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Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



MÁRCIO BEZERRA
 

Nasceu em Sena Madureira, Acre, Brasilo, está concluindo estudos de  antropologia, descendente do Velho Mariano ( o mais brabo de todos os seringais) e da índia Iracema ( que o Velho Mariano pegou na mata como esposa), agora estudante de letras, poeta e filósofo nas horas vagas, determinado a entender o absurdo da vida e a vida sexual dos selvagens, autor do livrinho artesanal P(R)O(BL)EMAS, autor publicado no suplemento literário da Germina Literatura e Arte ( http://www.germinaliteratura.com.br/mbezerra.htm ) , nas 21º e 25º antologias de poetas brasileiros contemporâneos, na 1ª antologia de novos talentos da crônica brasileira, publicou o Primeiro Manifesto da Poesia Acreana Contemporânea no site Cronópios ( http://www.cronopios.com.br/site/poesia.asp?id=1621 ) coordena e edita o blog coletivo do grupo literário Desterro21 (www.desterro21.blogspot.com), núcleo do projeto Identidade no Acre, e o blog pessoal Verso & Prosa (www.mentirasperfeitas.blogspot.com), além de gostar de esportes e lutas marciais, alienado em política e literatura; ecce homo.

Veja também o Primeiro Manifesto da Poesia Acreana Contemporânea
por Marcio Bezerra (entre outros) em:
http://www.cronopios.com.br/site/poesia.asp?id=1621



 
Ossos do ofício

1

escrever é mover pedras

em sinfonia com o acaso

em religião com o supérfluo

procurando construções

para uma morada distante

onde o infinito seja onde

e o eterno seja quando

2

tenho um punhado de pedras

ferindo-me as mãos como quem

colhe num campo de sonhos

um galho de navalhas

3

poemas são navalhas

que crescem do estomago

em diante 



beijo, costas, asfalto

 o amor compõe os roteiros

fotográficos

 

a vida

por um fio de navalha

dentro das mãos

 


limitações

 campos, sinfonias no teu ventre

branco

arrepiado na madrugada

 

a vontade era dizer

te amo

 

o medo era ouvir

também

 


guerras

 durante muito tempo

corpos, batalhas. rivais

 

o resto era café da manhã.

unhas acesas em navalhas

a pontilhar dimensões na pele


 

anterioridade

para surgir de teu corpo

como planta a fincar raízes

um rosa simples e inútil

 

rosa de vidro e plástico

que mais tarde se tornaria

um pedaço de carne


 

antiguidades

 há muito tempo

mas a revi

– foi hoje

que nos enroscamos

procurando uma verdade

entre nossas coxas 



deserto provisório

 de si viu esvair-se

como urina um líquido

cristal que mais tarde descobriu

ser areia


fim de caso


o fim de tudo é quando
já não faz o som do corpo
um mover de estrelas
no acaso


  

(in)utilidades

a vida que tive
a vida toda
confunde-se com o
gozo
que tive a noite toda 


exercícios de aproximação

 
1

alguns de meus amores, passados
amores,
como estes: mentirosos

alguns de meus poemas, atuais poemas
como esse: mentiroso

como um vício
no exílio-
certas overdoses de saudades-
e num grito plástico
como se pudesse comer o mundo todo
toda a matéria e a luz
meu poema
como um gole de cerveja
banal, igual, sobrevive
a ponto de morrer

fosse ele somente o poema da dor
mas é o poema do amor
morto pedaço de nada
nenhuma verdade
nenhum segredo
poema inútil como
essa hora 


2

te fiz o poema que bastou ao amor

sobre o material que compõe as folhas

diante de certas formas inebriadas

admitindo preciosas ausências;

poema que me bastasse; porém

objeto além, mas que me alcançasse;

na verdade, seria luz póstuma

de estrela morta; corpo ausente

luz presente: extrema a hora.

 

3

 

cantou canções de amor enquanto

dormia seu corpo estúpido sobre o mármore

depois de 2 horas muita sede

muito amor

até que descobriram a questão

da vida;

a questão das essências.

 


poema sem título

Y esas difíciles
Palabras
Que siempre temí
Decir
Pueden decirse
Ahora:
Te amo.


Bukowski

e sempre um corpo passava
sobre seu rijo corpo na mesa
branco como a cal abandonada
que cobriria toda aquela porção de sexo

a carne que arranhou seus braços
enunciou em seus olhos um horizonte
toda branca e nua ela reluzia
o mundo inteiro era uma grande moldura

durante muito tempo julguei meus sentidos
dispostos a enfrentar meu complexo de carne
e acertei umas vezes, outras segurei as mãos
segurei o corpo, os olhos, a boca, a boca

dessa vez não, meu sangue fraco, cal avermelhada
a despiu em silencio num magma de agonia e exílio
e pude a possuir como um elixir a curar
aquele corpo que não podia ver carne

desenhei com o liquido de seu corpo
fiz loucuras com meu coração pesado
óficou a cor branca do rosto
e o grito da palavra que não disse jamais




biografia

a Nicolas Behr

durante muitos anos
habitei num hemisfério
entre meus dentes

até que um dia
resolvi escovar os

 



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