MÁRCIO BEZERRA
Nasceu em Sena Madureira, Acre, Brasilo, está concluindo estudos de antropologia, descendente do Velho Mariano ( o mais brabo de todos os seringais) e da índia Iracema ( que o Velho Mariano pegou na mata como esposa), agora estudante de letras, poeta e filósofo nas horas vagas, determinado a entender o absurdo da vida e a vida sexual dos selvagens, autor do livrinho artesanal P(R)O(BL)EMAS, autor publicado no suplemento literário da Germina Literatura e Arte ( http://www.germinaliteratura.com.br/mbezerra.htm ) , nas 21º e 25º antologias de poetas brasileiros contemporâneos, na 1ª antologia de novos talentos da crônica brasileira, publicou o Primeiro Manifesto da Poesia Acreana Contemporânea no site Cronópios ( http://www.cronopios.com.br/site/poesia.asp?id=1621 ) coordena e edita o blog coletivo do grupo literário Desterro21 (www.desterro21.blogspot.com), núcleo do projeto Identidade no Acre, e o blog pessoal Verso & Prosa (www.mentirasperfeitas.blogspot.com), além de gostar de esportes e lutas marciais, alienado em política e literatura; ecce homo.
Veja também o Primeiro Manifesto da Poesia Acreana Contemporânea
por Marcio Bezerra (entre outros) em: http://www.cronopios.com.br/site/poesia.asp?id=1621
Ossos do ofício
1
escrever é mover pedras
em sinfonia com o acaso
em religião com o supérfluo
procurando construções
para uma morada distante
onde o infinito seja onde
e o eterno seja quando
2
tenho um punhado de pedras
ferindo-me as mãos como quem
colhe num campo de sonhos
um galho de navalhas
3
poemas são navalhas
que crescem do estomago
em diante
beijo, costas, asfalto
o amor compõe os roteiros
fotográficos
a vida
por um fio de navalha
dentro das mãos
limitações
campos, sinfonias no teu ventre
branco
arrepiado na madrugada
a vontade era dizer
te amo
o medo era ouvir
também
guerras
durante muito tempo
corpos, batalhas. rivais
o resto era café da manhã.
unhas acesas em navalhas
a pontilhar dimensões na pele
anterioridade
para surgir de teu corpo
como planta a fincar raízes
um rosa simples e inútil
rosa de vidro e plástico
que mais tarde se tornaria
um pedaço de carne
antiguidades
há muito tempo
mas a revi
– foi hoje
que nos enroscamos
procurando uma verdade
entre nossas coxas
deserto provisório
de si viu esvair-se
como urina um líquido
cristal que mais tarde descobriu
ser areia
fim de caso
o fim de tudo é quando
já não faz o som do corpo
um mover de estrelas
no acaso
(in)utilidades
a vida que tive
a vida toda
confunde-se com o
gozo
que tive a noite toda
alguns de meus amores, passados
amores,
como estes: mentirosos
alguns de meus poemas, atuais poemas
como esse: mentiroso
como um vício
no exílio-
certas overdoses de saudades-
e num grito plástico
como se pudesse comer o mundo todo
toda a matéria e a luz
meu poema
como um gole de cerveja
banal, igual, sobrevive
a ponto de morrer
fosse ele somente o poema da dor
mas é o poema do amor
morto pedaço de nada
nenhuma verdade
nenhum segredo
poema inútil como
essa hora
2
te fiz o poema que bastou ao amor
sobre o material que compõe as folhas
diante de certas formas inebriadas
admitindo preciosas ausências;
poema que me bastasse; porém
objeto além, mas que me alcançasse;
na verdade, seria luz póstuma
de estrela morta; corpo ausente
luz presente: extrema a hora.
3
cantou canções de amor enquanto
dormia seu corpo estúpido sobre o mármore
depois de 2 horas muita sede
muito amor
até que descobriram a questão
da vida;
a questão das essências.
poema sem título
Y esas difíciles
Palabras
Que siempre temí
Decir
Pueden decirse
Ahora:
Te amo.
Bukowski
e sempre um corpo passava
sobre seu rijo corpo na mesa
branco como a cal abandonada
que cobriria toda aquela porção de sexo
a carne que arranhou seus braços
enunciou em seus olhos um horizonte
toda branca e nua ela reluzia
o mundo inteiro era uma grande moldura
durante muito tempo julguei meus sentidos
dispostos a enfrentar meu complexo de carne
e acertei umas vezes, outras segurei as mãos
segurei o corpo, os olhos, a boca, a boca
dessa vez não, meu sangue fraco, cal avermelhada
a despiu em silencio num magma de agonia e exílio
e pude a possuir como um elixir a curar
aquele corpo que não podia ver carne
desenhei com o liquido de seu corpo
fiz loucuras com meu coração pesado
óficou a cor branca do rosto
e o grito da palavra que não disse jamais
a Nicolas Behr
durante muitos anos
habitei num hemisfério
entre meus dentes
até que um dia
resolvi escovar os
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