...

Nomes portugueses, com certeza...

 

Na Spaniola, onde aportou, encontrou

nativos “brancos como em Espanha”

e que já conheciam as caravelas...

 

 

IV

 

DESPISTAMENTOS

 

À primeira ilha encontrada

deu o nome de Salvador

- supostamente dedicada a Cristo...-

mas Salvador era o próprio nome

- certamente – de Cristovam...

 

À segunda denominou Fernandina

- homenagem ao Rei Fernando, de Castela? –

mas Fernando era o próprio pai ...

 

À terceira deu o nome de Isabela

- para honrar a rainha Isabel? –

mas Isabel Zarco era a sua mãe...

 

A quarta recebeu o nome de Juana

- homenagem a Dom João II

seu primo e cunhado

e seu verdadeiro soberano?

 

Por ser tão óbvio, no seu Diário

mudou o nome para Cuba

- sua terra natal, no Beja.

Posteriormente, mudou definitivamente

para Longa, com cuidados...

 

Spaniola era a Península ibérica

e não apenas o nome de España...

Spaniola, um diminutivo, bem podia

referir-se a Portugal...

 

Alfa e Omega – já existentes em Portugal

eram também símbolos hebraicos...

 

Belém, Assumpción, Buena Vista

tinham ascendências lusitanas...

Por pouco não colocou Nova Belém...

 

E até Brazil – porto da Spaniola...

Brazil era já, então

uma das ilhas dos Açores!!!

 

E que dizer de Curaçao

- ou Curação, pelo fato de curar ali

os marinheiros vitimados

pela maldição do escorbuto...

 

Faro, Galera, Graciosa

Morón, San Jorge, San Luiz

San Nicolas, Santarém, Guinchos.

 

Deu apenas nomes portugueses

- disfarçados – a toda a toponímia...

 

 

V

 

ENIGMA

 

Que projeto realmente perseguia?

 

Se realmente queria

cristianizar os indianos

por que não levava missionários

em sua tripulação?!

 

Perseguia o intento

de encontrar povos hebreus desterrados?

[Já então havia referências

a índios circuncidados

e com nomes hebraicos...]

Por que levava um intérprete

hebreu a bordo?

 

Teria dado o nome de América

em homenagem a Américo Vespucci?

Pouco provável, sendo Salvador

(ou Cristóvão...) seu superior...

Mas havia uma tribo visitada

em 1502, que ele reportou... – Americ

ou Amerique... – em seu regresso.

 

Zarco, vulgo Colombo, passou

oito dias em Portugal

antes de regressar à Espanha...

Estranha ousadia... Visitou

e relatou ao Rei D. João II

sua viagem às Índias Ocidentais...

 

O soberano português, depois

considera-o “especial amigo”

em carta enviada a Sevilha.

Que amigo descobre um continente

para o inimigo ou concorrente?!

 

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Canto 17

 

O VERDADEIRO ACHAMENTO ?

 

Ano Santo de1500.

 

Eram quatro caravelas

como as de Cristóvão Colombo

em demanda de Cathay e de Cipango

das especiarias do Oriente.

 

Mapas incertos, rotas imprecisas.

 

“Nasceu uma terrível tempestade

de ondas e turbilhões de vento”...

vagalhões ciclópeos, ventos uivantes

depois de cruzarem o Equador,

a Estrela Polar e seus desígnios

tenebrosos. Mare-magnum.

 

Vicente Yánez Pinzón

capitão da Coroa de Castela

descobre as praias desertas

depois dos embates do mar.

 

Costa alta e verdejante

mar adiante

com seus contrafortes azuis,

depois das águas turvas

em alta mar...

 

Aonde chegaram os marinheiros

errantes? Aquém ou além das Tordesilhas?

A que paragens desconcertantes?

 

A Pernambuco ou, antes, ao Ceará

ou quem sabe ao Amapá?

 

Nem havia Pernambuco, nem lugar

algum por reconhecer,

eram terras de nomimar.

 

“Santa Maria de la Consolación”

foi nome de batismo

das terras por conquistar

ao norte do Cabo Orange

ou seria na Ponta do Mucuripe

quem sabe no Cabo de Santo Agostinho...

 

Apenas pegadas na areia

e fogueiras à distância.

 

Sobreveio o enfrentamento

entre nativos (potiguares?) e espanhóis;

diz-se que eram os da terra

ferozes e arredios

ou que resistiram

“com grandíssimo ímpeto”

ao arresto e ao seqüestro...

 

Singrando mares

costa avante

enxergaram um monte

“vermelho bico de cisne

mergulhado no oceano”

depois de rezarem por seus mortos.

 

Mais adiante, aportariam

“às terras felizes pela fertilidade do solo”

habitadas por “gente mansa e sociável

mas pouco úteis”  por não ostentarem

riquezas...

 

Encontraram as águas

que adoçavam o mar aberto

região de Marantiabal

-o futuro Amazonas, do Orellana–

que Pinzón denominou

Santa María de la Dulce Mar.

 

Àquelas praias remotas

àquelas vastidões desconhecidas

àquelas muralhas verdes coroadas

àqueles estuários mansos-ermos

chegaram as naus do achamento

e do encantamento.

 

O fim do episódio

ou o começo, se se quer,

foi a coleta de aves,

de animais e de plantas

(embora almejassem o Eldorado)

e a escravidão dos gentios

-“povos nus, mansos e pacíficos”-

que chega aos nossos dias.

 

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Canto 18

 

MARES NUNCA DANTES...

 

Até onde chegaram os descobrimentos

portugueses desde a Escola de Sagres

em tempos do Infante Dom Henrique?

 

Que sigilo encobria

périplos e circunavegações

daquelas viagens exploradoras

sob o signo da Ordem de Cristo?

 

Teriam os portugueses

DIOGO DE TEIVE

e PEDRO VASQUES

- conforme o testemunho

insuspeito de Fernando Colón

- filho do Cristóbal Colón!!! –

chegado às terras americanas

em 1452, quarenta anos

antes do Descobrimento?!

 

Seja verdade ou fantasia

- apesar das provas documentais –

O Tratado de Tordesilhas

negociado, favorecia Portugal...

 

Garantia a navegação exclusiva

no litoral africano para as Índias...

(às verdadeiras, por suposto...)

 

Seria a história invertida?

Portugal teria descoberto a América

e os espanhóis o Brasil?

Ou estaria o Brasil nas rotas dos descobrimentos

portugueses (secretos) que o Tratado de Tordesilhas

viria depois legitimar?

Em que versão acreditar?

 

Então, Cabral viria apenas confirmar

o que já era sabido...

(e “se tinha mais que simples indícios”...)

o que já estava garantido...

“Um fato perfeitamente voluntário”

assevera Fidelino de Figueiredo.

 

Teria vindo “descobrir” apenas

para completar a encenação?

[Afinal, o Tratado de Tordesilhas

reservara para Portugal aquela

área desconhecida..

E a defenderam com tanta artimanha

na partilha com a Espanha...

Portugal levou para a barganha

cartógrafos experimentados

enquanto a Espanha mandara

letrados e clérigos emplumados...]

 

Surpreendente a naturalidade com que

o escrivão da frota participou ao Rei:

nenhuma palavra sequer de espanto

a resplandecer o regozijo

pela inesperada fortuna...

confirma Pedro Calmon.

 

A carta de Caminha

não demonstra nenhum espanto...

 

Que encanto teria mudado a rota

de quem conhecia os caminhos?

Era apenas um álibi, um lorota

para enganar os vizinhos?

 

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Canto 19

 

HOUVEMOS VISTA DE TERRA

 

Reiteramos: nenhum espanto naquele santo dia

em que divisaram sargaços

e o pedaço saliente de um continente

(possivelmente) redescoberto:

acharam um território previsto

e (já) concedido no Tratado de Tordesilhas.

 

Nenhum assombro no discurso de Caminha

ao seu rei Dom Manuel

-apenas um desvio de percurso

até àquele rio em sua embocadura

como quem toma posse

ou lavra escritura do que já era seu.

 

Em vez de Descobrimento

apenas o documento de posse

e seu sacramento em missa campal

e início de povoamento

para “cuidar da salvação”

daquela gente de Santa Cruz

ou Pindorama.

 

Pura formalidade

pois a verdadeira finalidade

era a rota das especiarias:

às Índias

destino final da viagem

de Pedro Álvares Cabral.

 

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Canto 20

 

OS PRIMEIROS DEGREDADOS

 

 

Afonso Ribeiro, mancebo desafortunado

foi o primeiro degredado

entre o gentio da terra

para “saber de seu viver e maneira”

mas é mais de uma vez rejeitado...

 

Mas ficaram em terra nova

dois condenados

e dois grumetes foragidos

de quem não mais se ouviu falar.

 

Somos todos descendentes

desses pobres desgraçados?

Seriam meus/nossos retroparentes?

De que genealogias emergiram?

 

Que erro, que crime cometeram

- sacrilégio, perversão –

para sofrerem tal desterro?

E os grumetes 

preferiram o paraíso? 

 

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Canto 21

 

DEGREDADOS

 

 

Desertores, degredados, náufragos

e outros homens abandonados

deambulando pelas trilhas litorâneas

personagens solitários, marginais

povoadores sem alternativa

traficantes.

 

Por onde andou Caramuru?

O que fazia João Ramalho

suposto fundador da Paulicéia

pelos desertos da Cananéia?

 

A que senhores serviam?

Teriam sido polígamos, acaso

traidores de duas pátrias

escravagistas, incréus, cruéis?

 

Aleixo Garcia atravessou (mesmo?)

o continente em busca de riquezas

dos incas altiplanos?

 

Havia mesmo planos

ou eram sonhos, delírios                                         

nas Entradas e Bandeiras?

 

E o sangue/seiva daqueles

aventureiros? Os primeiros brasileiros

(ou seus pais) na mestiçagem fundadora

de nossa identidade. Hexa, penta

tetra-avós de nossos avós paternos?

 

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Canto 22

 

NUDEZ E CATEQUESE

 

                              “tomam tantas mulheres quantas querem”

                                                     AMÉRICO VESPUCIO

 

I

As matas eram nuas

e nuas as praias e as serras.

 

Puras, limpas, inocentes.

 

Nuas as índias e suas crias.

 

Não havia pecado

nem vergonhas

e maldades

no despir

e exibir corpos

e intimidades.

 

 

II

Ímpias, impuras, indecentes!!

 

O pecado aportou

com os religiosos

e seus preceitos morbosos

gerando preconceitos.

 

Homens vestidos, armados,

suados, fedidos,

considerando lúbricos

aqueles corpos limpos,

lavados

e dourados

pela liberdade.

 

Logo ultrajados, possuídos

e escravizados

enquanto se discutia a tese

- res-nullis: uma coisa

e não uma pessoa -

 

de serem ou não humanos,

se se podia

humanizá-los pela catequese.

 

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Canto 23

 

 

INVENÇÃO DO BRASIL

 

Nu e pintado a jenipapo

com tatuagens e por alegorias

Martim Soares Moreno

simboliza a Invenção do Brasil.

 

Deixado para aprender a língua

e familiarizar-se com os costumes

o jovem é logo assimilado

e regride à condição da barbárie:

- esta a versão do colonizador.

 

Protegido de Jacaúna, cacique potiguar

acompanhado de dois soldados

estabelece uma fortaleza no Ceará;

pela procriação e miscigenação

dá início a uma nova civilização:

- esta a visão de José de Alencar.

 

Martim “barbariza-se” para “civilizar”

no dizer analítico de Ítalo Barbieri:

vira personagem do nativismo romântico

em Iracema, uma lenda cearense

(a virgem dos lábios de mel)

na fundação do Romance brasileiro:

e aqui faz parte do Cordel.

 

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Canto 24

 

POVOAMENTO E CRUZAMENTO RACIAL

 

 

Viver com muitas mulheres

- brancas, negras, índias –

podiam os bandeirantes

os senhores-de-engenho

os militares e – por que não? –

ainda que por exceção

também os clérigos

em seu ardoroso empenho

de prazer e povoar.

 

Pois a terra era vasta e vazia

e havia que multiplicar

e garantir a serventia.

 

Uma poligamia enrustida

(de linhagens mozárabes

ou de origens tupiniquins

correndo nas veias)

culturalmente consentida

como moeda corrente.

 

Uma poligamia dividida

entre o refúgio social

da casa-grande

e o subterfúgio da senzala.

 

Mulatos, cafuzos, mamelucos

numa multiplicação sincrética

e geomética avançando

e povoando sesmarias.

 

Havia naqueles cruzamentos

inter-raciais

de classes sociais distantes;

naquela fornicação descarada

protegida pelos estamentos;

naqueles coitos sem os devidos

sacramentos

um pacto de silêncio

e de não reconhecimento.

 

Filho de branco com negra

o que era: era negro.

Filho de branco com índia

o que era: era índio

e virava propriedade.

 

E podia o dono vender

ou esconder sob o manto

protetor

sem nenhum espanto

ou pudor,

a prole.

 

Até mesmo tê-los como filhos

adotivos

e educá-los

ou domesticá-los como servos

sem nenhum embaraço.

 

Tudo podia ser

naquela bastardia que a lei

protegia pela omissão

e que a religião ignorava

quando nada podia fazer.

 

O resultado já sabemos:

a morenidade de uma meta-raça

- base de toda diversidade

de nossa unidade racial

origem de nosso sincretismo

e a capacidade final

de nossa santidade

sem nenhuma beatitude.

 

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Canto 25

 

A AMPULHETA

 

 

    “só o trabalho livre” (...) “satisfaria

     os anseios de colonização do Brasil”.

     OSCAR CANSTATT (1871)

 

Dois Brasis contrastavam

na hora da Independência

- um, ao norte, aristocrático

mantendo privilégios coloniais

e a escravatura

- outro, mais pobre,no sul

aberto ao trabalho livre

pela imigração.

 

Que impedia, então

acabar com a escravidão

a exemplo das repúblicas vizinhas?!

 

Coloca-se a culpa na Monarquia...

 

Quem tinha escravos e benesses

eram os membros do Parlamento

(desde então e desde sempre...).

 

Qual a razão do contraste

que levaria ao desastre

da inversão da ampulheta

da História?

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Canto 26

 

O DUETO MONÁRQUICO

 

 

Ele, um garanhão católico libertino

e mandão, industrioso e mesmo cruel.

Ela, luterana inconformada

em terras de ousadias consentidas

e de tantas degenerações acobertadas.

 

Ele, liberal (ou amoral?)

em seus excessos e caprichos.

Ela, infensa aos mexericos

e indefesa nos constrangimentos.

 

Unidos em matrimônio numa aliança