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JEAN ROCHA

 

Jean Rocha Teixeira Duarte é natural de Brasília (1977). Poeta e escritor de estórias e contos infantis.

 

Escreve poesias de contraste caracterizadas pelo uso de antônimos sem exageros., num jogo de opostos que desencadeia uma sensação instigante.

Contato: jean_rocha_duarte@yahoo.com.br

 

O ACASO DAS PORTAS

 

Já da porta passava

Quando ainda nem

Entrado ele havia

Como que morto sentia

O ajuntamento que mantinha

A unidade perdida bem

À desculpa para o acaso

Na revolta que fugia

Escovava a premissa com a mão

Solicitando uma certa permissão

Para levantar-se a esmo

Da emoção se fez um vesgo

A fim de proteger-se do mais

Improvável ele mesmo 
 

AO MODO DE TUDO

 

Na queda ao encontro que nada

Trás consigo lá agora integrada (na cachoeira)

A unidade aterrorizante dos sais (referência ao sabão espuma

 do choque da água nas pedras)

Que pensativo e temeroso o faz (medo da proximidade de sua

 desintegração no mar)

 

Depois já recuperado do susto

Por mais psicologicamente profundo

Reaparece espumoso no justo

Dever de sempre lavar o mundo (por ser fundamental no ciclo

 dos nutrientes da Terra)

 

Dos tantos que na queda seria

Agora os tem sob a nova vigia

Das margens que o mantém

 

Mais gigantesco era antes (perde altitude ao se aproximar

 do Leste, do litoral)

Com o brio único dos diamantes

O qual o mar conhece e bem

 

 

 

MAISONTROPO (*)

 

Perdeu enfim o espírito de bando

Há muito sem a bússola cotidiana

A champanha esperança agora insana

Não obedece mais o coletivo comando

Que estranha boutiqueessa!!!

Cujos rótulos impostos não se entende

Como a bolha do espumante desprende

Assim a folheada alma espessa

Mata a saudade dos outrora amigos

Com seus sabores já antigos

Prepara-me para a ida

Como nos amigos da saudade

Uma nostálgica cena a cabeça lhe invade

Sui cidra com caco de vida 

 

(*) Maisontropo é um neologismo produto da contração das palavras maison (do francês: casa, loja) e tropo ou tropus (do latim: figura que se emprega com um sentido diferente do habitual, por exemplo, a metáfora).

Maisontropo é uma analogia a misantropo. Aquele que evita a sociedade, o contato com as pessoas em geral. Num sentido mais amplo: melancólico, sorumbático.

 



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